A mãe disse ao seu adolescente preferido, que tudo bem ficava a ver televisão até mais tarde, desde que não deixasse na sala a loiça dos petiscos, o balde das pipocas, os papeis dos rebuçados, os pacotes das bolachas e os copos de bebidas. No dia seguinte, a criança preferida da sua mãe desceu mais cedo, era domingo, os pais ainda preguiçavam e foi ver televisão.
A mãe preferida desta casa começou o domingo a aspirar pipocas e o milho que nunca rebenta, mesmo com cinquenta horas de microondas, porque o adolescente ainda dormia. Deixei-lhe a loiça para arrumar e papéis de rebuçados para pôr no lixo (com ganas de arrumar tudo, mas resistente).
Depois de acordado, o adolescente preferido quis um casaco e veio pedir o casaco no momento zen da sua querida mãe, quando a mãe se estava a maquilhar.
Não, não podes ter esse casaco, porque já tens muitos casacos, porque esse casaco é caríssimo, porque não é o teu género e só o vais usar uma vez e porque não.
Ó mãe, mas eu preciso de um argumento válido.
E eu de paz. Não é não e é o argumento válido.
Mas ó mãe.
Não!
Durante o almoço de domingo, o adolescente aborreceu-se, sentiu-se incomodado com a cadeira que lhe calhou, tencionou ver o telemóvel cinquenta vezes e também tencionou “ir dar uma volta” enquanto o resto da família ainda ia a meio do prato principal.
Mas ó mãe quando é que eu tenho idade para não vir a estas coisas?
Uma das pessoas mais novas desta família parece que tem um problema gravíssimo de postura e sofre de dores horríveis em cadeiras de restaurantes. Mas já dormiu no chão, ao relento e não se constipou, nem lhe doeu nada. Estava com os amigos.
Ó mãe, mas por que é eu não posso ter o blusão?
Porque não.
Ó mãiiiiiiiiii
Parámos ao pé do mar, o adolescente ficou no carro a olhar para o telemóvel.
Fomos para casa, o adolescente comunicou-nos que tinha combinado uma coisa com os amigos. Ao pé da praia. Deduzo que se reuniram para olhar para os telemóveis. E ter dores horríveis.
Sou bem capaz de me habituar a isto.
#quemtemumadolescentetemtudo