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a vida em azul cueca

03
Mai13

445 - LAI LAI LAI


Mac

Sabem aquelas imagens que tooooda a gente partilha no Facebook, geralmente com sequências de números e que nos dizem para encontrar o erro? Eu nunca encontro o erro. Nun-ca. 

 

[E deixam estes nervos fraquinhos em estados deploráveis. De-plo-rá-veis. Relembram-me a minha dislexia que sublimo com outras coisas. Já falei nela. Em resumo, nasci trocada, ou lá o que é, canhota e isso. Fui corrigida à revelia dos meus pais e descambei numa dislexia. Bom, não sei se foi causa e efeito, ou se já era também disléxica. Enfim, não distinguia o b do d, o o do a, o p do q, and so on. Depois corrigiram-me a dislexia, mas ficaram sempre resquícios, coisas de pouca monta, mas ficaram. Tenho uma dificuldade assustadora com imagens em espelho. Porem-me à frente daqueles testes psicotécnicos cheios de quadrados, triângulos e o coiso, para fazer sequências, é outra, não as faço. Mas escrevo com a mão direita. O resto é com a esquerda. E troco muito a ordem das palavras nas frases. E ele há dias piores. Há dias que não digo nada de jeito, nem escrevo. E corrijo-me. Volto a colocar as palavras e não me fazem sentido. E troco, troco, troco. Alguns padrões também me confundem, deve ser por isso que gosto tanto de riscas, ao menos não há imagem inversa, aquilo é tudo igual mesmo. Mas não desculpo os meus erros com a dislexia, isso não, aliás nunca acreditei em algumas dislexias, mas pronto].

 

 

É isto. Aquelas imagens funcionam como um interruptor, vejo-as e zás, fico coisa.

 

 

[ainda crio um grupo no face, assim uma coisa como Pessoas que sofrem com as Vossas Sequências Numéricas da Hora do Almoço (acho que é pior entre as duas e três da tarde)]

03
Mai13

444 - LAI LAI LAI


Mac

 

 

 

 

gosto destas manhãs de primavera . destas em que não há vento . nem nuvens . só este céu tão azul . azul da cor do mar . gosto destas manhãs frescas que ainda não se percebe se o dia vai ser quente . são as de maio . também gosto das de junho . mas são diferentes . nas de junho há promessas de dias de calor . nestas ainda não . e gosto do cheiro destas manhãs . as manhãs de inverno não cheiram assim . nem as de outono . mas também gosto delas . se há parte do dia de que gosto mais, é seguramente a manhã . e estas cheiram-me a relva molhada e verde.

03
Mai13

61 - DIZ QUE SIM


Mac

 

 

 

Se os comerciantes, anunciantes, vendedores e isso, perguntassem às mães deste país e do outro e do outro, o que querem as mães deste país e do outro e do outro, talvez percebessem que todas as campanhas com ursinhos cravejados a pedras, medalhas, batons, perfumes, sapatos e pulseiras, são tempo perdido. Talvez percebessem que as mães recordam o que os filhos são para elas e como as vêem. E os filhos vêem-nos através dos desenhos que fazem, através das esculturas de barro e das frases que ditam às educadoras. E dos beijinhos que dão. Temos olhos grandes, cabeças enormes e cabelos espetados. Somos as mães deles e eles são os nossos bebés. Sempre. E guardo é aquela figura de barro que tenho na janela da cozinha, o desenho que está ao lado da foto dos três anos e a carta onde serei sempre a mais importante. Sempre.

 

 

[e não, não é aquela coisa fingida do ai não quero nada, mas livra-te de não me dares aquilo. é outra coisa, mas disto percebem as mães]

 

 

[claro que já perguntaram, mas faz de conta que não interessa, é legítimo]

02
Mai13

112 - COISINHA MAI LINDA, RIQUEZAS DE SUA MÃE


Mac

Às vezes acho que o meu cérebro entra numa espécie de curto-circuito, pfffffffffff, kaputt, vá, um pensa rápido, Mac Maria, decide, jáaaa, vá e agora? Não há e agora, prioriza, jáaa.

 

[esta perante uma senhora fralda cheia de coiso e respectivo culpado em cima do muda fraldas, tocam à campainha] aiiiii é filho maior, ah vou já limpa-lo e corro para a porta, ai que a caixa das toalhinhas está vazia, porque é que na última fralda não o enchi logo, hein? [enquanto segurava filho pequenino nas pernas com a mão esquerda, naquela posição, não me toques com o rabinho no muda fraldas], onde caraças estão as recargas? Boa! Deixei-as na despensa, porrrrquê??? [Novo toque à porta] ai o xtgf*##% esta gente não esperou para nascer? Tanta pressa, tanta pressa, a coisa que os pariu [empregada não está, saiu mais cedo], oh que novidade, aiiiiiiiii se não abro a porta, a carrinha recolhe-me outra vez a criança, [telefone a tocar], hmmm devem ser os da carrinha a saber da mãe da criança que pretendem despejar [esta mãe sempre a segurar uma criança com o rabo todo sujo, o papel higiénico a milhas, pelo menos as suficientes para não o poder deixar sozinho no muda fraldas], olha quero lá saber, pego-lhe assim, depois lavo-me e mudo de roupa, ai espera, toalhas!!! É isso, enrolo-o numa toalha, pego-lhe e vou atender a porta. Eram pessoas a pregar a fé e isso, e não filho maior. Pronto, hoje quem pregou foi esta mãe. Coisas bastante elevadas. O resto não conto. 

02
Mai13

57 - A MINHA BARRIGA, CAPRICHOS, DÚVIDAS BIPOLARES E COISAS ASSIM


Mac

 

 

 

 

Nestes primeiros dias de Primavera também me contraria andar de meias com vestidos floridos e isso. Lembro-me daquelas idosas anglo-saxónicas com as sua peúgas a fazer pendant com as sandálias. Não é que ande de soquetes e sandálias, mas dá a ideia. A mim dá. Bom, podia andar sem meias, mas tenho frio e as pernas estão de um branco tendencioso. É só problemas, só problemas, nem sei como ainda aguento isto de ter nascido mulher.

 

 

[sinto que estou com uma afectação qualquer da psique, acho que se chama estar do contra, por nada, mas desconfio que sim. acontece]

02
Mai13

16 - JÁ NÃO S'AGUENTA


Mac

 

 

 

 

Não tenho nada contra o Dia da Mãe, não senhora. Gosto de datas, de efemérides e isso tudo. Ajudam a orientar-me durante o ano. O que seria de nós sem o Natal, a Páscoa, os feriados aqui e ali, os dias mundiais disto e daquilo. Acho-os importantes, se não for por mais nada, dividem-nos o ano em fases, como dividimos os dias das noites com algumas rotinas. Acho-os necessários, se os comemoro a todos, isso já são outros tantos.

 

Mas este ano, vá-se lá saber porquê, deu-se uma invasão do Dia da Mãe. Não se fala noutra coisa, anuncia-se em todo o lado, promove-se, concursa-se (fui eu que inventei), dá-se, desconta-se, e eu que até sou dada ao Dia da Mãe, já estou enjoada. En-jo-a-da de tanta pulseira, colar, mobília, chocolate - juro, até um catálogo com sugestões para o Dia da Mãe com berbequins eu recebi - maquilhagem, roupa interior, exterior, assim-assim para as mães, as mães das mães, as mães das mães das mães, as filhas que serão mães, os cartazes, as frases inspiradoras, os dizeres, quem tem uma mãe tem tudo e mais vale uma mãe na mão do que duas a voar e Deus ajuda quem cedo madruga e no Carnaval ninguém leva a mal e as sopas e os amores, os primeiros são os melhores, e as fotos de mães e filhos e netos e tudo.

 

 

Acho que tudo quanto é demais chateia. A mim chateia. Olha, eu é um berbequim, ou um martelo pneumático.

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