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a vida em azul cueca

28
Nov18

110 - Já fui feliz aqui, Lisboa meu amor


Mac

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Vou pouco a Lisboa, menos do que gostaria e mais do que realmente preciso. Mantenho em Lisboa o meu cabeleireiro, o que me faz as coisas mesmo sérias como cortar e pintar, mantenho a pediatra dos miúdos, porque só confio nela e em mais ninguém, mantenho os amigos e a mana.  Lisboa ficou-me com coisas importantes. Foi a minha cidade. Foi ali que nasci e vivi durante décadas, até ao dia em que achei que precisava de viver (quase) em cima do mar. Cheguei até a achar que já não gostava de Lisboa, eu que era uma apaixonada pela cidade. Achei até também que nunca teria saudades dela. Fui muito feliz em Lisboa, fui quase sempre feliz em Lisboa, é lá que está grande parte da minha vida. É lá que está o colégio onde andei, a faculdade,  o café que frequentava, os cinemas preferidos, as lojas, os parques, os trajectos corridos e percorridos centenas e milhares de vezes. Vivi em todos os cafés emblemáticos e desaparecidos, assisti às mudanças de direcção das avenidas, vi nascer o primeiro McDonald's, o segundo e o terceiro, e vi o que lá estava desaparecer, a Colombo e a pastelaria Roma onde ia desde pequena e que ficava ao lado da casa do meu avô. Vi surgir a primeira Zara em Lisboa que tomou o lugar do Star, a minha sala de cinema preferida. Vi o apogeu do Apolo 70, do Castil e do Alvalade, e a decadência. Aquelas ruas têm a minha infância, a minha adolescência e a minha vida. E  foi lá que quis ter os meus filhos.

 

Quando saí de Lisboa há oito anos, deixei uma cidade velha, triste e abandonada. A Baixa estava fantasmagórica, tirando o Chiado, claro, os cafés ao fim-de-semana eram tristonhos, muitas das lojas arrastavam-se numa quase falência e os museus estavam vazios. A luz, essa, foi sempre a mesma, aquela luz de Lisboa que não há em mais lado nenhum do mundo. E os condutores também, extremamente mal educados. Isto será sempre igual.

 

Por isso agora quando vou lá tenho um misto de saudades do tempo bom de Lisboa que já não existe, aquele antes dos anos tristes, e uma felicidade enorme por ver tudo quanto deixei há oito anos renascido e renovado. Eu sei o que estava lá antes, o que esteve depois e sei o que está agora. 

 

E o agora é muito bom, por isso não me digam que o turismo não faz bem a Lisboa

 

 

 

 

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 • Instagram @maria.antonia.velez

 

 

 

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