Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

04 - O BURGO É UM SÍTIO LINDO

 

 

 

 

 

Lisboa foi considerada pelo guia de viagens online www.ucityguides.com como uma das 10 cidades mais bonitas do mundo. A calçada portuguesa, as fachadas e os tons da capital foram as características mais apreciadas.

 

(mais aqui)

 

 

 

 

Já concordei mais que Lisboa é uma cidade bonita. Já não acho muito. Indiscutivelmente tem algumas coisas lindas, mas já não é bonita. Salvam-se alguns guetos, como a zona do Castelo, a Graça, o Chiado, a Lapa, em suma a parte antiga, se nos esquecermos de olhar para os cabos pretos a envolver todas as estruturas, as antenas e as decorações estranhas nas varandas, o mau cheiro das ruas e a falta de lavagem das fachadas. Da moderna só lhe vejo aberrações, uma Av. da Republica destruída, bem como uma Estrada da Luz, onde ainda sobram uns palacetes por entre mamarrachos, Telheiras com uma construção nova rica de fugir e uma falta de ordenamento assustadora, a zona da Expo incaracterística e pós apocalíptica. Se formos no Eixo Norte-Sul e olharmos para aquilo, parece uma manta de retalhos em que cada um construiu a seu belo prazer o edifício mais hediondo e desnivelado que o mau gosto poderia conseguir. Depois há as zonas amorfas, mas que não chocam, nem chamam à atenção, como a Av. de Roma, Bairro de S. Miguel, Bairro Azul, Campo de Ourique e algumas avenidas novas.

 

Lisboa é uma cidade barulhenta, onde os apitos de ambulâncias são uma constante, os aviões e os carros, poluída, sem jardins em condições, os poucos que há mais parecem urinóis de cães, onde as nossas crianças não podem brincar, cheia de cafés bafientos a cheirar a fritos, quase sem esplanadas e pensada como depositário, mas sem qualidade de vida.

 

Por estas e por outras é que quando pensámos em mudar de casa, decidimos também ter qualidade de vida e depois de uma existência em Lisboa, agora vamos para Cascais. Lá, pelo menos, os guetos são suficientemente grandes para a vista alcançar o mar, se conseguir respirar e viver sem excesso de ruídos.

 

 

Lisboa é bonita se pusermos umas palas e deixarmos de ter visão periférica, a verdade é que não a podemos olhar a mais de dois metros.

 

Sim, tem uma luz inigualável, mas não lhe chega para ser uma bela cidade. Tem a calçada portuguesa, linda para ver, mas uma tortura para calcorrear. E que mais? Mais nada, afinal Lisboa não está pensada para ser vivida.

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Terça-feira, 29 de Março de 2011

01 - O BURGO É UM SÍTIO LINDO

 

 

 

 

 

E vai abrir uma Zadig & Voltaire na Avenida. Isto sim, são boas notícias.

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Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

03 - COISAS QUE APRENDO ÀS 8 DA MANHÃ

 

 

 

 

 

Há tanto transito como às nove da manhã e os outros condutores já se apresentam em estados de irritação muito elevados. Buzina-se, fazem-se manobras estranhas, arranca-se e trava-se de repente.

 

Eu não gostaria de lidar com aquelas gentes, parecem-me bombas atómicas humanas. E se lido, pronto, já devem ter descarregado todas as energias más sobre o volante.

 

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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

20 - COISAS QUE ME PODEM ACONTECER

 

 

 

 

 

Devia especializar-me em psicologia taxista, parece-me um nicho pouco explorado, é que ou todos os taxistas são peculiares, ou sou eu que só atraio gente estranha. Desconfio que esta minha mania de querer saber da vida do povo, ainda me vai fazer acabar mal.

 

 

Para ir ao Chiado apanhei um Mercedes xpto, todo bem cuidado, com ambientador da Ambi-Pur, música baixa e sem berros retalis. O condutor usava uns óculos à Matrix e cheirava bastante a Heno de Pravia. Aprecio estes detalhes. Por acaso ia interessada em ver os e-mails, mas o chauffeur achou por bem interagir com a minha pessoa e eu deixei-o dissertar sobre condução preventiva e coisas assim.

 

Taxista: Sabe, entre mim e o carro há uma ligação muito especial, se lhe raspar a jante, por exemplo, doi-me.

Esta: A mim também, principalmente na conta bancária

Taxista: Não está a perceber, doi-me no corpo

Esta: Ah, magoa-se

Taxista: Fica-me a doer tudo, porque o carro e eu somos unos

 

E eu achei melhor mudar de tema, não fosse a coisa escorregar para assuntos em que a minha cultura geral é paupérrima, temas tântricos, do além e assins.

 

 

Para cá, apanhei um Volkswagen T-Rex e acho que o taxista andou nas trincheiras da 1ª Guerra Mundial, ou então estava embalsamado, não fixei muito o olhar na pessoa. No retrovisor lia-se escrito a tinta encarnada, ou baton, não percebi bem, "RADAR", ainda tinha um ambientador Ambi-Pur e também não havia retalis aos berros, mas uma voz feminina que repetia ad nauseam "estas excedendo el limite de velocidad", que eu tenho para mim que ele programou o zingarelho para um limite de dez à hora.

 

Esta: Muito interessante este controlo de velocidade.

Taxista embalsamado: Não gosto.

Esta: Então por que não o desliga?

Taxista embalsamado: Foi a minha mulher que me deu.

Esta: Mas não é ela que atura isto o dia todo, pode desligar isso sem ela saber.

Taxista embalsamado: Por essas e por outras é que há tantos divórcios.

Esta: Por causa destes aparelhos?

Taxista embalsamado: Por pensarem como a senhora.

 

 

E eu achei por bem ser simpática e hospitaleira e mudar de assunto, recorrendo aos meus fantásticos desbloqueadores e dissertei sobre o clima.

 

 

Tenho para mim que o problema de alguns condutores, profissionais incluídos, é aquela coisa do Ambi-Pur nos carros.

 

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Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

34 - OH GOD, I'M SO BLOODY BLONDE SOMETIMES!

 

 

 

 

 

Caismundialcaiscarapuça, abriu a loja Prada na Avenida, a maior da Europa. Isto sim são boas notícias e o resto é ketchup. Coisa má linda do burgo, riquezas de sua Mac, cutchicutchi.

 

 

(isto de ter um homem lindo, que tira fotos lindas e as smessa no seu BlackBerry lindo, é uma grande vantagem linda)

 

© Mac às 17:50
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Sábado, 13 de Março de 2010

05 - COISAS QUE GOSTO MUITO

Scarlett Johansson for Harper's Bazaar

 

 

Abri as janelas, para deixar entrar o ar e cheirou-me a Primavera. Eu sei que ainda não há verdura que chegue para me cheirar a Primavera e também sei que abro sempre as janelas, porque gosto da casa com ar fresco e reinventado. Gosto do cheiro das primeiras chuvas de Outono, que nesta cidade conseguem cheirar a campo. Gosto do outro, dos dias frios e secos, que cheiram a madeiras queimadas. Gosto do cheiro a flores mil e relva dos dias de temperaturas amenas e céu azul. Gosto do cheiro dos dias de calor e chuva, em que lhe sinto o mar. São todos diferentes, como a luz também o é. Gosto das manhãs de Primavera, dos fins de tarde de Inverno, das noites longas de Verão, das tardes chuvosas de domingo, das de sol de sábado. E nunca me cansarei de dizer que Lisboa tem a luz mais bonita de todo o mundo, todos os dias, a todas as horas, em todas as estações do ano. Hoje, a luz e o cheiro deste céu azul é de Primavera. Agora já se está a instalar o fim da tarde e o cheiro é dos dias secos de Inverno, que afinal ainda é.

 

 

 

Lisboa (Polo Norte)

 

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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

91 - PERGUNTINHA

 

 

Passar-se-á algo nesta cidade para que todo o transito se tenha sumido por artes mágicas?
 
Hoje de manhã, a minha avenida estava vazia e não levei logo com o pára arranca tão costumeiro por estas bandas. Agora ao final da tarde, a mesmíssima coisa.
 
Estranho. Muito estranho.
 
© Mac às 18:24
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

89 - PERGUNTINHA

Alguém me explica muito devagarinho, palavra a palvra, num tom extremamente suavezinho e pausado, por forma a evitar gritarias, apoplexias, puxões de cabelos, arcos histéricos e assins, vindos da minha pessoa, porque obra do demo tinha eu isto pespegado na caixa do correio e afixado em ambos os elevadores do prédio, hein?

 
 
 
 
É que na minha lógica a coisa funciona assim: começam os avisos, quando há uma possibilidade de acontecer. Certo? Se não vai acontecer, não há porque andar a avisar de medidas de protecção, conduta e que tais. Certo?
 
Então porque anda a Câmara de Lisboa a torturar-me, hein?
 
(Eu tenho miaufas para lá de histéricas de sismos. Muito histéricas).
 
© Mac às 18:43
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

279 - A VIDA EM AZUL CUECA

Notting Hill (Julia Roberts and Hugh Grant)

 

 

Funcionária dos correios: Já viu este livro “Pequenos arranjos em casa”?
Moi: Deve ser muito interessante… para quem gosta…
Funcionária dos correios: Pois, não deve ser bem o seu género…
Moi: Olhe entre isso e o Noddy, venha o diabo e escolha.
Funcionária dos correios: Mas temos outros livros…
Moi: Eu também.
Funcionária dos correios: Para vender
Moi: Calculo, mas não estou interessada, obrigada. Sabe não se encaixa muito o conceito aqui nos Correios, gosto mais da FNAC, de andar por ali, ver, dar umas lidas… olhe gosto de namorar com os livros.
Funcionária dos correios: Se quiser pode fazer o mesmo aqui.
Moi: Atrás do balcão?
Funcionária dos correios: Não, a menina vai dizendo e eu vou-lhe dando os livros.
Moi: Obrigadíssima, mas estou com pressa, fica para outro dia.
 
 
E saí dali na base da rapidez. Como explicar aos funcionários das Estações dos CTT que não acho piada nenhuma a comprar livros por ali? Gosto de andar pelas FNAC, Barata, Bertrand, Bulhosa, enfim, livrarias, pegar nos livros, ler-lhe a contracapa, tomar-lhe o peso, sentir o cheiro do papel, mas só ali naqueles sítios, com músicas de fundo, estantes a abarrotar e alcatifas pelo chão, onde não se ouvem passos. Livros não combinam com “olhe, quero fazer uma chamada para Luanda”; “Cabine 4”; “São seis envelopes de Correio Azul”; “Onde estão os impressos para Aviso de Recepção?”, acompanhados de sapatos a bater em chão de mármore e barulhos de carimbos. Pronto, não combina. Coisas de gente mimada.
 
 

Put Your Records On (Corinne Bailey Rae)

 

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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

15 - OH GOD, I'M SO BLOODY BLONDE SOMETIMES!

 

 

 

Lui: Estás onde?
Moi: No Martim Moniz
Lui: A fazer o quê?
Moi: Vamos almoçar, não é?
Lui: Vamos, já estou despachado, demoras?
Moi : Não, estou quase a entrar para o parque.
Lui: Qual parque?
Moi: Do Martim Moniz.
Lui: A minha reunião foi aqui perto da Estefânia
 
(nesta altura do diálogo, ele já estava a ver o filme todo)
 
Moi: Ai que fiz confusão! Espera aí que já vou, estás onde afinal?
 
 
Conseguimos almoçar cinquenta minutos depois da hora combinada, não porque o trajecto os demorasse, mas porque fui em frente, em vez de virar na segunda à esquerda, por três vezes, com consequentes voltas sei lá eu onde, acompanhados de sete telefonemas a pedir-lhe orientações.
 
A sério, às vezes já não tenho muita pachorra para mim (nem desconfio como ele ainda tem), mas no meu cérebro a Estefânia localizava-se onde afinal é o Martim Moniz. Vá lá que não é grave, afinal sempre morei em Lisboa.
 
Continuo a achar que são apenas uns resquíciozinhos de dislexia, já o contei aqui. Acho que sim, com toda a certeza.
 
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© Mac às 18:32
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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

74 - A SÉRIO!!??

 

The English Patient ( Juliette Binoche and Ralph Fiennes)

 

 

Anda tudo numa azáfama por causa do Red Bull Air Race World Championship que, em 2010 não vai ser no Porto, mas em Lisboa. E o povão grita o desconsolo e revolta, e gastam-se em guerrinhas ridículas norte-sul. Não têm mais nada que fazer, é?
A mim já me bastam os aviões comerciais a passarem-me rente e desde que andem para ali em cima do rio e não resolvam fazer acrobacias em cima deste palais, já fico contentinha. Mas isto sou eu que tenho a família paterna no Porto e a materna no Alentejo e nunca vi os do Porto com estas tretas dos mouros e que tais, em relação a Lisboa. Afinal a minha geração é a que degenerou, porque a anterior andou a casar alegremente por este país a fora e acabou a fixar-se por Lisboa. Sim, mantemos as tradições do Norte e as do Sul, vamos tanto a uma família, como à outra, mas já nascemos aqui.
Nos entretantos, em todos os noticiários, só se fala do mau tempo, da neve aqui e ali, que impede a normal rotina das populações, dos alertas vermelhos e amarelos, mas a mim ensinaram-me que quando se fala do tempo, é porque o assunto se esgotou, ou não queremos falar de outras coisas com o nosso interlocutor. Pois, pois.
© Mac às 14:30
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

237 - A VIDA EM AZUL CUECA

Dias bons para andar pelas ruas da Baixa a tratar do Natal, são estes muito desagradáveis e chuvosos, em que o povão se atira todo para os shoppings, não vão caírem-lhes uns pingos na moleirinha e derreterem como o açúcar. Maneiras que muni-me de um forte e quente trench anti chuva e anti frio, este,

 

botas de salto raso e guarda chuva e andei muito bem naquelas ruas. Terminei o safari de hoje na adorável, antiga e linda Confeitaria Nacional, a aquecer a alma e o corpinho com um fantástico café e uns bolinhos. Já que ali estava, trouxe comigo o melhor Bolo Rei do burgo e fiz a reserva para um outro destinado às festividades que se aproximam.
 

 

 

  

 

© Mac às 12:48
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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

236 - A VIDA EM AZUL CUECA

 

 

 

Há dias assim, muito ocupados a viver uma vida muito boa, com almocinho e tudo na melhor de todas as companhias, no melhor de todos os mundos, algures na Baixa desta cidade. Ainda vi umas botas muito tentadoras, uns leggings e tal, mas nestes dias assim não lhes cabem compras, nem gastanços, nem telemóveis, nem outras gentes, são só muito bons de viver e assim sem mais nada, porque o que os preenche é bom de mais e quero lá eu saber se os assadores de castanhas já não são em barro, as iluminações pobrezinhas e a crise um mito .
Talvez lá vá amanhã e então trarei as botas, os leggings e o que mais calhar, vou ver os assadores em não sei quê galvanizado, ter saudades da Baixa de outros tempos e reclamar das enchentes, mas isso é só amanhã.
 

Rule my World (Kings of Convenience)

 

Only someone who is morally
Superior can possibly
Can honestly deserve
To rule my world

I talk before i think
You shoot before you know
Who's in your line of fire

So somehow we're the same
 

 

© Mac às 19:54
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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

78 - PERGUNTINHA

Estive na  Av. da Liberdade e vi em algumas janelas um rectângulo em tecido vermelho e com um santo no meio. Não consegui perceber se era um santo ou o Menino e com uma coroa. O que significa aquilo?

 

Bom, entre aqueles bonecos gigantes de Pai Natal a trepar tudo quanto é varanda do burgo, luzes psicadélicas e bandeiras do país, venham é as fachadas clean. Digo eu na minha, que não alinho em folclores, nem quando do Euro 2004, quanto mais no Natal. Oras, se só é permitido estender roupa nas traseiras dos prédios, porque não proíbem esta gente de exibir pirosadas, hein? Têm-se em conta de decoradores, é?
Vou reparar se haverá mais destas pérolas espalhadas pelo burgo, extra Avenida, pois vou.
© Mac às 20:04
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

226 - A VIDA EM AZUL CUECA

Policemen: A menina não sabe que não pode deixar o carro aí em cima do passeio?
Me: Sei, mas fui só ali à padaria... só demorei um minuto.
Policemen: Hummm... e se passasse aqui um deficiente, como é que era?
Me: Tem razão, mas deixei bastante espaço.
Policemen: Que eu não veja isto outra vez.
Me: Sabe o que é? Ficámos sem padeiro e agora tenho de vir aqui todos os dias e não há onde estacionar, é mesmo só o tempo de ir buscar o pão.
Policemen: O Sr. M?
Me: Sim... teve um AVC...
Policemen: Soube da úlcera, não sabia do AVC, como é que foi isso?
Me: Pois, foi a úlcera e já no hospital, teve um AVC, já não deve voltar a trabalhar.
Policemen: Que coisa, ao fim de tantos anos... todos o conhecíamos.
Me: Sim, é verdade... tenho de ir, se não o senhor ainda me multa (risinhos)
Policemen:  Vá lá, menina, e desde que seja rápida, pare lá o carro para comprar o seu pãozinho.
Me: Obrigada, tenha um bom dia.
 
É o que eu digo, não existem pessoas antipáticas, existe é falta de comunicação.
 

Police on my Back (Clash)

 

© Mac às 10:11
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

75 - PERGUNTINHA

Passei na Av da Liberdade, a caminho do meu dia muito bem passado na Baixa e reparei nas iluminações postas aleatoriamente nas árvores. Foram gnomos embriagados ou deixaram as criancinhas dar azo à sua veia decorativa liliputiana, hein?

 

Credo! Aquilo está pavoroso. Não percebi lá muito bem a ideia e espero que acesas a coisa se componha.

 

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© Mac às 17:53
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16 - JÁ FUI FELIZ AQUI

Heidi Klum

 

 

 

 

Fui almoçar à Baixa. Como cheguei cedo, aproveitei e passei na Luvaria Ulisses, adoro ir ao mundo das luvas, indiscutivelmente que são imbatíveis, naquela micro loja em que apenas cabem duas clientes e com esforço, mas que nos enche de rituais muito saborosos. A experiência dos empregados, faz com que num rápido olhar para as nossas mãos, acertem à primeira no nosso tamanho de luva. Depois abrem a luva com um instrumento próprio, borrifam-na de pó de talco e calça à primeira, impecável, sem excesso de luva, nem aperto e como uma segunda pele, macias e lindas, como só lá se fazem.
Depois passei na da Rua da Vitória e tive saudades dos Porfírios, que já não estão lá. A Baixa tem este efeito em mim, saudades do que já não existe.
Atravessei a minha adolescência em parte dos icónicos anos 80. Na época as Zara’s, Mago’s e H&M’s da vida não existiam em Portugal. Pouco ou nada de jeito havia para nos vestirmos, a tal ponto que quanto a jeans só tínhamos a Lois, se queríamos Levi’s ou Wrangler, apenas as conseguíamos nas viagens. No Liceu Francês não tínhamos aulas às quartas feiras à tarde, ainda é assim, portanto aproveitávamos para ir às compras e íamos à Baixa, não havia grande variedade e as tardes terminavam na Benard ou na Caravela, em lanches de batidos de fruta ou chocolate quente, scones e bolos deliciosos.
A grande Meca da moda eram os Porfírios, uma loja que já fechou em 2001 e que era especializada em vestuário jovem, copiado directamente de Carnaby St,em Londres, e outros centros de moda mais em voga. Além de ter coisas muito giras, era tudo baratíssimo, porque os donos se limitavam a importar ideias e não as roupas propriamente ditas, as quais eram de fabrico nacional.
A loja tinha duas entradas, escadas em caracol, luzes psicadélicas, música da época, passagens muito estreitas que iam dar às salas onde estavam os jeans, camisas, blusões estampados, as obrigatórias (micro) mini saias, bijutaria, cintos,  carteiras, bolsas, isqueiros e posters.
Além dos Porfírios tínhamos a Tara, a Migacho e a Maçã da Ana Salasar, para conseguirmos andar minimamente giros, ah e as compras em viagens extra perímetro nacional.

© Mac às 17:11
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

73 - PERGUNTINHA

Heidi Klum (Celebração 50º aniversário Barbie)

 

 

Nós mulheres seremos sempre umas cabras umas com as outras. Não há volta a dar e à mais pequena oportunidade, lá salta a cabra, nem que seja para dar uma marradinha leve.
 
Na condução é universalmente sabido que somos mais cautelosas, ponderadas e nada competitivas. O carro não funciona nunca como meio de afirmação, ao contrário dos homens, que quanto mais velhos e menores performances em vales de lençóis, com mais cilindrada os querem e não tem a ver só com a ideia generalizada de que, quanto mais velhos, mais poder económico têm. Também é verdade, mas lá que os homens se medem aos carros, medem e não somos nós que os medimos, são eles entre si.
 
Bom, mas com muita ou pouca cilindrada de popó, xpto ou não, os comportamentos são diametralmente diferentes. Enquanto os homens me dão sempre passagem nos cruzamentos, entradas, rotundas e tal e coiso, as mulheres quase nunca.
 
Hoje de manhã com o trânsito cerradinho, num pára arranca costumeiro aqui pela minha zona, uma que podia  perfeitamente dar-me passagem, não o fez, para me ficar atravessada à frente e eu atravessada no corredor Bus.
 
Somos ou não umas grandes cabrinhas umas com as outras, hein?
 
© Mac às 14:25
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

10 - A VIDA EM BRANCO FRALDA

 

 

A mochila do Mac Kid anda pesadíssima. Não sei o que passa na cabeça dos educadores escolares, para obrigarem as crianças a transportarem tantos livros, cadernos e sapatilhas de ginástica.
 
Até este ano escolar, pois que andou com um trolley. Tirei-lho, porque as rodas ficavam muito sujinhas de cocós de canídeo, que se espalhavam pelo Mac Mobile, Mac House, etecetra. Nesta cidade esquecem-se amiúde das crianças. Quando ele era bebé e saíamos de carrinho, andava munida de uns toalhetes com lixívia, a modos de poder limpar as rodas, antes de cada regresso ao lar. Quem o sabia, achava-me quase louca. Claro, que eram os que não tinham filhos e invariavelmente, são sempre os mais sabidinhos. Esqueciam-se que o carrinho ao entrar em casa com as rodas pejadas de porcaria, iria espalhar nojinhos por onde passasse, agravando-se a coisa, quando o Mac Kid começou a andar à solta e ainda mais na fase em que tudo levava à boca.
 
Bom, cheira-me que vamos voltar ao trolley. Entre ficar com as costas tortas e transportar titica de cão nas rodas, sempre prefiro a titica de cãozinho.
 
 
Disclaimer: Nada tenho contra os cães, mas contra os donos dos cães que os põem a defecar no meio da rua e não apanham o presente, tenho. Só podia. E só percebe isto quem tem crianças e ainda mais, quando são muito pequenas.
 
© Mac às 13:00
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

69 - PERGUNTINHA

E não é que hoje, é dia de S. Martinho? E eu não vi um único assador de castanhas nesta cidade? Se calhar não fui aos sítios certos, mas a verdade é que não vi um que fosse para amostra.

 
Não é que me perca muito por castanhas, perco-me completamente, que é outra coisa completamente diferente.
 
Onde andam os vendedores de castanhas, hein? Mas das boas, não quero cá coisas podres, embrulhadas em pacotes xpto e assadas em não sei o quê galvanizado. Só as aceito assadas  naqueles assadores de barro e depois embrulhadas nas folhas de listas telefónicas.
 
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© Mac às 18:47
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

66 - PERGUNTINHA

Porque é que alguns condutores ouvem as suas musiquinhas, em decibéis proibitivos, hein?

 
É que eu gosto de seleccionar o que quero ouvir e, já agora, não ter de levar com o péssimo gosto alheio a entrar-me pelo carro, pelos ouvidos e pelo cérebro.
 
© Mac às 18:11
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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

52 - PERGUNTINHA

 

Há obras num dos andares do meu prédio. Ouço Bruuuuuuuuuuuuum e tumtumtum o dia todo e acho que me estou a passar, assim um bocadinho. Bom, o dia todo é uma forma de reclamar, porque não tenho estado por aqui, mas enfim. Isto proporciona-me mau feitio, impaciências e afins, durante os bocados em que cá estou. Começam nisto às 8 da manhã e eu gostava de dormir até às 8 horas e 30, vá lá 9.
 
No meu prédio é assim, cada um que resolve habitar de novo um andar, atira com paredes ao pandeco, remodela cozinhas e sei lá mais o quê. Há uns anos até houve um que mandou arrancar tudo quanto são mármores das casas de banho e cozinha. Pois os tons não lhe agradavam e do creme escuro de um dos wc’s, passou para creme claro!
 
Um outro, partiu não sei quantas paredes, para deixar não sei quantas salas ligadas umas às outras por arcos!
 
Ainda outro, resolveu ampliar a cozinha deitando a baixo a parede para uma das salas.
 
Resultado: Neste prédio não existem duas casas iguais.
 
E como sei eu isto tudo? Porque cada vez que há obras, nós, os que cá estamos, a cada encontro de elevador, comentamos o que se anda a fazer.
 
Mas se não gostam da tipologia das casas como elas estão, porque não procuram uma que lhes agrade, hein?
 
© Mac às 12:55
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

122 - A VIDA EM AZUL CUECA

Depois de deixar o carro na oficina, apanhei o táxi mais T-Rex de Lisboa, acompanhado de chauffeur a condizer, mas para lá de acelera. Agora reparo, há anciãos que são muito aceleras. Será porque a perna direita é acometida de espasmos e fica tipo tijolo, sobre o acelerador? Tenho de investigar o fenómeno.

 
Adiante.
 
O veículo abanava para lá da conta, os vidros não eram automáticos e cheirava a mofo. Ouvia-se uma reza escaganifobética em altos berros, amiúde interrompida por “Retalis” seguidos de nomes de ruas, mais “Retalis” com respostas. Ora se ele tinha uma cliente no veículo, porque obra do demo, tinha de ouvir a central? Como quis fechar a minha janela, dei à manivela, mas aquilo chiou, seguido do taxista, com um olhar acusatório, sobre a minha pessoa. Como o achei muito velho, aí para ter andado pelas trincheiras da  1ª Guerra Mundial, achei por bem, levar com todo o vento na cara e não tocar mais na manivela, não fosse ele gasear-me. Tive a convicção de que se insistisse, ele atropelava alguém e eu acabava projectada pelo pára-brisas, o que diga-se de passagem, seria uma maçada, com miolos e sangue à mistura, nada condizentes com os meus cabelos loiros. 
 
De maneiras, que achei por bem ser simpática e hospitaleira e estabelecer diálogo, recorrendo aos meus fantásticos desbloqueadores de ambiente, a ver se chegava inteira a casa. É que, logo hoje, não me dá jeitinho nenhum danificar a minha pessoa, porque tenho um cafézinho combinado. Ah e também tenho de rever os seguros, faltava-me essa.
 
Moi: Está um dia lindo, finalmente temos verão.
Ancião: Isto já não é o que era
Moi: Pois não… as estações estão todas trocadas
Ancião: Lá nos céus sabem o que fazem. Temos o castigo dos nossos pecados.
 
E entrou em piloto automático sobre pecados, fins de mundo, demónios e quejandos. Calei-me, a minha cultura geral é muito limitada nestes temas. Ainda tentei derivar para os saldos, mas ele não me ligou nadinha.
 
Quando finalmente entrámos na minha rua, disse-lhe para inverter a marcha lá em cima, de forma a não ter de atravessar. Entrou em confusão e não queria perceber porque eu não queria atravessar a rua. Lá lhe expliquei que é uma rua difícil, com muito trânsito e tal e coiso, mas não era nada por isso, estava era com um vestido justo, que me dificulta subidas dignas para o separador e não me pareceu bem andar a arregaçar as saias. Ainda disse coisas sobre a falta de exercício, ataques cardíacos e AVC’s. Está bem abelha.
 
Bom, vou é almoçar e mudar de roupa, porque estou desprovida de popó para ir até ao café do outro lado da rua.
 
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© Mac às 13:01
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

119 - A VIDA EM AZUL CUECA

Ui! Esta cidade é um ovo. Aliás é um bidé, como diz o meu amigo João e muito bem. Pois atrevi-me a sair sem qualquer maquilhagem e com roupas de treino, claro que acompanhada do máxi malão do Tio Louis e óculos Prada nos olhos, rumo ao cabeleireiro, para tratar das unhas.

 

Unhas despachadas e lindas, saí para me enfiar no MAC mobile na maior das ligeirezas. Carro a apitar, amiguinha a acenar. Conversa rápida e “depois falamos melhor”, porque já estavam uns automobilistas impacientes, mas simpáticos, porque não nos apitaram enquanto demos o nosso rápido trololó.

 

Continuei a caminhar, decidida a não encontrar mais ninguém. A hora era perigosa, intervalo para almoço do pessoal trabalhador. Berros do outro lado da rua, amigo a acenar. Atravessou e mais trololó. A tratar não sei de quê para as férias, idas para o Algarve, temos de nos ver, já estou divorciado – olha a novidade, parece que para ser meu amigo, começa a ser condição, mas está bem – e o que fazes este fim-de-semana e telefono-te.

 

Das duas uma, ou a maquilhagem não faz nada por esta beleza nokauteante – derivado de nokout, vê-se loguinho -  e ando a consumir produtos desnecessariamente, ou já se esmifraram a este sol ranhoso umas corezinhas, ou tenho amigos muito caridosos.

 

Vou pensar sobre o assunto, esparramada ao sol. Parece-me bem.

 

© Mac às 13:38
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

118 - A VIDA EM AZUL CUECA

 

Fui almoçar ali para os lados da Castilho com o Pedro. Conversa para cá, conversa para lá, até que fomos embater nas coisas que nos fazem sempre falta ou com que não podemos viver, sem incluir filhos, amigos e que tais. O Pedro fez uma lista jeitosa e, para bem da sanidade mental alheia, não vou divulgar. Eu só me lembrava de café e internet. Depois fui fazer uns safaris culturais pelos saldos e não parei de pensar nisto.

 

Sim, existem uma série de coisas que me iriam fazer muita falta, mas nada que não se superasse. Mas já agora, não vivo sem (e não por ordem):

 

- Café

- Net
- Telemóvel
- Carro
- Sapatos
- Unhas arranjadas
- Depilação 
- Música
- Filmes
- Séries
- Livros
- Praia
- Sol
- Pão com manteiga
- Perfumes
- Duche
 
E não sei se foi por ter este cérebro tão ocupado, ou por ter acordado com resquícios de dislexia, achei os saldos tão deprimentes e tão foleiros, que me pirei o mais depressa possível dali.
 
© Mac às 22:51
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

117 - A VIDA EM AZUL CUECA

 

Esta semana não se comenta a boa da Sue. Vi-me impedida de assistir ao meu fétiche semanal, à cause de uma estada algures no meio do nosso amado ALLgarve. Pois sim, podia ter visionado por lá, mas tive mais o que fazer, perante óptimas companhias de amigos intercaladas com umas imersões aqui,

 
 
 
Temos pena, mas é a vida.
 
Mas, antes de rumar até ALLgarve, andei a bandear-me pelo by night, acabando a aterrar ali para os lados das Docas. Pois sim, talvez volte lá daqui a cinquenta anos, quando o Tio Alzheimer já se tiver apoderado deste belo cérebro e ache tudo muito bem, ou quem sabe – o que me cheira a ser a melhor das hipóteses - nem perceba onde estou e entre no espírito da coisa. 
 
Fomos cuscar o novo bar, ou boite, ou discoteca, ou cafifo - não sei bem a definição do espaço - da Maya. O espaço até está giro. Nada de novo na costa, mas sim, visualmente agradável. Agora a frequência é de bradar aos céus, infernos e a todos os santinhos, anjos e arcanjos. Diria a fina nata não sei bem de quê: 40% de clones Cristiano Ronaldo – crista na mona, brinco na orelha, marcel justo ao abdómen musculado e bracinhos amplamente tatuados - 40% de gajas - com manicura francesa e desenhos escaganifobéticos nas unhas, munidas de espartilhos e tops flashantes, acompanhadas de péssimas colorações capilares - 10% de gorilas - musculosos com t-shirts muito justas e pants em negro - 9% de seres assexuados - a quererem evidenciar roupas de griffe duvidosa, pronto, imitações mazinhas e óculos de sol postos nos olhos. Sim, é verdade, parece que queriam passar por alguém que precisa de passar despercebido e estavam de gafas escuras à noite! – e 1% de gente caída ao engano. 
 
Depois ainda existem duas animadoras desengonçadas, com o intuito de porem o resto da carneirada a dançar. Só que as meninas não se aguentavam nos saltos 3, dançaram um misto de Samba e Vira do Minho, ao som de techno e não houve uma alminha caridosa de serviço que lhes limpasse os fluidos corporais, que as fazem ficar assim para o oleoso.
 
Mas sobreviveu-se, até porque com o menino que me acompanhou neste estudo antropológico de alto calibre, garanto que se sobrevive até ao mau gosto alheio.
 
© Mac às 15:41
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Sábado, 11 de Julho de 2009

109 - A VIDA EM AZUL CUECA

 

Ontem lá fui jantar, ali para os lados da Expo. Logo para começar não gosto do sítio. É novo de mais, é impessoal, é deserto, é ventoso e piroso. Tem ar de novo rico. Sim a zona da expo, é o novo rico de Lisboa.

 

Não que tenha alguma coisa, contra os novos ricos. Só não lhe gosto dos modos de donos do mundo, da forma imprópria como tratam os empregados - como se quem nos serve fosse menos – da exibição de marcas – sim eu sou a que ama marcas, mas pela qualidade que garantem, porque as etiquetas, essas saltam logo à tesourada – da mania dos carros e casas xpto e pelo tom elevado que empregam, como se a conversa deles interessasse ao vizinho desconhecido.

 

Como também previ, lá estavam as alminhas chatas, mas deu para contornar a coisa, porque o Pedro, mais uma vez, provou ser um amigo e pêras. Não vou à bola com estes melgas, porque meteram naquelas cabecinhas, que eu sou uma bomba inteligente e querem sempre discutir comigo política, factos históricos e outras pérolas igualmente entediantes. Pois sim, não andam longe da verdade, o que não quer dizer que me apeteça divagar muito além de coisas, assim mais inteligentes, como sapatos, perfumes e biquínis e, quem sabe, evoluir para a maledicência pura e dura.

 

Mas sim, no geral foi bombeiro, até porque depois Pierre et moi, demos uma de povão e fomos alucinar para o by night, enquanto os outros ficaram a discutir o futuro do planeta azul.

 

No entanto, houve ali uma coisa que me preocupou à séria. Falaram na Gripe A, mais comumente Gripe Badalhoca, e nas impossibilidades de nos deslocarmos a terras de nuestros hermanos. E aqui é que la badalhoque, torce o rabo! É que eu rumo, pelo menos uma vez por ano – e estamos numa dessas alturas - a adquirir sem dó nem piedade, lá para os lados e não é por mais nada, a não ser a taxa liliputiana de IVA praticado, que compensa muitinho no reino da perfumaria. Além de que lavo as vistas e dou um treino com os nativos no meu avançado castelhano.

 

 

 

 

Y es casi una experiencia religiosa
Sentir que resucito si me tocas
Subir al firmamento prendido de tu cuerpo
Es una experiencia religiosa
Casi una experiencia religiosa
Contigo cada instante en cada cosa
Besar la boca tuya merece un aleluya
Es una experiencia religiosa

 

© Mac às 20:01
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Domingo, 28 de Junho de 2009

95 - A VIDA EM AZUL CUECA

Agora que já assentei arraiais, já posso dar à línguinha about e brindar-vos com descrições mais esmiuçadas do nosso repasto.

 

Ontem, o nosso jantar, onde estávamos cerca de 400  antigos alunos, foi servido, por um também antigo aluno, que não vou dizer ser o cozinheiro Michel Costa, porque é chato.

 

E como eu cá gosto de coisas em grande, estou quase a mandar às urtigas todo o meu conceito de bem cozinhar e comer.

 

E que nos foi servido, hein? Pasmem-se! Fatias de pão, acho que era integral, aí com uma semaninha, não consegui apurar a que se devia aquele tom acastanhado – diria que se tivesse placa, tinha ficado ali à primeira trincadela – besuntado com uma massa verde, descobri depois ser guacamole, encimada por um naco de carne de proveniência que não desejo apurar e a terminar um espargo bonsai. Muito mal saboroso.

 

Mas, porque se reclamava tanto? Afinal tínhamos ainda mais duas variedades de nacos de pão, encimados com coisas escaganifobéticas, que continuo a não querer apurar a proveniência e igualmente mal saborosos. Na sua totalidade, três variedades de pão duro com pastas estranhas em cima.

 

Também tínhamos à nossa disposição, bocados de frango anoréxico, ou seria pinto? E batatas fritas de pacote, a saber a velho e assim para o molinho.

 

Para sobremesa, foi-nos ofertado - como quem diz posto nos narizes, porque o jantar foi coisa para 30 € por cabecinha – três tipos de miniaturas de éclairs (chocolate, café e baunilha), mini brownies e umas coisinhas redondas de massa folhada, recheadas a chantilly e nas variantes, ora bocadinhos de morango, ora bocadinhos de kiwi. E foi a salvação da pátria, eu cá comi dez coisinhas redondas com chantilly e morangos, só para não entrar em hipoglicemia.

 

Tudo muito bem regado a Joi de laranja, água do Luso e vinho de cozinha.

 

Ah! E tínhamos café feito sabe-se lá quando e guardadinho em termos, assim para o frio e com muita água. Como não me apetecia um mazagran sem limão, pedi, pronto, mandei a aluna da escola do cozinheiro Michel, fazer-nos um café.

 

Mas, como sou uma alminha muito boa, adorei a decoração zero e deliciei-me a contemplar o serviço em plástico. Isto sim, é arte, cá agora manias, pffffffff!

 

Também, não me vou esquecer, que nos foi prometido um show cooking, espalhado por seis ilhas e tivemos seis tábuas apoiadas em caixotes de cerveja e tapadas por uns panos, ou lá o que era aquilo, em que empregados – alunos da escola do Michel Costa, com higiene duvidosa - barraram as tais fatias de pão, tirando aquelas pastas de caixas, também elas assim para o porquito. Portanto tivemos show cooking de tapas. Não é interessante? Eu cá achei, nunca tinha visto ninguém a barrar pão.

 

Mas eu é que sou uma esquisitinha. Tanto vou à tasca da Maria dos Anzóis comer umas sardinhas, como vou ali ao Tio Vasco, mas tenho esta mania de gostar de comer bem. Pronto, são manias. Coisas de gente mimada.

 

Mas, o mais importante é que a Cristina confiou num antigo aluno, teve um trabalhão a organizar isto tudo e o outro atira-nos com aquela trampalhada, que nem um animal comia.

 

É que até temos pontos de comparação. O jantar do ano passado, foi super bem servido, muita variedade, uma enorme mesa de frutas e doces, bons vinhos, excelentes entradas e um óptimo serviço.

 

O que safou aquilo tudo, foram as pessoas e o ambiente que conseguimos todos criar. Pois sim, estamos ali para nos revermos, é o mais importante, mas calhando comíamos umas coisinhas.

 

E claro, a seguir o dancing 80’s, que foi para lá de giro, mas que lamentavelmente não esteve a cargo do tal cozinheiro, o Michel Costa.

 

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© Mac às 22:28
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

90 - A VIDA EM AZUL CUECA

Fui a uma conhecida loja do Tio Belmiro - não vou dizer que é a Worten, porque é chato – para comprar uma máquina de sumos. Na caixa (da Worten) e como é habitual, perguntaram-me se tinha o ticket do Parque, validaram-no naquela máquina escaganifobética e comunicaram-me ter uma hora gratuita. Como não tinha mais nada a fazer no Colombo, desci para o Parque e enfiei o cartão na máquina de pagamento, que mo devolveu, com um recado de “cartão inválido”.

 

Regressei à tal loja – a Worten – e relatei à mesma operadora de caixa, que me validou o cartão, o sucedido.

 

Operadora (da Worten): Não pôs o cartão conforme indicado na máquina de pagamentos?

Eu: Pus…
Operadora (da Worten): Não deve ter posto, essa mensagem só aparece quando o cartão não foi introduzido correctamente.
Eu: Pois, mas isso ocorreu-me da primeira vez e ainda o voltei a pôr mais duas vezes, portanto três, e continuou a dizer “cartão inválido”.
Operadora (da Worten): Então, tem de ir outra vez à máquina e carregar no botão de informações, que eles explicam-lhe.
Eu: Explicam-me o quê?
Operadora (da Worten): Como introduzir o cartão
Eu: Desculpe lá, acha que não sei introduzir um cartão naquela máquina, que é a primeira vez que o faço e que não tenho mais nada o que fazer e vou andar aqui a fazer piscinas Parque – Worten, Worten - Parque?
Operadora (da Worten): Pois, mas eu não posso fazer nada.
 
A sério, fiquei um nadinha irritada, assim um bocadinho pequenino e vi-me obrigada a soltar a antipática intragável, que ainda habita algures dentro do meu belo ser, mas que está guardadinha e me vejo compelida a dar uma soltura em situações de emergência.
 
Eu: Pode. Chame-me o encarregado da loja.
Operadora (da Worten): O encarregado não fala com os clientes.
Eu: Não!!?? Então porquê, está lá no Olimpo, é?
Operadora (da Worten): Não sei onde está.
Eu: Então chame-me um chefe qualquer.
 
Veio o chefe qualquer e expliquei-lhe o sucedido. Mandou um funcionário com o meu cartão ir até à máquina, o funcionário voltou, confirmou “cartão inválido”, foram a outra máquina escaganifobética, validaram de novo o ticket, o funcionário desceu novamente para me acompanhar, caso continuasse o erro e finalmente a máquina do Parque lá aceitou a droga do cartão.
 
Como lá diz o povo “Se podes falar com Deus, para quê falar com os Apóstolos?”. Não é bem isto que o diz, mas também não me posso lembrar de tudo quanto o povo diz.
 
E em próximas idas ao Colombo, passarei para sempre na Via Verde, mesmo que vá a lojas que me dêem Parque gratuito, porque com esta brincadeira perdi aí uns 20 minutos, vá lá uns 19, só na babuja de poupar 1€. Juro.
 
© Mac às 14:52
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

87 - A VIDA EM AZUL CUECA

Grandes queridas, é já no domingo a “Corrida de Saltos Altos”, no Passeio Marítimo de Lisboa, em Alcântara e o mínimo para poder participar, são uns sapatinhos, com salto de 7 cm.

 

Esta gente não está a ver bem no que se meteu! Por aqui, o mulherio que enfrenta a calçada portuguesa, faz aquilo com uma perna às costas, mas está bem. Além de que 7 cm de salto, não é nadinha, para quem, como eu, calça diariamente 9 cm de salto. Bonito era com saltos 11, cá agora facilidades!

 

Como seria de prever, não irei. Por nada em especial, só porque não.

 

© Mac às 17:46
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