Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

a vida em azul cueca

13
Mai19

19 - A mãe perfeita(mente desesperada)


Mac

z7936 mãe dores de crescimento.JPG

 

 

 

o meu adolescente querido vai ao meo sudoeste . 9 dias . diz que cinco são para acampar e mais não sei quê e os outros quatro para concertos . ou ao contrário, não percebi, porque perdi a noção espaçotemporal por uns minutos e perdi-me na conversa . espero muito sinceramente que nos dias dos concertos também acampem . não interessa, tudo somado são nove dias de esbórnia longe da mãe querida . esta aqui .  a mãe dele, esta que vos escreve, está em pré desmaio . não sei se não será mais uma síncope, mas está bem . diz que é em agosto . para me aliviar do pré desmaio, quase síncope, fiz uma lista daquilo que me parece que ele vai precisar . mostrei-lhe a lista . disse-me assim, literalmente, sem tirar nem pôr "eu não sou um totó" . a mãe querida dele começou a tomar colagénio . depois conto-vos tudo . se fiquei mais nova, mais velha ou desmaiada .

 

 

  • Instagram @maria.antonia.velez

 

 

02
Mai19

50 - Quem tem um adolescente, tem tudo


Mac

z9246 diabo mães.JPG

 

 

 

O problema com os adolescentes de 18 anos é que já levam com quatro anos de adolescência. São quatro anos de meias metidas na cama, entre as almofadas do sofá e por aí, são quatro anos de roupa suja espalhada, de pacotes vazios esquecidos algures pela casa, ténis à porta e recusas em tomar banho. São quatro anos de falta de banho ou excesso, depende dos humores e das fases da vida e existenciais em que se encontram, quatro anos de reviradelas de olhos, sopradelas para a franja e grunhidos. Quatro anos de teimosias de fazer chorar um santo, de atirar uma mãe para uma ala de psiquiatria com surtos diversos, de nervos de aço, abraços de ferro e mimo também. É muito treino, muitas certezas e uma vontade férrea de infringir todas as normas e hábitos da família e sociedade em geral.

 

O meu adolescente resolveu usar risca a meio no cabelo, ora para mim a risca a meio nos homens é o equivalente a uma mulher que não se depila. Não se usa, não se faz, não gosto. Andamos nisto há 15 dias. Há 15 dias que faço campanha para o regresso da risca ao lado. Ontem tivemos o aniversário do pai desta casa e eu tirei fotografias. Muitas fotografias. Imensos grandes planos da risca a meio. A risca a meio em grupo, a risca a meio isolada, a risca a meio só com a cabeça, a risca a meio com a cabeça e o corpo, a risca a meio de lado, de frente e de costas.

 

Hoje o meu adolescente fez risca ao lado. A mãe dele não lhe disse nada. Nada. Silêncio total em relação ao assunto capilar. Calada como só uma mãe sabe ficar, quando a causa é superior. 

 

O problema dos adolescentes com 18 anos é que as mães dos adolescentes já levam com quatro anos de adolescente.

 

 

• Instagram @maria.antonia.velez

 

 

24
Abr19

49 - Quem tem um adolescente, tem tudo


Mac

z9185 bebés de 2000 adultos.JPG

 

 

 

O meu adolescente já só tem para aí 10,75 % de adolescendite, começo a acreditar nisto, apesar de ainda de vez em quando ter uns acessos agudos, mas a verdade é que já consegue estar uma boa parte da sua existência, vá, do relacionamento connosco, sem bufar, soprar para a franja e/ou espetar os olhos na testa. Então foi assim, chegou ao pé desta mãe, eu, a que vos escreve, e convidou-me para ir ao cinema com ele. Eu até pensei que tinha ouvido mal e olhei à volta para ver se era comigo, ou se estava a combinar ir ao cinema com o irmão ver desenhos animados. Ele perdeu um bocadinho a paciência comigo e tratou-me como se eu estivesse ligeiramente demente, mas como foi só ligeiramente, deixei-me estar, a verdade é que desde que ninguém fale comigo muito devagarinho, a soletrar as sílabas, já estou por tudo, não estou, mas naquele nano bocado da minha vida estava cansada e sem vontade de usar a voz de mãe, então ele repetiu e eu perguntei-lhe se não tinha com quem ir ao cinema e vai ele e diz-me que sim que tem, mas que é comigo que gosta de ir ao cinema.

 

Bebi e não dei por isso. Droguei-me e não dei por isso. Tomei calmantes e não dei por isso. Sou a mãe dele e não dei por isso.

 

Atentem: esta mãe vai ao cinema com o seu quase nada adolescente de 18 anos, porque é a pessoa com quem ele gosta de ir ao cinema. Nem sei o que vestir.

 

 

 • Instagram @maria.antonia.velez

 

 

10
Abr19

18 - A mãe perfeita(mente desesperada)


Mac

z9263 filhos youtube.jpg

 

 

 

Antes de partir o meu rico adolescente esteve a fazer a mala, vai por aí armar-se em independente,  a comer porcarias feitas sem amor, a dormir sabe-se lá como e a conhecer o mundo sem o avental da mãe para lhe aparar os ranhos. Não quis que a mãe participasse na feitura da coisa, não quis levar chinelos de borracha, nem camisolas de lã, oh mãaaai que exageros, levo umas lonas que dão para praia e se estiver frio à noite ponho mais um pólo. Sem ele ver, meti-lhe uma camisola de lã na mala e uns chinelos. Não é que seja teimosa, não sou nada, tenho é sabedoria materna acumulada. Carradorras dela. E conheço muito bem o meu gado. Há bocado quando telefonou, agradeceu os chinelos e a camisola de lã.

 

Os filhos são do mundo - disse alguém com aquela sabedoria dos que não têm filhos - os filhos são meus estejam onde estiverem, o mundo é deles, mas eles não são do mundo. O avental está cá à espera dele. 

 

 

 • Instagram @maria.antonia.velez

 

 

03
Abr19

17 - A mãe perfeita(mente desesperada)


Mac

z8048 amigo satanás.JPG

 

 

 

Parece-me que o meu adolescente já só tem 52,5% de adolescência. No outro dia disse-me assim "ó mãe, que tal irmos os dois comprar umas roupas para mim?". Eu por acaso até olhei à volta para não cair na tristeza de achar que os dois era a contar comigo e afinal não ser. Mas era, só estávamos nós. "E o que é que eu lá vou fazer?" perguntei eu. É verdade caí neste desalento, porque já não acredito na minha utilidade como personal shopper do meu rico filho. E vai ele e responde-me "Dar uma opinião". Tive uma tontura, ele não disse pagar, ele disse dar uma opinião.

 

Pára tudo.

 

O meu filho além de querer que eu o acompanhe numa sessão de compras, não é por nada, mas por acaso a área em que sou realmente excelente, não é para me gabar, mas eu a comprar sou supersónica. No outro dia até disse ao meu marido, assim em conversa ligeira sobre futilidades da vida "ah, acho que preciso de roupa para esta Primavera" e ele riu-se imenso, mas assim imenso mesmo. Eu sei que espalho alegria na vida das pessoas, mas a este nível, até eu fico espantada.

 

Não interessa, o que interessa é que o meu adolescente além de me querer na sua sessão de compras, não me quer calada, quer que eu opine. Por acaso também sou muito boa a opinar.

 

Qualquer dia já nem me pede para falar mais baixo. E rir menos. E falar menos com as funcionárias das lojas. E não contar a minha vida a toda a gente. Se calhar até deixa de revirar os olhos. E eu vou morrer de saudades disto tudo.

 

 

• Instagram @maria.antonia.velez

 

 

16
Jan19

14 - A mãe perfeita(mente desesperada)


Mac

z9264 criaturas míticas crianças.JPG

 

 

Por cada miúdo que não ouve nada do que a mãe lhe diz, há uma mãe que se repete até à exaustão. 

 

Ó mãe onde é que estão os meus sapatos? Eu disse para não os deixares no corredor. Não ouvi. Ah, está bem, não ouviste. Onde estão? Onde não ouviste. Mas ó mãiiiiiiiiii.

 

Ó mãe não sei do meu casaco. Eu disse onde arrumei. E foi onde? Onde eu disse. Ó mãiiiiiiiiiiii!!

 

Eu nunca me deitei a essa horaaaaaaaaaa! Sempre te deitaste a essa hora. Não me lembro. Eu lembro-me.

 

Baixa o volume! Hãaaaa? Eu disse para baixares o volume! Não ouço! É natural, isso está aos gritos.

 

O jantar está na mesa! Já vou! Não é "já vou, é vou já". Estou a ir! Vem para a mesa! Vou já! Tu ouves-me? Não!

 

Na minha casa é isto, tanto com um filho como com o outro. Todas as frases que incluam: "arrumei x ali", "a partir de hoje a regra é", "a hora de deitar, refeições, etc é", vai fazer", "vai arrumar", "baixa o som", "o jantar está na mesa", não são ouvidas. Nunca. 

 

E também se esta mãe comunicar que a sopa é de relva, feijão, amêndoas ou chocolate, é o mesmo, não ouvem, mas comem as sopas todas sem reclamar.

 

São uns bons miúdos, os meus.

 

 

 

 • Instagram @maria.antonia.velez

 

 

03
Jan19

231 - Os filhos, as férias de Natal, a vida, o nirvana e eu


Mac

IMG_4108.JPG

 

IMG_4007.JPG

 

 

Nunca tenho pressa que as férias dos miúdos acabem, gosto imenso da nossa vida de férias e a verdade é que temos sempre muito o que fazer. Nestas férias de Natal além das voltas do costume no carrossel e na roda gigante que está na Baía de Cascais nesta altura do ano, fomos aos restaurantes que eles gostam - basicamente pizzarias e hamburguerias - ao parque, a museus, ao cinema e também ficámos em casa a emparvecer à frente da televisão e da consola, fiz-lhes bolachas e rebuçados, e deixei-os comer todos os chocolates que lhes apeteceram, esparguete e batatas fritas. Mas houve sempre sopa e fruta às refeições, não se deitaram muito tarde e lavaram sempre os dentes.

 

 

IMG_4009.JPG

 

IMG_4016.JPG

 

IMG_4033.JPG

 

IMG_4055.JPG

 

IMG_4018.JPG

 

 

Num dos dias fomos até Belém e passámos pelo Museu da Marinha. Não é a nossa primeira vez por ali, mas como os miúdos adoram ver os barcos, é sempre um passeio giríssimo.

 

 

IMG_4080.JPG

 

 

E como estava um dia lindo com uma óptima temperatura, acabámos por almoçar por ali na esplanada do Comptoir Parisien, onde se come muito bem e se está lindamente.

 

 

IMG_3971.JPG

 

IMG_4003.JPG

 

 

  • Instagram @maria.antonia.velez

 

 

05
Dez18

12 - A mãe perfeita(mente desesperada)


Mac

z7936 mãe dores de crescimento.JPG

 

 

 

O meu filho que já não acredita no Pai Natal vai para uma década, pediu para lhe darmos dinheiro em vez de presentes. Quando é que me tornei uma mãe do envelope, da transferência bancária e do não se vê nada, toma lá um beijinho? Não quero Natais assim, quero Natais de surpresas, de rasgar papéis, de guardar os laços que se aproveitam. Não quero ir ao multibanco e já está. Quero trabalheiras, reclamar da barafunda das compras, das filas intermináveis e da crise para estacionar o carro, encher-me de calor, constatar que mais uma vez devia ter vestido só uma t-shirt e uns calções, que não fui criada para isto, tenho mais o que fazer, mas não dispenso uma confusão, se calhar isso também é o sal da vida, ou a pimenta. Não quero sentar-me à frente do computador e já está, lá foi ela da Lapónia para o sapatinho, que é como quem diz nesta realidade: transferência conta a conta. Quero continuar a planear tudo e tudo, mas a deixar qualquer coisa para dia 24 e depois reclamar mais um bocado, voltar a encher-me de calor, puxar as golas altas e arrastar os casacos e os sacos. 

 

Dinheiro? O meu filho cresceu e já não quer brinquedos, jogos de consola, legos e o presente antecipado, aquele do dia em que a mãe ia falar como Pai Natal e o Pai Natal mandava sempre um agrado porque ele é um bom menino e tem boas notas e tudo. E eu já comprei o presente adiantado, o tal que o Pai Natal manda quando vou falar com ele e levo as listas dos meus amores, é que apesar de ele já não acreditar no Pai Natal, esta mãe de tanto fazer a pantomina, voltou a acreditar.

 

Os filhos levam-nos de novo para a infância e quando achamos que aquilo é para durar para sempre, um dia pregam-nos uma rasteira e é o que se sabe, o Pai Natal afinal não existe. 

 

  

• Instagram @maria.antonia.velez

 

 

19
Nov18

11 - A mãe perfeita(mente desesperada)


Mac

 No mundo da roupa há coisas que eu até entendo que se façam também para os mais novos, não concordo, não gosto, mas como tenho a opção de não comprar, não me rala nada. Por mim podem existir saias de tule, camisolas com lantejoulas e até sandálias de salto alto para miúdas de 6 anos, não tenho filhas, podem vender calças skinny para rapaz, ténis com unicórnios e camisas às flores, não as compro, portanto continuo sem me ralar. Agora ver-me grega, é o termo, e ter de correr tudo e mais um par de botas para comprar calças normais para o meu filho de 7 anos, porque as lojas resolveram que os rapazes usam skinny jeans, é que não acho lá muito normal.  Se é bem verdade que só preciso de comprar roupa para o mais novo para os fins-de-semana, porque durante a semana anda com o uniforme, também é verdade que cheguei ao ponto ridículo de achar as calças do uniforme mais confortáveis para ele brincar. Eu não gosto de ver miúdos pequenos de skinny jeans, eu não compro skinny jeans para os meus filhos e nas lojas só há skinny jeans. Nas lojas não há calças normais e eu tenho filhos que gostam de se mexer, a roupa para eles é um mal maior e detestam andar apertados. Custa muito produzir calças que deixem um miúdo jogar à bola, correr, atirar-se para o chão, andar de skate e patins, e voar para cima do sofá de casa? 

 

É só uma sugestão: roupa pouco estilosa para miúdos que gostam de se mexer, mas confortável. Há mercado para isso, garanto.

 

 

#amãeperfeita(mente desesperada)

 

 

 

  • Instagram @maria.antonia.velez

 

 

 

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D