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a vida em azul cueca

11
Jan21

294 - A Sério??!! Menos, por favor


Mac

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[daqui]

 

 

 

Não, lamento imenso, nem imaginam o tamanho do meu lamento, mas não, desta vez não estamos todos no mesmo barco.

 

Voltamos ao confinamento, mas há os que cumpriram sempre tudo religiosamente, nunca mais estiveram com amigos, fizeram um Natal só com a família nuclear e lavam as mãos até à inconsciência, mantêm o distanciamento social e fazem tudo para acabar com esta coisa, se não acabar, tentar que não piore; há os que estiveram ou têm familiares nos cuidados intensivos e mais do que ninguém conhecem esta realidade; há os que mesmo sabendo que  faziam os outros correr perigo continuaram com as jantaradas com amigos, com os Natais em família alargada, não prescindiram das idas à praia em grupos, dos abraços e das fotografias nas redes sociais para mostrar ao mundo o quanto malucos são, isto é só uma gripezinha, nós somos os saudáveis, o resto do mundo que se aguente; há os que sabendo que estão infectados continuaram a fazer a sua vida, ou parte dela, mas não se isolaram como deviam; e há os que continuam a achar que isto são manobras para nos chiparem, transformar em ovelhas e sacar-nos o cérebro (longo revirar de olhos até à nuca e mais além).

 

Desta vez vamos ser ser confinados por causa dos que não abdicaram do Natal, dos abraços e dos amigos. Se calhar, não estaríamos outra vez nesta situação se todos tivessem cumprido, se todos tivessem levado isto a sério, digo-o por experiência própria, não custa assim tanto exigir que os outros fiquem a 2 metros de nós, custa qualquer coisa passar a vida de máscara, não custa lavar as mãos a cada acto, não custa não fazer jantares com os amigos, não custa não abraçar, custa não passar o Natal com a família, custa ter um familiar nos cuidados intensivos, custa ficar doente, custa ter medo. Entre o que custa e não custa, faz-se bem. Mas devia custar ser inconsciente, egoísta, individualista e estúpido, tem de custar, espero que custe, principalmente espero que custe ter plena consciência que não se contribuiu em nada para uma melhoria desta situação, mas apenas para o pobre, triste e solitário umbigo, e atirar com mais uns para os cuidados intensivos.

 

Desta vez não vou achar a menor graça aos queixumes de falta de liberdade de quem sei que nunca a perdeu. Fiquem a fazer bolos, a achar o confinamento uma chatice, a aturarem-se uns aos outros, a amaldiçoar a net que não chega para nada, a lamentar as raízes do cabelo a crescer, a falta de tinta no cérebro e as unhas de gel a cair.

 

Vão-se lixar.

 

Não estamos todos no mesmo barco, nem pensar.


(Se eu mandasse, punha os incrédulos e os das teorias da conspiração a trabalhar nos hospitais, já que são ininfectáveis e podem circular em grupos sem máscaras, mas pronto, assim é o que se sabe. Porcaria dos brandos costumes, das palmadinhas nas costas, deste nacional porreirismo que já mete nojo).

 

 

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