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a vida em azul cueca

10
Jan14

82 - JÁ FUI FELIZ AQUI


Mac

A casa que o meu avô materno tinha em Lisboa era na Av. João XXI. Foi uma casa para os quatro filhos mais novos e os dois netos mais velhos, que eram das idades dos filhos mais novos, estudarem em Lisboa. Não era uma casa de família naquele conceito de família nuclear, foi uma casa onde durante muitos anos só houve estudantes e os pais, portanto os meus avós, continuavam no sossego do seu Alentejo. Quando avó querida adoeceu, os meus avós vieram viver para Lisboa, quase em permanência, quando a minha avó piorou, mudaram-se definitivamente para Lisboa. Para mãe querida aquela nunca foi a casa dos pais, para mim aquela era a casa dos meus avós. Foi lá que passei muitas tardes da minha infância, num tempo em que aos sete anos saíamos sozinhos à rua. 

 

Gostávamos de ir até ao café Roma (agora McDonald's) comprar bolos, à Dazinha pedir batatas fritas, ao Sr. Barata (agora Livraria Barata) encomendar o tabaco do avô, ao Sr Lelo (agora uma coisa qualquer italiana) saber das meias e às traseiras do Cinema Londres para fazer do telhado baixo e inclinado, um escorrega, até que a gritaria era tão grande que aparecia um funcionário qualquer do Cinema Londres para nos tirar dali. Anos mais tarde fui muito ao Cinema Londres, ainda só com uma sala, depois com duas salas e depois deixei de ir. Tive o primeiro filho, não tinha tempo para dormir, quanto mais para ir ao cinema, e tendo uma noite para sair preferia ir jantar fora, a casa de amigos, mas de certeza que não me ia enfiar num cinema. Perdi a mania de ver todos os filmes que estavam em cartaz e aprendi a esperar que fossem para os videoclubes. Os Oscars também deixaram de ser o meu concurso do deixa lá ver o que ainda não vi, para o deixa cá ver o que quero mesmo ver. Depois apareceram as boxes e voltei ao cinema para os filmes infantis, já não no Londres, King ou S. Jorge, mas nas multi salas de multi sessões dos Centros Comerciais.

 

 

Não me espanto que o Cinema Londres passe a Loja do Chinês, tenho pena, tanta pena, mas se deixámos de fazer vida de café, não vamos ao cinema, nem gastamos nas retrosarias e nas lojas de tecidos, o que queremos nós, que eles fiquem ali de pedra e cal só porque sim? 

 

E é isto. Se queremos salas de cinema, não vamos às pechinchas da Loja do Chinês, se queremos os Cafés abertos, não nos empanturramos em hambúrgueres, é só uma questão de oferta e procura. Nós somos o principal motor das mudanças, mas nunca queremos que elas aconteçam. Temos uma certa piada.

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