
O Natal dá-me duas alegrias, uma quando o monto pela casa, outra quando o desmonto. Adoro-o, mas passando o dia 24 e 25 de Dezembro, já me cansei de toda a parafernália pela casa, a mesma parafernália que todos os anos em Outubro desejei ver instalada. E sim, quase nunca aguento esperar pelo Dia de Reis, portanto foi hoje. Ai que saudades já tinha da minha casa desimpedida e com as cores habituais.
E pronto, agora já posso começar a desejar o Verão, praia e isso tudo.
Isto do Natal é muito giro, muito família, comidas fartas e o coiso, é sim, mas agora se for justa comigo, estarei pelo menos três dias a ingerir - 2000 calorias. Não, não abusei nada, que ideia desencantada sabe-se lá de onde. Até me cansei imenso em sprints sofá/mesa dos doces/sofá/mesa de jantar.
Ora, como não é possível ingerir calorias negativas, estou a preparar-me para não sei bem o quê. O Natal cansa-me, esta é a verdade. Uma pessoa anda aí um mês a preparar, decorar, planear, faz bolachas, laranjas com cravinho e mais um montão de coisas giras, para de repente em dia e meio, zás, aterrar de fuças numa lanseirisse primitiva e depois, assim, sem aviso, volta à realidade sem brilhos, prendas, luzes e resta-lhe esperar pelo próximo almoço em família.
Olha, por mim era todos os dias Natal, mas com metade da comida, se não era capaz de ficar muito espaçosa. É isso, devia ser todos os dias Natal e a família toda à mesa. Isso é que era.







meus queridos, muito queridos, algo queridos e queridos no geral, em suma, pessoas queridas, desejo-vos de todo o coração muita saúde, amor, Azevias, Fatias Douradas e Sonhos doces, realizáveis e felizes
neste Natal, vamos ataviar-nos em doces. mandar a dieta dar uma grande curva. fazer má cara às prendas compradas sem amor. deliciarmos-nos com as que tanto nos dizem. abraçar muito os que amamos. amar. apaixonarmos-nos perdidamente. pelos outros. e por nós. e perceber o conceito de compaixão por aqueles que nos rodeiam. faz tanta falta nos corações. acima de tudo. sejamos gratos pelo que temos. e muito felizes
esta aqui, a eu, agora volta lá para 2013, logo no início, vou gozar uma semana de férias
tenham um Santo Natal


Passou-se um Domingo barricada na cozinha. Doces para aqui, ali e acolá. Cozinha, pesa, separa gemas das claras, já lá vão trinta, duplica-se receitas e tritura amêndoa e vai ao lume e ai que já me doem as pernas e a missa ainda vai a metade. Já feitas as bolachas, uns Formigos, uma Sericá e dois pratos de Aletria. Sim uma misturada entre Porto, Minho e Alentejo. Ora se uma avó querida era lá de cima e a outra lá de baixo, isto é o que entendo como doces de Natal. Ainda falta. O que vale é que Fatias Douradas, Azevias, Sonhos e tudo quanto se frita, é comprado.
[as nozes carimbadas perturbam o meu sentido very rural da coisa, mas pronto, é o que se arranja]
[eu acho que com as empregadas se devia fazer o mesmo que com os pais e sogros, ora se a consoada fica para os pais e o almoço de dia de Natal para os sogros, ou vice-versa, com as empregadas fazia-se ano sim, ano não, este ano ela vinha trabalhar no Natal e para o ano não vinha e fazia-lhe eu as coisas para a casa dela, não era uma coisa esperta? eu cá acho. agora isto de Natais todos os anos, não me parece correcto. hei-de abordar o assunto, assim para o ano começar bem e tudo]


(*)
E esta é a semana das festas de Natal, da ida à pediatra, comprar as prendas que ainda faltam, encomendar o Bolo Rei, os Sonhos e tudo quanto me recuso a fazer, que não é muito, só os animais que não me cabem no forno e os fritos que me deixam o cabelo numa lástima e não estou para passar uma Consoada com um ar desgraçado.
Ontem fomos festa de Natal na empresa do pai e os meus filhos lindos portaram-se muito bem. Filho pequenino ainda é um valor seguro, os seus adadne, nanana, mamama, são apenas adadne, nanana, mamama. Filho maior versando sobre puns, tipos de puns, duração de um pum, cor do pum, cheiro do pum, cocós e tipos de cocós, rabos e tipos de rabos, enfim fase anal em todo o seu interessante conteúdo. Isto dura quantos anos, quantos, ou é traço masculino? E uma vez silenciado nesta matéria, vai que o Pai Natal não existe e aquele homem é um actor e eu vi-lhe o cabelo verdadeiro e a cara e ele é magro. Mas correu muito bem. Houve mágico e eles adoraram, prendas e lanche, muitas crianças e eu gosto muito de festas de Natal.
(*) esta foi a foto possível cinco minutos após estar vestido, seguiram-se as habituais bolachas. tenho tudo cheio de bolacha com baba. tudo. até os móveis. bom, acho que o fotógrafo conseguiu boas fotos. ele é um profissional da coisa, há-de conseguir que os meus filhos apareçam limpos, sem manchas de comida. e todos vestidos. vou esperar. o mac kid recusou-se ao meu flash. tenho montes de fotos dele de cócoras, atrás do sofá e de língua de fora. vou esperar pelas do fotógrafo, é melhor. filhos lindos.









A casa da minha avó cheirava a cominhos e azevias e formigos. Cheirava a quente e a madeira na lareira. Luzes na árvore e bonecos de chocolate e enfeites que se partiam quando tirávamos os pais natais de chocolate. A casa da minha avó era grande para os netos todos e tinha uma cave onde escondiam as prendas para nos fazerem acreditar no sapatinho. E nós púnhamos o sapatinho ao pé da lareira e de manhã estavam lá as prendas. Na casa da minha avó íamos à Missa do Galo e tínhamos chocolate quente com churros no regresso, e muito sono. Na casa da minha avó os serões eram lentos e líamos Tintin e Asterix, a minha avó não gostava dos Tios Patinhas, eram naquele português que ela não gostava. E ensinava-nos a fazer croché e tricô. E filé. E a fazer intermináveis cordões em carrinhos de linha de madeira com quatro pregos. Em casa da minha avó púnhamos a mesa e os guardanapos eram sempre de linho e havia argolas com o nome de cada um. E obrigava-nos a beber água. Não havia Coca-Cola, nem laranjada. E um copo de leite a meio da manhã. Inspeccionava-nos as unhas e não nos deixava os cabelos soltos, isso entorta os olhos. A minha avó oferecia-nos sempre ganchos e envelopes com uma nota, que recebíamos em fila do mais velho para o mais novo. E brigávamos na fila, empurrávamos-nos e guinchávamos ó avóooo, olhe eleeeeeeeeee. Os Natais eram sempre da minha avó.
Laranjas com cravinho que dão um cheiro bom. Esta é outra coisa gira para fazer com os filhos.
Primeiro lavamos muito bem as laranjas com sabão azul e branco, de preferência, para que não apodreçam, é raro, mas acontece.
Depois de bem lavadas e secas, dividimos com uma fita, ou arame, a laranja em quatro secções. Caso se use fita, convém segura-la com alfinetes, caso contrário não se mantém no sítio. Com a laranja dividida, será mais fácil desenharmos o que bem entendermos, além de ficar simétrica. Se quero riscas verticais, volto a marcar mais quatro vezes, uma em cada intervalo das anteriores, ou seja oito. Com ou sem fita, até porque a maior parte dos desenhos não precisam dela, o que interessa é inventar. Também fica giro deixarmos a fita e em vez de pormos as laranjas em taças, penduramos.
Abro-lhes sulcos com um formão das madeiras, mas que faz isto muito bem, para espetar com mais facilidade os cravinhos, ou então uso uma agulha de tricô e faço furos onde quero espetar os cravinhos. Também há quem não faça nada disto e ao fim de cinco laranjas doem-lhe os dedos, mas pronto, fica o aviso.
Faço normalmente aí umas cinco ou seis e cada uma com desenhos diferentes. São óptimas para cheirar a Natal na cozinha e arrasar com o cheiro dos fritos. E dão ainda melhor cheiro se as misturarmos numa taça com anis estrelado e paus de canela, além do efeito visual que adoro.









Apesar do iminente fim do mundo, que não o vai ser, mas pronto, eu cá prossigo com a minha vida como se nada fosse. É que se isto acabar, tanto faz que eu tenha tratado do Natal como não. É igual ao litro. Ah e tal mas se acabar para que trataste tu das prendas. Olha, assim cómassim, se acabar não fica nada para ninguém, nem o dinheiro que não gastei, nem o que gastei, nem prendas, nem coisa alguma. Maneiras que vou tratando do Natal, ora do peru que não me cabe no forno, ora do leitão, que também não cabe, ora o Bolo Rei que não se quer do tamanho de uma roda camião TIR, ora uma prenda aqui, ora outra ali.
Este ano as prendas são quase só para as crianças, quer dizer, aqui damos um ao outro e aos pais, já combinámos é que tios, irmãos, amigos e isso não precisam de mais um DVD, CD, espuma de banho, sabonete, chá e que tais. Por acaso é uma grande economia, sim senhora, acho que não tinha noção de quanta. Até tinha, pelo menos sabia que o Natal era um susto. Gosto desta minha paz económica. E não gosto mais dos meus adultos só porque lhes dou um pacote de Ferrero Rocher.














gosto de árvores de natal muito carregadas de enfeites . não fosse assim a minha . gosto de exageros no natal . gosto dos exageros do natal . das comidas fartas . dos doces . do pivete da couve portuguesa . e do bacalhau . do cheiro bom do peru recheado . das azevias . coscorões . formigos . fatias douradas e sonhos . do arroz doce . e da aletria . gosto dos muitos dourados . e prateados . e vermelhos . muitas luzes . pais natais . bolas . estrelas . laços e laçarotes . corações . presépios . músicas . e tudo . não gosto de natal low profile . o low profile guardo-o para outras coisas . cá muito minhas . e é mesmo a época mais bonita do ano . apesar de preferir o verão . perdoo-lhe o frio . o problema é quando passa o natal . é quando acho que já chega de frio . por mim teríamos frio para o natal . assim de propósito e tudo . passado o natal lindo . já podia ser verão outra vez .

Olá Natal






Querido Pai Natal,
Eu é mesmo uma noite bem dormida das onze da noite às sete, por exemplo, mas seguida, sem rallies paper.
E é isto, nada de wishes chiques, coisas materiais e isso, até porque eu quero sempre coisas, mas não sei o que quero, portanto na dúvida, mais vale uma noite de bom sono. E nada de Nespressos, café e isso, porque eu preciso mesmo é de dormir. Logo para começar e acabar, fiz as minhas contas ao quilo de Nespresso e aquilo é mais caro que o Kopi Luwak. É. Isso e porque eu cá quero é um triturador de lixo para a cozinha. Tenho os meus fetiches, o Clooney não é um deles, já um triturador. Olhe, há quem sonhe com Clooneys e Pitts, eu é mais despachar o lixo alimentar pelo cano. Pronto, aquela coisa de nos filmes rasparem os pratos para o lava loiças e para ali atirarem tudo quanto é cascas, é-me extremamente sexy. Ele há quem goste dos Clooneys e Pitts e outros, eu cá é trituradores de lixo. Isso e uma noite bem dormida, mas na minha cama, nada de ideias loucas de me enfiar num cafifo qualquer com pequeno almoço, porque eu cá gosto é da minha cama.
Muito agradecida,
Mac
Estive a fazer bolachas de Natal com o Mac Kid. Às quartas-feiras temos a tarde toda para nós. Esta mãe faz a massa (*) e estende, ele recorta com as formas, esta mãe põe no tabuleiro e depois no forno, tira do forno, faz a massa para a decoração, enche o saco pasteleiro e ele decora. No fim, ele come e eu limpo a cozinha. É uma boa equipa.
(*)
300 gr farinha
100 gr açúcar
100 gr manteiga
1 ovo
Juntar todos os ingredientes numa taça e amassar (na Bimby 15s v6), estender com o rolo, recortar e levar ao forno num tabuleiro polvilhado com farinha, 15 mn a 180º C.
O Papa Bento XVI afirma que os três Reis Magos vieram de uma região entre Huelva, Cádis e Sevilha, na actual Andaluzia e não do Oriente como se pensava até agora. A revelação foi feita no último livro da trilogia escrita pelo Papa.
Olha, tira-se o Burro e a Vaca, de caminho substitui-se os Reis Magos por sevilhanas e até sugiro já coisas de avanço, que é para não andarmos a fazer isto a prestações, não gosto de prestações, e substituímos a Estrela por uma bola de espelhos, até porque toda a gente sabe que não há estrelas a oriente, e os pastores por dançarinos e o anjo pelo Carlos Gardel. Olha, são os Alunos de Apolo, mas que estranho. Um pequeno Alunos de Apolo em cada casa portuguesa.
[Sou católica, mas isto já começa a chatear. Ai que saudades do Papa João Paulo II. Também sei que quem lhe viesse a seguir, teria sempre uma posição difícil, mas já agora que não a tornasse tão coisa. Qual é a ideia de nos atirar com séculos de imaginário para o lixo? Não percebo]

Para quem pediu, aqui está o tutorial para fazer estas Árvores de Natal a partir de revistas, listas telefónicas, etc.







Tenho mesmo de arranjar ramos de pinheiro para me cheirar a Natal, a espalhar por aqui e ali, é que isto dos sintéticos é muito ecológico, muito prático e isso, mas não me cheira a Natal. Diz que há um spray, ou essência, ou lá o que é, que simula o cheiro do pinheiro, mas não, para mim tem mesmo de ser o pinheiro per si, o que eu gosto de aplicar perrr si. Aquele cheiro que havia nas casas com seus pinheiros disformes, credo era tão difícil arranjar um pinheiro giro, e invariavelmente na rua pareciam pequenos e uma pessoa depois de o carregar e ficar com as mãos cheias de resina e dorida das agulhas a espetar nos olhos e nos braços, nas pernas também, e deixar um rasto de agulhas, afinal tinha que fazer um buraco no tecto. Eu era uma criança e gostava de participar nestas coisas. Isso e dar cabo da noção estética do Natal de mãe querida. Gostava de pendurar no pinheiro os meus pertences, que na época eram cabeças de bonecas e roupas das bonecas e isso. Também me pendurei a mim, criança engraçada, mas não me correu como se esperava.
Mas tinha aquele cheiro a que associo o Natal. O Natal tem que me cheirar a pinheiro.
gosto muito dos enfeites da minha árvore . têm histórias . uns comprei . lembro-me onde e quando . as maçãs na romeira . as bolas encarnadas e as douradas numa loja em algés . os corações no horto do campo grande . outros pintei . e fiz . e um dia substituí as fitas às bolas vermelhas . estive uma data de horas num serão . eu muito grávida do Mac Kid . cheia do sono das grávidas e a pôr fitas vermelhas com risca dourada em bolas vermelhas . outros ainda vêm da minha infância . o pai natal de vestido dourado . a bola encarnada com riscas douradas . gosto tanto desta árvore de natal .











Tão giros estes sacos de Natal personalizados, um para cada um dos filhos.
[olha, já não dá. há-de dar, nem que seja para o ano]







E depois dos filhos,
[há alguém que se anda a fazer de fingida ali ao pó em cima do exaustor]


≈ Também ando por lá
≈ A.
≈ Afonso, o cão de loiça e Julieta, a pessoa
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