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a vida em azul cueca

03
Dez18

111 - Já fui feliz aqui


Mac

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2018-12-02 Por estes dias.jpg

 

 

 

e chegámos ao mês mais bonito do ano. apesar de ser pelo verão, o natal é aquela ilha que salva o inverno . já disse muitas vezes, para mim existe o inverno antes do natal, aquele que é suportável e o inverno depois do natal, o da contagem dos dias para o verão, para o bom tempo, para o lombo ao sol e as pernas dentro de água lá fora . este ano passou-me a correr, ainda ontem andei a embrulhar presentes, a correr lojas, a decorar a casa com luzes e ramos, ainda ontem carreguei a árvore, as bolas brilhantes e as luzes, fui comprar as coisas para a consoada e arrumei a casa e o natal, e de repente cá estou outra vez a repetir tudo, a vila toda enfeitada e a roda gigante a girar  . eu gosto desta repetição . gosto de ir comprar os presentes, de fazer embrulhos especiais, pensar na ementa para o jantar, na decoração da mesa e da casa . cada ano que passa, passa-me mais depressa, parece-me que isto é proporcional à idade, dantes os anos levavam-me séculos e era bom, às vezes era bom, era uma miúda e tinha todo o tempo do mundo, achava eu . agora encho-me de saudades dos que já não estão cá . depois vou pondo pela casa o que me ficou de outros natais, já tantos, e de uma certa forma há vida e consolo nestes natais . pelos enfeites que me ficaram da árvore de casa dos meus pais, pelas formigos da minha avó, a roupa velha e o arroz, e as toalhas da minha outra avó . pelo menino jesus que sempre vi na casa da minha tia mais velha, que foi a minha avó de coração, muito mais avó do que as minhas avós . a minha tia estava sempre e estava nas férias grandes e íamos com ela para o alentejo . foi ela que nos contou histórias até adormecer, nos ensinou crochet, tricot e a bordar, teve uma paciência infinita para me deixar cortar bolachas e rapar todas as formas dos bolos e me chamava para eu ver como se faz caramelo, nos deixava comer melancia à dentada e usar muitas pulseiras . e nos finais daqueles dias de agosto no alentejo dava-nos um banho e dizia estes joelhos têm de ser esfregados

 

a certa altura o natal é bem capaz de também ser isto, um tempo para lembrar mais .

 

 

 

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28
Nov18

110 - Já fui feliz aqui, Lisboa meu amor


Mac

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Vou pouco a Lisboa, menos do que gostaria e mais do que realmente preciso. Mantenho em Lisboa o meu cabeleireiro, o que me faz as coisas mesmo sérias como cortar e pintar, mantenho a pediatra dos miúdos, porque só confio nela e em mais ninguém, mantenho os amigos e a mana.  Lisboa ficou-me com coisas importantes. Foi a minha cidade. Foi ali que nasci e vivi durante décadas, até ao dia em que achei que precisava de viver (quase) em cima do mar. Cheguei até a achar que já não gostava de Lisboa, eu que era uma apaixonada pela cidade. Achei até também que nunca teria saudades dela. Fui muito feliz em Lisboa, fui quase sempre feliz em Lisboa, é lá que está grande parte da minha vida. É lá que está o colégio onde andei, a faculdade,  o café que frequentava, os cinemas preferidos, as lojas, os parques, os trajectos corridos e percorridos centenas e milhares de vezes. Vivi em todos os cafés emblemáticos e desaparecidos, assisti às mudanças de direcção das avenidas, vi nascer o primeiro McDonald's, o segundo e o terceiro, e vi o que lá estava desaparecer, a Colombo e a pastelaria Roma onde ia desde pequena e que ficava ao lado da casa do meu avô. Vi surgir a primeira Zara em Lisboa que tomou o lugar do Star, a minha sala de cinema preferida. Vi o apogeu do Apolo 70, do Castil e do Alvalade, e a decadência. Aquelas ruas têm a minha infância, a minha adolescência e a minha vida. E  foi lá que quis ter os meus filhos.

 

Quando saí de Lisboa há oito anos, deixei uma cidade velha, triste e abandonada. A Baixa estava fantasmagórica, tirando o Chiado, claro, os cafés ao fim-de-semana eram tristonhos, muitas das lojas arrastavam-se numa quase falência e os museus estavam vazios. A luz, essa, foi sempre a mesma, aquela luz de Lisboa que não há em mais lado nenhum do mundo. E os condutores também, extremamente mal educados. Isto será sempre igual.

 

Por isso agora quando vou lá tenho um misto de saudades do tempo bom de Lisboa que já não existe, aquele antes dos anos tristes, e uma felicidade enorme por ver tudo quanto deixei há oito anos renascido e renovado. Eu sei o que estava lá antes, o que esteve depois e sei o que está agora. 

 

E o agora é muito bom, por isso não me digam que o turismo não faz bem a Lisboa

 

 

 

 

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08
Nov18

109 - Já fui feliz aqui


Mac

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Eu não sei quanto a vocês, mas quanto a mim, se já há decorações de Natal por todo o lado e as rádios já passam All I want for Christmas is Youuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, uhuuuuuuuuuuuuuuu babyyyyyyyyyyyyyyyy, plim, plim, plim, então já se pode fazer Aletria. Não é que precise de autorização, mas de uma certa forma preciso de um marco, um partida-largada (lagarta!)-fugida, uma permissão, porque gosto de me incluir em movimentos, aquela coisa de ser uma pessoa do contra e original já não me diz muito. 

 

A Aletria é daqueles doces que só faço antes do Natal porque estou desejando que o Natal chegue e é uma forma de entrar na onda, e no Natal. Não sei porquê, passa o Natal e nunca mais faço Aletria até ao Novembro seguinte em que lá vou eu entrar no espírito da canela, ovos e coisas bastante calóricas.

 

Adiante, não era a isto que vinha. 

 

Então a Aletria, assim como o Arroz Doce, implica saber fazer desenhos giros com canela. Foi o que me meteram na cabeça quando era criança. Diziam-me que só se podia comer quando a avó acabasse os desenhos. A avó demorava imenso tempo a fazer desenhos com canela, primeiro porque precisava que a Aletria arrefecesse, depois tinha de mandar buscar a canela, quase sempre ia um de nós, o que andava mais em cima da Aletria, ou dois ou três, cada um com uma moeda na mão, depois davam-nos um pacote de papel com ar, mas ganhávamos a moeda, e só depois a avó começava a fazer os desenhos, geralmente só acabava quase à hora do chá de dia 24. Começava por pôr um bocado de canela entre o polegar e o indicador e ia percorrendo as travessas e desenhava passarinhos, bolinhas e corações. 

 

Eu nunca tive o jeito da minha avó para fazer desenhos, portanto resolvi que também serve fazer stencil com canela. Marco o centro do prato com um palito e vou colocando o molde e polvilhando com canela o desenho que quero que fique no doce. Não ficam como os da minha avó, mas os meus filhos gostam.

 

 

 

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12
Jul18

108 - Já fui feliz aqui


Mac

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Aqui em casa há bolos que são de Verão, basicamente os que fizeram parte da minha infância e que comíamos a meio da manhã de praia, entre um banho e outro, um castelo de areia e outro. Alguns acho que até tinham areia e sabiam a mar. A maior parte eram feitos em casa e levados para a praia, era o caso de uns biscoitos em forma de e e outros em forma de 8 e que nunca descobri a receita, das Broas de Laranja, das Areias de Cascais e das Bolachas de Manteiga. Depois havia os que comprávamos à Sra. Maria que andava pela praia com uma caixa branca de madeira com gavetas e transportava com ela os melhores sabores do mundo, que nos eram dados com uma folha quadrada de papel pardo. 

 

Por isso aqui em casa também se fazem Areias de Cascais para levar para a praia, para comer ao lanche e para dar mimo.

 

 

Ingredientes:
. 300 g de farinha sem fermento
. 100 g de açúcar
. 150 g de manteiga 
. 50 g de banha

 

. açúcar + 1 c de café de canela em pó para envolver

 

Numa taça deite a farinha, o açúcar, a manteiga e a banha e amasse até ligar. Faça bolinhas pequenas (cerca de 20 g) e não as achate. Cubra um tabuleiro de forno com papel vegetal e vá pondo as Areias. Leve ao forno a 180º durante 10 mn. Depois de cozidas envolva-as no açúcar com canela que pôs num tabuleiro ou prato.   

 

 

 

 

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08
Dez17

107 - É Natal, é Natal, lai lai lai, larailailai


Mac

 

 

 

 

Dia 8, é dia de enfeitar a Árvore de Natal. Ainda por cima o dia pede, está frio, chove e só apetece ficar em casa.

 

Este ano a nossa Árvore voltou a ser um pinheiro natural e por uma boa causa, alugámos um Pinheiro Bombeiro, aqui. Estes pinheiros são uma espécie invasora e são cortados de forma a manter o terreno limpo e prevenir incêndios.

 

 Para os meus filhos foi uma novidade, há muito tempo que não tínhamos um pinheiro natural dentro de casa.

 

 

 

 

 

 

E como é diferente decorar um pinheiro natural de um com ramos de arame, resolvi usar só os enfeites mais leves e basicamente em branco, porque não o queria visualmente atafulhado.

 

 

 

 

 

 

No final ficou como imaginei, bem mais simples. Acho muito honestamente que ficaria giríssimo só com luzes, mas não houve adesão à minha ideia aqui em casa. 

 

Acima de tudo voltei a ter o cheiro a Natal da minha infância. Adoro.

 

 

 

 

 

13
Nov17

107 - Já fui feliz aqui


Mac

 

 

 

Aquário Vasco da Gama faz parte da nossa vida, fez parte da minha infância, depois fez parte da infância do adolescente aqui de casa e agora faz parte da infância da criança mais nova. Não tenho dedos nas mãos que cheguem para contar as vezes que lá fomos para ver a lula gigante - apesar de inanimada - a foca e as tartarugas.

 

 

 

 

 

 

 

 

É um passeio giro, os miúdos vêem peixes, dão-lhes de comer - que é sempre o ponto alto - e aprendem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora as tartarugas já não estão lá, assim como a foca,

 

 

 

 

 

 

mas está o Nemo e a Dory, outro ponto alto para os mais pequenos.

 

 

 

 

 

22
Set17

105 - Já fui feliz aqui


Mac

 

 

 

 

 

 

Dietas à parte, do que tenho mesmo saudades é das coisas que comia quando era criança, sem pensar se isto ou aquilo engordava. Nem sabia que isso existia, isso de a pessoa comer e engordar, quanto mais. Chocolates com bolachas de água e sal; Bananas com Tulicreme; Pão com batatas acabadas de fritar; Leite em pó e chocolate em pó (e simular dentes podres) e leite condensado. Tudo às colheradas; Gemadas; Salame de chocolate; e croquetes acabados de fritar tirados do tabuleiro da cozinha. Era tão bom.

 

 

#JáFuiFelizAqui

16
Ago17

104 - Já fui feliz aqui [e serei sempre]


Mac

 

 

 

 

O Alentejo será sempre o meu lugar feliz. Já o disse tantas vezes. E também é onde quase consigo desligar do mundo. Quase, só porque não quero desligar por completo. Quase não há rede de telemóvel, a net é muito lenta e só tenho dois canais de televisão em casa, porque não quero mais, não quero o mundo a entrar-me em casa, não ali naqueles dias. Não me esforço por ter mais, por melhorar a net e às vezes nem procuro rede no telemóvel. Ligo-me quando me apetece e quase sempre ao fim de 3 dias. Às vezes nunca. E sabe-me pela vida. 

 

Depois ficam-me sempre saudades daquela luz de fim de tarde, que às vezes em pleno Verão, mesmo nos dias de 40º, parece de Outono. E saudades das manhãs tão brancas, que anunciam um dia muito quente. E das noites estreladas. Não há céu como o de lá.

 

E volto sempre para matar saudades e arranjar mais e mais para matar.

 

 

 

28
Jun17

103 - Já fui feliz aqui


Mac

 

 

 

 

 

 

 

 

 

há em junho o início do verão, o meio do ano e a maior perda da minha vida . mas vou lembrar-me sempre dos junhos antes daquele junho, naquela casa da praia com as madeiras a cheirar a mar . as madeiras das casas de praia cheiram assim . aquelas janelas enormes de portadas brancas, o mar ao fundo da rua e o cheiro dos pinheiros . a fila de barracas brancas no areal, as mesmas famílias todos os anos, a mesma barraca . o banheiro que era pescador no inverno, o vítor dos bolos com aquela caixa branca com tabuleiros e filas de bolos frescos, o do "olá fresquinho, é fruta ou chocolate" e que em muito pequena não sabia o que era frutóchocolate e comia sempre o gelado de ananás . as tardes na esplanada depois da sesta, com as avós e tias vestidas de branco e nós a enfiar as sandálias na areia com pó preto do pinhal, "antes de entrares em casa, vais lavar os pés com a mangueira" e era só mesmo isso que queríamos, isso e estrear os vestidos todos que tinham sido feitos para aqueles meses das férias grandes .  

 

agora tenho o junho com os meus filhos, as idas à praia, as passagens na geladaria, os bocados na esplanada, à espera das férias a quatro . mas é sempre um alívio quando junho acaba . por mais anos que passem .

 

 

 

 

 

 

 

14
Jun17

102 - Já fui feliz aqui [e serei sempre]


Mac

 

 

  

. por estes dias . 

sempre encarei o santini como geladaria, só, mas desde que há aquela esplanada cá em baixo, que passou a ser o meu lugar para o café da manhã . gosto daquele branco tão branco, do lado da sombra das manhãs . como gosto de passar no carrossel e das manhãs de praia seguidas de uma tarde com todos os insufláveis do mundo, dos almoços em sítios repetidos e trepetidos, os que têm o mar pela frente, a melhor sangria do mundo e este céu tão azul . ou almoços em sítios diferentes do costume . às vezes acho que se quiser posso estar um ano sem repetir restaurantes e sem sair de cascais . 

. cascais está cada vez mais bonita, mais organizada, mais limpa e renovada . há um enorme cuidado em manter os canteiros cheios de flores, as ruas transitáveis, o ar respirável e as praias limpas, de fazer esplanadas simpáticas, restaurantes giros e apelativos e tornar a vida aqui muito agradável . é muito bom viver aqui . aqui ninguém se chateia com os turistas, ninguém sente o seu espaço invadido, nem nada tomado.

. é fantástico viver num sítio assim .  

 

 

 

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