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a vida em azul cueca

03
Jul14

13 - DEPOIS DE SER MÃE, UMA MULHER NUNCA MAIS ESTÁ SÓ


Mac

Fui às compras e só comprei para mim. Nada de brinquedos, nem roupas para os filhos, nem comida, detergentes ou livros. Nada. Só roupa para mim. Um verniz. E umas cenas. Claro que isto só foi possível porque as roupas de Verão para os filhos já estão compradas. Os brinquedos, jogos, meias, sapatos, calções de praia, baldes e ancinhos, para já também. As compras de comida estão feitas. Ninguém está doente, nem precisa de cremes e não precisei de ir à farmácia, nem ao pediatra, nem à drogaria porque não há nódoas na roupa, não avariou nenhum electrodoméstico, nem foi preciso chamar nenhum técnico para não sei o quê. Ainda não é preciso comprar os livros escolares para o próximo ano lectivo, nem os equipamentos de ténis e isso. As roupas de Inverno também não. E os jogos e livros ainda chegam. E os pés dos filhos ainda não cresceram outra vez. Ou seja, deu-se um fenómeno cósmico do outro mundo na minha vida. Vou jogar no eurocoiso.

01
Jul14

12 - DEPOIS DE SER MÃE, UMA MULHER NUNCA MAIS ESTÁ SÓ


Mac

Voltei a dormir bem, tanto, que dou comigo a desejar que os meus filhos cresçam o suficiente para se porem autónomos nos pequenos-almoços e me deixem largada até ao meio-dia de sábado, e já agora, de domingo também. Quer dizer, o mais velho já é, só o pequenino é que não. Até dou comigo a contar pelos dedos das mãos, como se isso materializasse a coisa, ou a coisa precisasse de ser materializada, mais por aí, adiante, então conto pelos dedos das mãos, quantos anos calculo eu que serão necessários para voltar a ter umas férias aí de uma semana, a dormir até ao meio-dia ou três da tarde, e acordar tão tarde, que só de pensar em comer até se me revolvem as vísceras. Antes de ser mãe de pessoas, as minhas férias eram assim, eu até era dada a só ingerir um sumo quando acordava, depois petiscava qualquer coisa a meio da tarde, arrastava-me até à praia, conversava monocordicamente com uma ou outra amiga que para ali estava a vegetar num toldo próximo, combinávamos um jantar tardio e assim vivíamos os quinze dias de Agosto largadas à nossa sorte. Também éramos bastante magras. Mas passou-nos. Acho que faltam cinco anos. Tenho fé.

19
Jun14

10 - DEPOIS DE SER MÃE, UMA MULHER NUNCA MAIS ESTÁ SÓ


Mac

Para o lanche gosto de um chá com umas torradas quentes. Não é por mais nada, se calhar até é por tudo, mas eu gosto das torradas quentes. Luxos. E habitualmente para lanchar descansada e comer as torradas quentes, e o chá também, ponho uns desenhos animados que o filho pequenino gosta e a seguir lá vou eu fazer o meu chá e as torradas, que gosto quentes, já disse. Ontem estava sentada à mesa e o filho pequenino veio à cozinha e tirou a lata das bolachas, depois deixou-a cair e as bolachas espalharam-se todas. Eu levantei-me e fui varrer as bolachas, quando me voltei a sentar, o chá já estava morno e as torradas frias, mas eu gosto de torradas quentes, já tinha dito? Antes de ontem, tinha acabado de barrar a manteiga nas torradas e o filho pequenino veio pedir que lhe mudasse os desenhos animados, eu fui e quando voltei tinha as torradas frias, mas eu gosto delas quentes. Antes de antes de ontem, tinha acabado de torrar o pão, mas o filho pequenino quis pão com manteiga, então barrei-lhe um bocadinho de pão com manteiga e quando fui para barrar as minhas torradas, já estavam frias. Antes de antes de antes de ontem comi as torradas frias. E antes também. E já não me lembro da última vez que as comi quentes.

 

 

E é isto, eu só queria comer as torradas quentes.   

12
Nov13

08 - DEPOIS DE SER MÃE, UMA MULHER NUNCA MAIS ESTÁ SÓ


Mac

Num tempo em que não era mãe de ninguém, esta aqui era pessoa que dormia muito bem. Era pessoa para dormir umas dez horas e gostar. Nunca acordava a meio da noite. E contavam-se pelos dedos de uma mão, as insónias. Insónias essas que se deram por excesso de horas de sono em noites anteriores. Também era pessoa para não saber o que eram manhãs de fim-de-semana em estado acordado. 

 

Passou-me.

 

Depois de ser mãe, possuo um leque bastante alargado de toda a espécie de misérias nocturnas, acordo com tudo e com tudo, e depois de acordar já não volto a um sono profundo. Aliás, eu acho que já não sei o que é um sono profundo, daqueles mesmo repousantes, vai para uns anos.

 

E como não sei, mas sou muito avessa a químicos, ando a experimentar chás, que é a solução para gente assim, acho eu. Não, aquela cena do copo de leite quente antes de deitar, o banho de imersão e isso, não resulta. Adiante. Só que esta noite, o filho pequenino, resolveu acordar às cinco da manhã, eu como tenho como política potenciadora do regresso ao sono, não o tirar do quarto, mas dar colo, lá estive com ele até às seis e tal. E aqui é que está o busílis, se não tivesse tomado o chá, não me tinha custado tanto estar ali uma hora naquele esforço em dobro para vencer a minha letargia, a embala-lo até o adormecer.

 

 

E já não sei ao que vinha, mas é mais ou menos uma cena de dúvida entre dormir mal sem chá, mas estar a postes para todas as eventualidades nocturnas, e dormir bem com chá, e não estar a postes para todas as eventualidades nocturnas. Não sei o que prefiro, por aí.

12
Jun13

07 - DEPOIS DE SER MÃE, UMA MULHER NUNCA MAIS ESTÁ SÓ


Mac

 

 

  

E também houve uma época em que era só pegar nas toalhas e ir. Depois, passou-nos.

 

Mas é tão bom, tão melhor, que não trocava isto por nada. Para que quero eu uma box vazia, duas toalhas de praia e as molduras nos sítios que destinei? Não quero. Os filhos enchem-nos a vida, dão-nos novas escalas de valores e importâncias e relativizam-nos os problemas. Os filhos são os amores maiores e se algum dia, num qualquer passado, não soubemos o que é amar, com eles sabemos um amor tão grande, desmesurado, avassalador e incondicional. Foi com os filhos que aprendi o infinito. Inumerável. E mais umas coisas.

 

Bichinhos tão bons.

12
Jun13

06 - DEPOIS DE SER MÃE, UMA MULHER NUNCA MAIS ESTÁ SÓ


Mac

Sabes coisas muito importantes sobre a tua identidade adulta, quando procuras na box qualquer coisa que querias ver e constatas que 95% está tomada por séries infantis e juvenis. As tuas molduras onde depositaste imagens da família em momentos tão bons, servem de muros para castelos, os teus livros são degraus e a tua mala o melhor dos carros. E quando perante uma gracinha soltas um ó boa, em entoação Mickey Mouse, olha, filha, já eras.  

30
Mai13

05 - DEPOIS DE SER MÃE, UMA MULHER NUNCA MAIS ESTÁ SÓ


Mac

Pintei as unhas, depois achei por bem que iríamos sair. Fui vestir filho pequenino e estraguei três unhas. Estou a melhorar a média. Acabei de o vestir e fui tirar o verniz estragado. Não está mal, saio com sete unhas pintadas, ninguém repara, acho eu. Fui pô-lo na cadeira do carro e estraguei mais duas unhas. Estou mesmo boa nisto, só duas unhas estragadas a apertar os cintos de uma cadeira auto, é mesmo bom. Já não fui tirar o verniz estragado. Saímos. E estraguei mais duas unhas a pô-lo no carrinho de passeio, mas não estraguei nenhuma a conduzir, nem com ele ao colo. Portanto mantém-se uma boa média. Concluo que sou muito boa a fazer coisas com dois dedos de cada mão, agora é só treinar fazer isto tudo sem mãos. 

21
Mai13

04 - DEPOIS DE SER MÃE, UMA MULHER NUNCA MAIS ESTÁ SÓ


Mac

Quando esta mãe vai à casa de banho, deixa a porta encostada, porque os meus filhos lindos ficam atacados de urgências, sempre que ali me apanham, são quinze segundos, pessoas, quinze segundos, sim, já lhe fiz a média, mas são quinze segundos muito tensos, esta mãe entra na casa de banho para uma coisa humana e os filhos lindos pregam-se-me à porta, um ó mãe isto é muito urgente, o outro mamamama e pronto eu só encosto a porta, porque com a porta encostada não há nada urgente, nem mamama, mas depois vem o gato, entra e escancara-me com a porta, este é outro que não me deslarga e vai que a minha empregada ia a passar no corredor e eu sentada, mas muito composta, sempre muito composta e mesmo assim um dia filho maior berrou-me incrédulo a mãe não tem pilinhaaaaaaaaaaaaaa, coitadinha da maiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii e eu expliquei-lhe que as meninas não têm esse importante acessório, mas ele tinha três anos e passou a comunicar com um ar algo combalido a tooooda a gente com que se cruzava coitadinha da mãe, não tem pilinha e pronto eu passei a ser a mãe que não tem pilinha, adiante, estava eu ali muito composta e passa também a minha empregada, olha para mim e diz assim ah a senhora está na sanita, e vou eu e digo, sim, para mim é um acto público.  

 

Toda a gente me vê sentada ali naquele sítio, tooooda a gente. Não há condições dignas para continuar a exercer a profissão de MTI (*). Eu tenho a minha dignidade. E os meus direitos.

 

 

_____________________________________

(*) Designação roubada à minha amiga Rita, Mãe a Tempo Inteiro.

21
Mai13

03 - DEPOIS DE SER MÃE, UMA MULHER NUNCA MAIS ESTÁ SÓ


Mac

 

 

 

 

E montei tudo na mesa da cozinha, mas depois achei assim ah e tal isto está a demorar um bocado, é melhor levar as coisas deste colar num tabuleiro, sento-me ao pé de filho pequenino e vou fazendo. Filho pequenino começou então a depositar pequenos pertences no meu tabuleiro. Ah isto está a correr tão bem, até me sinto zen, continuei eu a pensar. E até dissertei comigo e tudo, estou habituada a ter desenhos no meio dos meus documentos, legos no prato onde vou comer, o Winnie the Pooh na minha banheira, o pato na minha almofada, danço zig zagues entre carrinhos, bolas, bonecos e figuras que desconheço, espalhadas pelo chão, vejo televisão através de um ecrã com dedadas e pasta de bolachas, encontro a chave do carro no balde dos brinquedos, e o meu pente, as minhas revistas e livros já encontraram novos lugares e vidas no chão e em frangalhos, o mouse está roído (ironia das ironias), a minha mala é uma espécie de cavalo de baloiço, portanto é normal ter a Ellie no tabuleiro com as bolas para o colar. Hmm isto está mesmo bom.

 

Depois vi-me grega para encontrar o início do fio no tubo, então pensei ah olha é já um post sobre a temática quântico problemática do início do tubo, mas sempre zen, nada de nervos e isso, vai daí fotografei a nail com o tubo, para ilustrar a boa temática. E depois as mãos pequeninas acharam por bem puxar o tabuleiro e catrapum, todo o conteúdo espalhado no chão. Depois esta de gatas a catar bolas rolantes, antes que filho pequenino achasse boa ideia pô-las na boca, mas sempre muito zen. Depois filho pequenino agarrado a um alicate. Depois esta a tirar-lhe o alicate, zen, já se sabe. Depois filho pequenino aos berros. Depois esta aqui a consolar. Muito zen, já disse?

 

E depois vou aproveitar a sesta dele para continuar o colar. Zeeeen.

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