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a vida em azul cueca

21
Fev14

85 - JÁ FUI FELIZ AQUI [OU MAC MARIA A CHUTAR TRAUMAS DESDE MIL NOVECENTOS E CARQUEJA] [OU MAC MARIA A RAPAR TAÇAS DESDE MIL NOVECENTOS E CARQUEJA]


Mac

 

 

 

 

Em criança, sempre que oferecia a minha colaboração na cozinha, destinavam-me tarefas simples como untar formas, bater as claras em castelo, separar as gemas das claras e passar os preparados para as formas. De todas as tarefas, a única de que gostava era passar os preparados para as formas, porque me deixavam rapar as taças. E eu adorava aquilo desde que não resolvessem que era preciso aproveitar tudo com a ajuda do rapa tudo, mais conhecido por salazar. É que usando o rapa tudo, quase não sobrava nada para eu rapar. 

 

E esta foi daquelas coisas que me ficou, tanto, que cada vez que faço um bolo, e eu faço muitos bolos, lembro-me da aversão que tinha ao rapa tudo. Tanto, que hoje uso-o na inversa, ou seja, deito o creme para a forma e uso o rapa tudo para comer os restos da taça, neste caso a bimbe. Tanto, que viajo sempre para aquele tempo, para aquela cozinha, onde se faziam tantos bolos e ainda mais no Natal, Páscoa e aniversários. E eu rapava taças e taças, desde que se esquecessem do rapa tudo. Tenho saudades daquela cozinha. E daquelas taças. Do rapa tudo, não.

21
Fev14

02 - OS FILHOS, O GATO, O NIRVANA E EU


Mac

Não gosto do Carnaval, gostei qualquer coisa quando era criança, não gostei mais quando me nasceu o primeiro filho, não gostei quando fui obrigada a mascarar o primeiro filho e não vou gostar quando tiver de mascarar o segundo filho.

 

Em criança gostava qualquer coisa do Carnaval, quer dizer, eu gostava era de ter autorização para besuntar a cara com batons, sombras e isso, sem vir uma mão adulta arrancar-me tudo, entre ralhetes e partiste-me outro batom. Também gostava de pintar as unhas. Mas nunca gostei das minhas máscaras. Logo a começar porque não eram o que eu queria. Sempre me quis mascarar de sevilhana e nunca me deixaram. Mandavam fazer umas coisas todas popis e no fim, nem os colares e pulseiras me deixavam escolher. Mas pronto, era melhor do que nada. Ainda houve um ano, em que eu já não era rechonchuda e com piada, mas que me deixaram adornar a meu gosto. Depois era tudo muito giro, mas como está sempre frio, enfiavam-me um pijama daqueles com pés por debaixo da máscara e aquilo enchouriçava-me os pés dentro dos sapatos e nem assim deixava de ter frio. Acho que é por isso que detesto cetim e ainda hoje o associo às máscaras de Carnaval. Mas gosto de lantejoulas. Olha, não percebo e não serve como trauma isso do cetim e Carnaval. A coisa terminava com a festa no colégio, seguida de um concurso no Monumental, onde estavam todas as Brancas de Neve e Sevilhanas que eu queria ser, mas que nunca me foram autorizadas. Aquilo durava a tarde toda e eu só me lembro de ter muito sono e impertinências nas pernas. Fome também. Além daqueles rebuçados da Heller, os Diamantes, nem uma sandoca para aconchegar. A fome era tanta, que até houve um ano em que engasgada, tiveram de me virar de cabeça para baixo, depois de encher a boca com todos os Diamantes que apanhei a jeito. Olha, o Carnaval sempre foi uma chatice.

 

Agora vivo uma espécie de intervalo entre o mais velho que já não se mascara e o mais novo que ainda nem sonha com o que isto seja. Mas sei que para o ano não me safo e não me vou safar até aos seis anos dele, a idade limite para a minha paciência com isto das máscaras, a idade em que direi, como disse ao mais velho, que se voltará a mascarar quando tiver idade para escolher, comprar ou fazer as próprias máscaras, mas que até lá não conta comigo. Ah e tal coitadinhas das crianças, então não és capaz de fazer isso por eles? Não. Faço outras coisas.

 

 

E é assim, mascaro os filhos dos três aos seis anos, mais não, menos também não. Assim não são os únicos que não são mascarados, mas também não aturo mais do que aguento. E eu aguento muito pouco o Carnaval.

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