Aqueles casais que não dão um passo sem ser em duo, fazem-me alguma confusão. Claro que há as coisas normais que se fazem a dois, fora de dúvida, se assim não fosse, mais valia separarem-se, mas aquela coisa de logo que se juntam passarem a ter as mesmas actividades, tipo, ele faz BTT, ela passa a fazer, ela adora destinos exóticos, ele passa a ir (e adorar), mesmo que até à data nunca tal lhe tenha passado pela cabeça, cheira-me a união excessiva e perda de individualidade, acima de tudo, a esforço, e se há coisa que não resulta é andarmos a fazer seja o que for para agradar ao outro na base do sacrifício.
Lamentavelmente, as mulheres têm muito mais esta tendência do que os homens, vá-se lá saber porquê, ou até se sabe, mas está bem. São as camaleoas e é vê-las a cada novo relacionamento a transfigurarem-se naquilo que pensam que o homem espera delas, e pior do que a mudança física e de actividades, é alterarem a forma de pensar, ideais e posturas de vida. Se ele se levanta de madrugada para correr vinte quilómetros, é vê-las a deixar a cama onde gostavam de pastar até à última, mesmo que isso nunca lhes tenha passado pela cabeça, se ele adora praia, é vê-las a passar a adorar, mesmo que não suportem um grão de areia no corpo, se pensam que ele espera uma boneca, é vê-las a deixar crescer as unhas, esticar o cabelo e tomar poses, se acham que pelo contrário, ele quer uma cool, vai de arrasar com os saltos e passar a gangas, jamais maquilhar-se, nem sequer passar pelo cabeleireiro. Sim, já vi isto numa mesma mulher, a cada relacionamento.
É evidente que um relacionamento tem mais hipóteses de resultar se os interesses forem parecidos, ou comuns, do que se cada um tiver interesses completamente diametrais, afinal até é também por isso que as pessoas se aproximam, mas forçar a que estes interesses passem a ser de ambos, é só mascarar a coisa. Mais tarde ou mais cedo aborrecemo-nos, já não estamos para aí voltados e depois o resto vai na cheia, afinal tudo quanto não é natural, é feito com esforço, não nos dá qualquer prazer e acaba na saturação, só isso.
Perdida no mundo dos ebooking, lifecooler e Atmosphere Hotels, é que acima de tudo estaremos sempre nós, a capacidade de nos surpreendermos, de quebrar as rotinas, mesmo as boas, e de saber viver no nosso mundo adulto, nem sempre com crianças, mas onde as crianças também pertencem. Haverá sempre dois nós, o nós em que cabe apenas ele e eu, e o outro nós, onde estamos ele, eu e as crianças. Segredo? não é nenhum, apenas preservar o universo adulto, sem deixar que as crianças nos tomem conta de todo o nosso tempo, porque muito antes das crianças, nós já existíamos e gostávamos dessa existência. Depois delas, continuámos a existir e precisaremos sempre de nos encontrar nos espaços, onde por vezes eles não cabem. No final, é saudável para todos, para nós e para nós.
Porque mascam alguns homo sapiens, pastilhas elásticas de boca escancarada, em todo o seu esplendor, hein?
Fico sempre na dúvida se são exercícios de afirmação, tipo eu sou o máximo, se é para mostrarem a dentadura, ou se é só porque ainda ninguém lhes disse que aquilo é muito feiinho, a tocar o ruminante.
Se ainda se tratassem de crianças, pronto, está bem, ainda não sabem, ou ninguém lhes disse o suficiente, para não o fazerem, mas em adultos, pois não, não é nada bonito. Ainda os há, que além de causticarem terceiros, eu, por exemplo, com aqueles esgares, acompanham-nos de barulhos salivares algo incomodativos, vá, alarves. Ainda outros, além de estalejarem alegremente a borracha, fazem-lhe balões e gestos estranhos com as línguas. Já se viram ao espelho em plena actividade? Já? Já gravaram os sons que produzem e depois os ouviram? Já? É que desconfio que acabavam logo com a maniazinha. Ora, ides mascar em silêncio, sim?
É que, assim de repente, nem os quero imaginar a mastigar um bife, quem sabe uma chamuça, desconfio que não será dos espectáculos mais apreciáveis e nem me passa pela cabeça almoçar ao pé de uma pessoa habituada a ter aquela actividade maxilar, duvido que fosse capaz de terminar a refeição.
Mas isto sou eu que não sou lá muito chegada a mastigar bocados de petróleo. Nada a fazer.
Se há matéria de que posso falar com alguma propriedade, é sobre a fidelidade dos homens giros, não tivesse eu no meu passado namoradeiro, uma quota bastante significativa de giros, que se mostraram muito aplicados e, desconfio que fiéis, se bem que esta é uma das coisas para a qual nunca se pode pôr as mãozinhas no fogo, mas, ou me enganaram muito bem e aí dou-lhes todo o mérito, ou não enganaram de todo. Se bem que não sou dada a que me passem os ditos cujos, porque sou algo espaçosa, ou seja, ocupo-lhes tanto o tempo, que nem têm estofo para regabofes e como isto não é uma escola de gueixas, há que demonstrar muita dedicação masculina, ou temos a burra nas couves, que é como quem diz, tenho mais o que fazer do que estar só numa relação.
Existe por aí, sei lá eu onde, um estereótipo de que todos os homens giros são cabroezões e ah e tal fez-me e aconteceu-me e tal e coiso. Não é bem assim. Haverá sim, os que são mais dados a saltar fora à menor contrariedade, vá, a distraírem-se com espécimes femininos diversos, pois sim, mas é só uma questão da lei da oferta e da procura. Ora, se um giro é muito cobiçado, é lógico que quando as coisas não estão lá muito do seu agrado, vá procurar quem não o chateie. Mas, esta até é uma regra a aplicar ao geral dos homens. Se nós temos um estofo fora de série para viver climas de tensão, contrariedades, problemas e tal e coiso, os homens não. É assim. Mas isto não faz dos giros uns valdevinos, ah não faz não.
O que faz dos homens uns galinhas, é a falta de neurónios e isso, minhas amigas, pouco ou nada há a fazer, mas tanto são galinhas os giros, como os feios, a questão é só da tal oferta, mais nada. Enquanto os giros têm muito por onde escolher, os feios se não traem, é porque não têm com quem. Por estas e por outras é que até confio mais nos giros, ao menos dão-nos a garantia de que é só connosco que querem estar de livre e espontânea vontade, enquanto os feios, nem sempre se sabe o que ali está. Porque os há giros e centrados nas relações, como também os há feios. Só é preciso é que haja cérebro, o que muitas vezes parece difícil, mas não é impossível e nós até temos algumas culpas no cartório, pois temos, ora não perdoamos as divagações muito mais depressa a uns olhinhos lindos, do que a um estafermo, hein? Claro que sim.
Mas existe uma espécie quase nunca abordada, os tristes do saiu-me o Euromilhões, só que esta semana não joguei. São os que não se podem considerar no grupo dos giros, porque não o são, mas um dia, sabe-se lá bem porquê, lá conseguem apanhar uma mulher de fazer inveja aos amigos, ficam convencidos de que afinal são umas grandes coisas, amiúde assaltados pelo pensamento básico “Se esta me quer, então aquela e a amiga e a outra e a prima e a madrinha e a irmã e a colega, também cá podem vir”. Erro. Se havia algum interesse, que não era de certeza algo tão físico como isso e ainda surgem comportamentos, assim para o debeloide, a coisa morre logo ali, por isso o melhor é deixarem-se de alucinações, descerem na base da rapidez à terra e concluírem que tiveram foi uma grande sorte. Ponto.
Sim, numa relação há muito mais para além do que uma carinha laroca (mas lá que é um precioso auxiliar, é verdade) e idaiadaiadaiadaia, claro que sim, eu também o sei, mas hoje era disto que me apetecia falar.
E assim se deita nas calmetas com mais um mito urbano para a sarjeta, pois é.
Volta e meia entre alguns dos meus amigos, um de nós manda um e-mail com um filme, uma piadola, uma foto, qualquer coisa que sirva de motivo e calhando andamos ali nas respostas e reenvios e em dias de grande ocupação é coisa para chegar aos cento e tal e-mails .
Ontem, o assunto versava sobre as nossas mais comuns queixas, as peúgas pelo chão, o lençol molhado em cima da cama, o eterno tampo da sanita, etecetra, etc.
E depois de uma já muito exigente lista do que queremos neles, o P. escreveu “Há homens desses, mas talvez vocês não se sintam atraídas pelo género...”
O que queremos nós dos homens? Queremos tudo, claro.
Um metrossexual que perceba do assunto, quando falamos de cremes, um homossexual quando queremos uma opinião sobre trapos, um workaholic para cuidar, um macho para nos apoiar e enfim, um atleta para nos orgulharmos e uma dona-de-casa para nos ajudar. Também é claro que nunca poderão entrar em cena duas categorias em simultâneo. Em vales de lençóis não poderá constar o homossexual, apenas o atleta ou o macho, assim como em idas às compras não poderá constar o macho, mas o atleta dá jeito para carregar ou o homossexual para opinar.
Sim, queremos tudo dos homens, mas também já somos crescidinhas e sabemos que príncipes encantados não existem, até porque do Príncipe Encantado só sabemos até ao beijo, nunca ninguém nos contou como seria depois. Mas, também não existem Cinderelas e eles não reclamam. Revelação de última hora: não reclamo dos homens. Tenho tido muita sorte e acredito, até me provarem o contrário, que eles são beras é nas bocas das que se calhar se esquecem da depilação, de umas lingeries mais picantes, de atirar com a rotina para o carrossel, em suma, das que já se esqueceram delas, quanto mais lembrarem-se deles. Cuidar de nós e da nossa auto-estima, é também uma questão de amor para com eles, sem isso, duvido que as coisas funcionem, a não ser que sejam de Escaganifobética de Cima, rodeados de uma população de 99% de anciãos, privados de televisão e net.
Porque para falarmos de trapos, cremes e sapatos temos as amigas, não precisamos deles para nada. Seria óptimo se eles gostassem tanto como nós de discutir a relação, mas muito honestamente, quando se chega aqui, já não haviam uns sinais, mas nós é que não os quisemos ver? Claro que sim. Seria bom que ajudassem na casa e com as crianças, mas a maior parte já o faz, isso já conseguimos. Queremos que deixem o tampo da sanita em baixo, mas eles poderão dizer a inversa, que o querem em cima, and so on.
O que falta à maior parte das mulheres, não é que os homens façam isto ou aquilo, o que falta é qualidade de vida que muitas têm vedada pelo orçamento familiar. Falta a empregada para apanhar as meias do chão, falta verba para ir às compras, falta tempo e disposição para o cara-metade e falta descanso merecido. Porque com isto tudo resolvido, é seguramente mais fácil ter bons relacionamentos e poucas queixas, a não ser que se tenha um feitiozinho intratável, mas aí já é outra história.
Amiga-zangada-com-o-belo-sexo: Para ter um homem em casa ou ganha mais do que eu, ou aceita, já não estou para os aturar.
Moi: Acho que estás a generalizar...
Amiga-zangada-com-o-belo-sexo: Não sei onde andam as excepções, ou se a excepção confirma a regra
Moi: Conheço imensos casais, em que calculo que ela ganha mais e são felizes
Amiga-zangada-com-o-belo-sexo: Olha, comigo não acontece, além de que ele tinha uma necessidade quase obsessiva, em mostrar que era melhor do que eu em tudo, não suportava a insegurança dele...
Também conheço um outro caso, de uma outra amiga, bastante idêntico. Terão os homens medo delas?
Será que no caso das muito bem sucedidas, independentes e muito bem remuneradas, os relacionamentos continuam difíceis, sempre que ganham mais do que eles? Estarão destinadas a ficar solteiras ou a acabarem divorciadas. Têm de continuar a optar? Quero acreditar que não, haverá certamente excepções à regra.
Desconfio é que estas mulheres estão tão voltadas para a carreira, que acabam a descurar os relacionamentos, mais por aí. É que comum aos dois casos, sei que elas frequentemente ainda estão a trabalhar à hora de jantar. Parece-me mais que o problema não é elas ganharem mais, é estarem muito ausentes, o que é completamente diferente.
Parece que sim, que os homens podem dedicar-se mais à profissão, sem por isso serem penalizados afectivamente, nem que para isso nos convençam que é passageiro e um investimento para o futuro e tal e coiso. Nós não, continuaremos a ser o canivete suíço, multi-tarefas e quejandos, impelidas a optar, a fazer ginásticas diárias para conciliar todos os papéis numa só, os de mulher, mãe, amiga, amante, profissional, dona de casa e ainda os que mais nos arranjarem, ou que afinal, arranjamos nós.
Sumulazinha para ser um Faceboquiano de sucesso, ou o Facebook para Totós:
. Arranjar uma foto de perfil gira. Não abusar nas de corpo inteiro, em biquíni ou sunga. Pronto, uma só da cara ou até à cintura. Se forem uns estafermos e não estiverem ali para de futuro combinar encontros ao vivo e a cores, peçam a alguém giro que não ande por lá. Não convém sacar da net, porque há sempre quem ande à procura de fotos para pôr nos blogs e facilmente serão descobertos. Celebridades, também não vale, nesse caso é melhor não pôr nada, o que não aconselho, o pessoal gosta de ver caras, parece que dá mais confia.
. Completem as informações do perfil. Coloquem um e-mail válido, data de nascimento, escola, interesses e muitas fotos.
. Já tendo foto de perfil e dados, agora há que Juntar paletes de gente, mesmo que não se conheça de lado algum. Nada que enganar, basta fazer uma busca a começar por uma letra qualquer e desatar a enviar pedidos de amizade. Resulta muito bem com aqueles que têm para lá de trezentos amigos, normalmente aceitam tudo. Para a coisa ser mais credível, convém que 90% dos que irão constar como amigos, sejam do país a que se pertence, os outros 10% poderão ser extra país, o que cai sempre muito bem.
. Quanto às fotos, temos várias categorias e que nos dão imenso estilo. Então, haverá que criar vários albuns:
1. O grupo das surreais: paisagens, praias ao pôr-do-sol, bocados de prédios, metades de esculturas.
2. Grupo das ramboeiras: Idas a festas, grupos em que constam muito divertidos, práticas desportivas, casamentos, baptizados. Se não constarem em nenhuma destas, também não faz mal, faz de conta que foram vocês que estavam de fotógrafo e basta incluir uma legenda, tipo “Xanxinha, Cochinha, Zé Manel, Piruças, Lolita e Augusto chez moi”, pronto percebe-se logo que estavam lá, mas que alguém tinha de fotografar.
3. Grupo das intimas: Para as de infância, adolescência, família e filhos.
4. Grupo das pessoais: Para as que aparece apenas a vossa pessoa.
5. Grupo das viagens: Aqui botem tudo quanto se lembrarem que possa ser registo extra local de residência. Vale paisagens, prédios, monumentos, vocês à frente, atrás, de lado, ausentes, tudinho.
. Dêem nomes aos albus e não os que tipifiquei. Por exemplo,
Vistas
Amigos
Família
Eu
Viagens
Ou
O meu olhar sobre a vida
Não vivia sem vocês
Os meus amores
Me, myself and I
Pelo mundo
E mais não digo, ponham os neurónios a funcionar.
. Agora há que alimentar a permanência. Enviem muitos beijinhos, abraços, músicas, façam nomeações e chateiem toda a gente. Há sempre quem retorne e vai daí, também vos enchem de you are beautiful, je pense à toi, mais beijos, abraços, almofadinhas, ursos, snoopys e hello Kittys.
. Continuando na alimentação da coisa, escrevam frases caturras no vosso estado de alma. Como até já são conhecidos, haverá sempre alguém que lá irá acrescentar qualquer coisinha. Não abusem dos estados depressivos. Ali toda a gente é muito feliz, pândega e alegre. Depois de dez em dez dias, então atiram com uma semi tristinha e o pessoal que já vos tem em conta de boa onda, vai lá e consola, deixam mais ursinhos, flores, imagens e tal e coiso. Se não tiverem a menor imaginação, esta aplicação, gera estados de alma. Ah! Também é boa ideia salpicar a coisa com um livro ou outro e tentem que seja completamente desconhecido, para que ninguém o tenha lido e vos vá perguntar alguma opinião. Passam por altos intelectuais, ficam bem cotados e ninguém chateia. Também é boa ideia escrever o filme que viram ou série que andam a ver. Os que viram só perguntam se gostámos, mais nada, portanto mesmo que não tenham visto patavaca, nunca saem para a zona de perigo.
. Além do estado de alma, publiquem vídeos do Youtube no vosso perfil, preferencialmente músicas dos anos 70 e 80. Sucesso garantido e claro que os tais amigos também vão logo lá opinar.
. Façam todos os testes de que se lembrarem e publiquem os resultados, com uma notinha extra de vossa autoria e muito bem disposta.
. Adiram também a causas, grupos e o que mais se lembrarem. O que interessa é ser interessante, mesmo que não tenham ponta por onde se pegue.
. Joguem às quintas, youvilles, máfia wars, fish world e convidem todos para jogarem também. Já estando a jogar, enviem muitos patos, perus, galinhas, candeeiros, carpetes e quejandos. Quantos mais mandarem, também mais recebem.
A música e os perfumes levam-me a identificar épocas da minha vida, locais e pessoas. Através do perfume que eu usava ou dos outros. Fica-me assim uma memória olfactiva, tanto para óptimas memórias, como para outras que seria desejável, estivessem assim para o esquecido. Como também consigo sentir e estar em determinada época através das músicas que ouvia incessantemente. Faço associações, mais por aí. Talvez seja assim, porque sempre ouvi muita música e, já agora, porque sempre me perfumei muito (mas nunca em excesso).
E hoje, entrei na perfumaria, só porque me enviaram um código promocional e como adoro pechinchas, vai de lhe dar utilidade e como parece que alguém tinha espantalhado com um frasco de um perfume masculino, veio-me logo ao cérebro um date horrível, que traçava aquele cheiro. Acho que foi das coisinhas mais deprimentes da minha vida, confesso.
Num dos meus intervalos namoradeiros, o amigo de uma amiga minha, achou por bem cercar-se da minha pessoa. Diga-se de passagem que eu não estava nem aí, mas a insistência foi tanta, que num dia de altruísmo, lá cedi e combinámos jantar. Ele era possuidor de várias coisas que eu não gosto lá muito nos homens, pronto, abomino. Perfumava-se em excesso, ao ponto de tudo à minha volta já só cheirar aquilo e pior, abafar completamente o meu cheirinho bom e de minha opção. Não vou à bola com gente excessivamente perfumada, porque considero uma forma de invasão, piorzinho só mesmo cheiros a suor e afins. Depois era muito penteadinho, acho que não havia um fiozinho de cabelo que fosse fora do lugar. O que me tenta sempre a enfiar as mãos no crânio e abandalhar, mas enfim. Também vestia impecavelmente e ao exagero, nunca uma fralda da camisa de fora, a gravata solta, nada, sempre super engomado e uma falta de pinta assustadora.
Bom, fomos jantar e já não bastando eu ter os vermelhos todos acesos, só pela falta de interesse do embrulho, ainda me brindou com uma feira de vaidades amiúde conjugada na primeira pessoa do singular. Falou dos planos dele, do que tem, do que queria vir a ter, do que faz, do que iria fazer. Eu, eu, eu. Salpicados de "és tão gira" caídos do nada e a seco, que a dada altura já me soavam a bofetadas nos meus neurónios. A sério, nem percebi lá muito bem o que estava ali a fazer. Estar eu ou um espelho, seria a mesmíssima coisa. Depois do eu, passou a amaldiçoar uma ex namorada e o que lhe tinha oferecido – tudo caríssimo e de super marcas, claro está – e a cabra e ingrata e isto e aquilo. Quando eu pensava que a coisa já não podia piorar, o meu amigo P. entrou e veio ter connosco, falámos um bocado, enquanto a alminha se mostrou aborrecida e logo que o P. se afastou, ainda me chamou à atenção. Resumindo, percorreu todo o Manual do Espanta Mulher.
E como ainda estava com ideias de me arrastar para um bar e continuar nas milongas, vi-me subitamente acometida de uma indisposição terrível, que o obrigou a largar-me em casa na maior das brevidades. Verdadinha, que não sou lá essas coisas nos teatros, mas como ele não estava ali por mim e estava era demasiado centrado nele, nem percebeu que era tudo fingido. Oras! Não era uma enorme sorte estar ali na companhia da minha pessoa? Dá Deus nozes a quem não tem dentes, é o que é.
Nos dias que se seguiram, telefonou quinhentas vezes, para saber do meu debilitado estado de saúde. Uma maçada. Se bem que se ele não tivesse telefonado, o resultado seria o mesmo, só com a diferença de agora o achar ainda mais insensível.
Pronto, foi a minha inesquecível experiência nos altruísmos com o sexo oposto. A partir daquele dia, caridades, temos pena, mas nunca mais.
E hoje lembrei-me disto tudo, só por causa daquele hediondo perfumeco. Pffff!
E também me lembrei das músicas que abomino só por estarem ligadas a péssimas memórias. Se as ouço no rádio, zuca, mudo logo de estação. Não ando cá para sofrer, só isso.
Por isso ouço à exaustão as que gosto, as outras que me levam para paragens muito boas e adoro alguns cheiros, que associo às pessoas óptimas da minha vida.
Flashada! Estou a modos que capaz de desenvolver a minha tese sobre o que os homens nunca deverão fazer num date. Vou ali pensar.
Pois que a ideia não é original da pessoa, não é. Depois de muito viajar pela blogosfera, de recolher aqui e ali, em posts e comentários, os epítetos mais foleirinhos que os homens usam com as mulheres, aqueles que não gostamos nadinha que apliquem à nossa pessoa, espertíssima, resolvi fazer uma súmula e pôr de vez os pontos nos i’s, que é como quem diz, aprendam lá um bocadinho, se não querem levar com os pés por bolçarem coisas desagradáveis, vá, irritantes e assim melhorarem as vossas convivências, interactividades e relacionamentos.
Fofinha: Faz-nos sentir a modos que almofadadas, que é como quem diz gordas. O que não abona nadinha em vosso favor, porque para contribuições ao Manual da Mulher Complexada, já nos bastam os espelhos e o nosso apuradíssimo sentido crítico, portanto não precisamos de achegas. De vocês só queremos ouvir que somos estupidamente magras. MAGRAS. Já agora, convém relembrar que neste campo, quando indagamos acerca do nosso físico e quilos a mais, as nossas questões são meramente retóricas. Ouvir um sim é desastroso, um simples não e mais nada, deixa-nos desconfiadas. Bom mesmo é soltarem um “não e isso agora não interessa nada” acompanhado de uns amassos.
Boneca: Se gostam de brincar com bonecas, ides comprar a Barbie e não chateiem. Este boneca, atira-nos para o campo das destituídas de neurónios e nós gostamos que nos façam sentir muito inteligentes.
Bebé ou baby: Nós não temos rosquinhas e não soltamos uns gugu dada, ok?
Pombinha, rolinha, pintainho, patinho, ou qualquer outro pássaro: Traduzido para o nosso cérebro, qualquer coisa entre o palerma do Calimero, galinhas e avestruzes. Estão a ver o perigo, pois estão. Se é para nos chamarem animais, optem antes por felinos, cai sempre bem, vá, leoa, gata e assim.
Bombom, moranguinha, torrãozinho, docinho, ou qualquer coisa alimentar: Entrando no reino dos produtos calóricos, a coisa também não poderá correr de feição. Para nós tudo tem excesso de calorias, ao ter excesso de calorias, engorda, ao engordar, remete-nos novamente para a balança, quilos a mais, vulgo obesidade.
Lindinha: Tudo o que termine em inha é muito mau, faz-nos sentir pequeninas e em cada mulher reside a pretensão monumento, grandiosidade e coisas assim. Aqui, podeis substituir, com pouca margem de erro, por coisas a atirar para o grandioso, tais como, avião e brasa.
Princesa: Lá está, pequenez. Se é para apelar a títulos nobiliárquicos, pois então atirem a uma rainha.
Patroa: Cheira-nos à matrona das casas de meninas que disponibilizam serviços carnais a troco pecuniário. Não mesmo. Nunca.
Moor, morzinho ou amorzinho: O inha! Calai-vos, não há nada que substitua tamanhas pérolas.
Anjo: Nenhuma mulher gosta de ser boazinha, cutchi cutchi. Ah! E Santa, nem pensar. Cosam a boca, é melhor.
No entanto, mesmo com os substitutos que sugeri, a zona de perigo continua a existir, pois elas as há, como eu, que não vão nadinha à bola com adjectivos, muito além do querida. O que resulta muito bem, é aplicarem o nosso nome ou petit-nom a torto e a direito, principalmente em momentos a dois. Estão a perceber do que falo? Claro que sim, porque não vou explicar.
E as meninas pensavam que passavam por aqui de fininho, era? Wishful thinking! Pois também os há de mulher para mulher:
Nina: Resumo de menina? Faz-nos urticária.
Miga: Resumo de amiga. Nem amiga, nem miga. Todas temos um nome, usai-o.
Querida: Pseudo tias.
Linda: Sem comentários, é melhor.
Das mulheres para os homens admito que o meu conhecimento é quase nulo, porque nunca, jamais em tempo algum, os usei e pouco presenciei o uso. Mas, puxando pelos neurónios, acho que já ouvi uns moor e quidinho. Para esquecer, mesmo. Definitivamente.
Fontes: Este post da Miss G. no Às Nove no meu Blog e comentários. Outros comentários espalhados pela Blogosfera, mas aos quais perdi o rasto, como tal, peço desculpa antecipadamente, por não poder fazer a devida referência.
Tonight I'm gonna have myself a real good time
I feel alive
And the world is turning inside out Yeah!
And floating around in ecstasy
So don't stop me now
Don't stop me
'Cause I'm having a good time having a good time
I'm a shooting star leaping through the sky
Like a tiger defying the laws of gravity
I'm a racing car passing by like Lady Godiva
I'm gonna go go go
There's no stopping me
I'm burning through the sky Yeah!
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic man out of you
Criança: Sim, mãe, lavei-me tanto, mas tanto, até usei tudo quanto está na banheira.
Moi: O quê!?
Criança: Fiz, bem, não foi?
(Cheirei-o e a cabeça tresandava a loção de higiene intima feminina)
Moi: O que pôs na cabeça?
Criança: O azul claro.
Moi: Aquele da cor do mar?
Criança: Ó mãe, o azul!
Moi: Mas porque fez isso? Não tem a sua loção de duche e champô?
Criança: Ó mãe, quis experimentar todos os fracos que têm doseador…
Moi: Mas, nem tudo o que está na banheira é para usar!
Criança: Se não usa, porque é que estão lá?
As banheiras onde habitam seres femininos, são povoados de muitas variedades de champôs, cremes para o cabelo, condicionadores, loções íntimas, gel de banho de diversos aromas, esponjas, luvas de crina, sabonetes, esfoliantes corporais, etecetra, mas cada um tem a sua utilidade e são todos muito necessários. É que os seres machos, começam na crítica, ainda em projecto de homem e arrastam-na pela vida fora. É assim tão difícil de perceber? Pronto, não pedimos que percebam, basta ignorarem, já fica benzinho. Pode ser? Agradecida.
Continuando para bingo, no tema ciúmes, ora se a definição, conceito, what else – que me esqueci de referir, foi copiada da Wikipédia, aqui – enquadra sempre três pessoas, não estará logo à partida a coisa completamente errada? Ou seja, para haver felicidade conjugal, bastam dois, então para quê arranjar um terceiro elemento?
Fiquei a pensar nisto, a tentar imaginar o que será ter ciúmes à séria, piquei os miolos ao meu interlocutor do jantaruxo de ontem, inquiri, debatemos, esmiuçámos, etecetra, mas não cheguei a grandes conclusões.
Moi: Ando para ali a falar no Cueca sobre ciúmes, diz-me uma coisa, já morreste de ciúmes por alguém?
Lui: Já, de ti (risinhos)
Moi: A sério, já tiveste? Vá lá, conta-me, preciso de elementos
Lui: Mas, agora eu sou o teu laboratório?
Moi: Mais ou menos, vá
Lui: Quem já não teve, claro
Pronto, depois deste diálogo, muito esclarecedor, falámos de coisas algo privadas, que não posso revelar por aqui. O dever de saco sem fundo, puxa-me os cabelos loiros, pois é. É que isto de ter um blog, não é sinónimo de alcoviteira, fala-barato e que tudo quanto vejo e sei, afinal sirva para mais um post ou outro.
Adiante.
Pois sim, há muitos graus de ciúme e muitos tipos, desde a grande paranóia, até ao ligeirinho por um acto, ou ausência dele, por parte de um amigo.
Como só posso falar no grande exemplo de vida, que é o meu, é da minha experiência que vou falar. Ui! Deve ter baixado uma coisa feia em mim e já dou avisos e até falo com rodriguinhos. Fantástico! Já escrevi um horror de linhas e ainda não disse patavaca.
Mas, sim, já tive ciúmes de amigos, coisas pequenas, quase infantis, tipo não me telefonarem ou e-mailarem como de costume e pronto, lá vou eu fazer a minha mini cena, já não me ligas e tenho saudades e tal e coiso. Depois fazem-me umas cócegas ao ego, dão-me uns mimos e fim. Esta é a minha experiência pessoal como ciumenta. Lamento que não haja sangue, bater de portas, puxão de cabelos, cobranças e coisas mais interessantes.
E, como já disse no post anterior, já fui alvo e não tem piada nenhuma. Os ciúmes conseguem matar uma relação, pelo menos com pessoas como eu, que têm pouco estofo para coisas chatas da vida. Por mais que se ame ou esteja apaixonado, aquilo é tão corrosivo e cansativo, que não dá gozo nenhum e faz-nos desconcentrar da pessoa, conhecer aspectos desagradáveis e ficar de pé atrás, aliás os dois pés e o que mais nos lembrarmos. E sim, muitas vezes, nem tínhamos reparado no alvo e “olha, ainda bem que me fizeste reparar, assim de repente, parece que é bem melhor do que tu”. Isto vendo a coisa de uma forma leve, porque no terreno, não é assim tão simples. Tentei ajudar a objectivar, mostrar que não havia motivo para, mas as imposições do ele ou eu, como se fosse fácil arredar amigos, como se as pessoas da nossa vida não tivessem os papeis muito bem definidos, como se fosse possível várias pessoas ocuparem o mesmo espaço, não ajudaram em nada.
Depois ainda tive situações, em que perante a minha passividade demonstrativa de ciumeiras, assisti à coisinha pouco digna da tentativa de os suscitar em mim. Infantilidades de gente já adulta, enfim.
Os que não sentem ciúmes, não amam menos e não querem menos o outro, mas talvez por força da genética, educação e uma auto estima em valores significativos, não sejam dados a estas coisas. Porque para haver ciúmes se tem de forçosamente estabelecer uma comparação qualquer, em que o ciumento automaticamente se coloca num plano inferior e se sente perdedor na comparação, seja esta autêntica ou gerada por pouca noção de que se calhar é bem mais interessante e, quantas vezes, não é realmente muito melhor, mas tende a comparar-se com quem nem sequer vale a pena.
Pois, é que no desnorteio dos ciúmes, também acontece virarem as armas para o alvo errado. Questões de estratégia. E não digo isto para atormentar ainda mais as mentes ciumentas, mas apenas porque acontece amiúde.
Mas, como não sou psiquiatra – sim, mamãe é, mas contrariamente ao que muitos julgam, não é coisa que se herde - e nunca estive para fazer a vontade ao ser inquisidor, porque prezo de mais a minha liberdade, porque não tenho de optar por pessoas a pedido de outros, porque não dou esse direito a ninguém, porque numa relação estou inteira, porque se optei por aquela pessoa é só aquele que quero, porque é rampa de lançamento para um sítio muito sujo e mal cheiroso, porque as coisas quando entram nesta plataforma, tendem a morrer.
Não me dou bem com ciumentos, não interagimos e nunca seremos felizes para sempre. Mas isto sou eu, que ando nesta vida, a perder mais do que a ganhar e não sou exemplo para nada.
Flashada! Hoje tenho outro jantar e com mais pessoas, ainda vou investigar mais um pouco sobre o tema, se me apetecer, claro está.
Tonight I'm gonna have myself a real good time
I feel alive
And the world is turning inside out Yeah!
And floating around in ecstasy
So don't stop me now
Don't stop me
'Cause I'm having a good time having a good time
I'm a shooting star leaping through the sky
Like a tiger defying the laws of gravity
I'm a racing car passing by like Lady Godiva
I'm gonna go go go
There's no stopping me
I'm burning through the sky Yeah!
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic man out of you
Don't stop me now
I'm having such a good time
I'm having a ball
don't stop me now
If you wanna have a good time just give me a call
Don't stop me now ('cause I'm havin' a good time)
Don't stop me now (yes I'm havin' a good time)
I don't want to stop at all
No sábado durante um jantar com amigos, veio à baila o tema homens giros versus gajas boas, a propósito deste post, escrito por um dos presentes e eu ainda disse umas coisinhas, poucas, porque estava acometida de uma pseudo gripe, que me estava a toldar os neurónios super inteligentes e assertivos.
“No tipo giro, o conteúdo aspiracional é tão forte que funciona como requalificador. Nas conversetas sussurradas, afirmarão, peremptórias: “mas é giro”, o que atenuará outros defeitos que possa ter (ser bronco, larilas, violento, não lhes ligar peva, etc.) e o elevará a potencial bom partido. E suspirarão… Já a gaja boa tem o seu quê de pejorativo. Ao conceito de gaja boa associa-se alguma vacuidade, senão mesmo estupidez. Dirão eles, com frequência, “não passa de uma gaja boa”, como quem diz “coitadinha, dali não sai nada”.Por isto, poderemos encontrar uma rapariga que afirme com orgulho, às amigas, que o namorado é um tipo giro, mas a inversa já não é verdadeira. Do outro lado da pista, a desconhecida poderá ser uma gaja boa, mas assim que haja algo firme falaremos dela aos nossos amigos como sendo uma miúda fixe ou uma mulher muito interessante, consoante a idade que tenhamos. Em conversas masculinas, o tema da gaja boa prestar-se-á às mesmas chacotas que os falhanços do Nuno Gomes à boca da baliza ou as bacoquices de certos políticos. E nenhum gajo que não seja um básico andará por aí suspirar por gajas boas”.
Mas passada a fase de confusão gripal, fiquei a maturar.
Então é assim,
Um namorado giro não faz parte das nossas aspirações. Porque dá muito trabalhinho. Porque se concentra pouco em nós. Porque tem demasiadas variáveis. Porque os Brad Pitt da vida são giros para olhar, tipo alta joalharia, mas não para ter. Se bem que tive namorados para lá de giros, mas não os escolhi adorar porque eram giros, calhou. Bom, que ajuda, não vou mentir, mas dá muita labuta e para coisa trabalhosa, dada a vaips e a estrela da companhia, já bastava eu. Não era preciso virem invadir-me o território e inverter os papéis.
Um namorado giro e, coitadinho, que seja mais burro do que um calhau, nunca o desculpamos com um “mas é giro”, porque as nossas amigas também sabem ver que é só giro, mais nada. Ou seja, será só e apenas uma funny face e nunca um bom partido, mais a atirar para o troféu de caça. Dependendo das motivações, serve basicamente para passar o tempo.
Se resolvemos soltar um “mas é tão giro” à laia de desculpa, significa, “o que ainda lhe vale é ser giro” ou “Eu sei que ele é estúpido, não tem uma conversa de jeito, mas para o que é serve e se ainda por cima fosse feio, nem lhe pegava”. E as amigas também percebem esta linguagem. Mas nunca, jamais, em tempo algum, quererá significar que é mais qualquer coisa, para além de giro.
Nos entretantos até somos menos cruéis. Não vos sujeitamos a chacotas femininas privadas, enquanto interagimos com o giro burro, mas todas sabemos o que está ali. Vá, se forem assim a atirar para o calhau com olhos, pois o nível de crueldade poderá atingir alguns valores sociais e psicológicos chatos, após largarmos o espécime.
Quanto aos homens, se calharam a cruzar-se mais a sério com uma boazona, claro que passa a super inteligente, super esperta, super boa pessoa e coitada, nem tem culpa do corpinho que Deus lhe deu e tal e coiso, porque ficam cheios de miaufas que os amigos também queiram experimentar. Não passa daquela coisinha territorial, tipo ela é só minha.
Resumindo: Nós somos umas lindas muito directas, vocês são uns egoístas falsos.
Depois de ler ali o post da Cristina, fiquei a pensar. Pois, ninguém é perfeito e até devia era estar a tratar de coisas assim importantes, como as listinhas de trapos a adquirir já para este Outono/Inverno, mas dou é comigo estranhamente acometida de ilações, deambulações e conclusões. Desconfio que ela é uma péssima influência. Adiante. Sim, acredito que já não somos adolescentes e buscamos relações sólidas e construtivas, ou lá o que isso possa significar. Acredito que já não nos regemos pelos mesmos parâmetros que, diga-se de passagem, ficavam basicamente pelo aspecto físico e muito pouco mais. Por algum motivo não nos lembramos de grandes conversas, que tivemos na adolescência e não é pela distância de uma década ou duas, é só porque não tinham grande conteúdo mesmo. Isto no geral.
Mas, no particular, que até desconfio já ser mais para o geral também, muitos de nós, aí a partir dos 38 anos, mais coisa, menos coisa, já com uma quota bastante significativa de insucessos, voltamos a padecer de crises de identidade e contestações, perdemos o bom senso, ou ganhamos outro, mais por aí, não sabemos muito bem o que queremos, mas sabemos o que não queremos, e acabamos a cometer grandes loucuras amorosas. E, quando abrimos a pestana linda, está instalada a segunda adolescência.
Talvez muitos de nós não tenhamos saído à séria da primeira adolescência. Talvez o que se passou nas nossas vidas, entre a primeira e a segunda, tenha sido só uma tentativa de ser adulto à pressa, talvez precoce de mais. E afinal, o que é isso de ser adulto? Talvez, por mais enraizada que esteja a monogamia, ela seja contra natura. Talvez os seres humanos sejam difíceis de contentar. Talvez a educação católica seja castradora de mais. Talvez não acreditemos tanto num amor eterno. Talvez, talvez, talvez.
Nos entretantos, a verdade é que uma relação dá muito trabalho, requer muito investimento e na maior parte das vezes é uma tarefa árdua de mais para a nossa preguiça e falta de tempo, em nada ajudada pela facilidade com que podemos encontrar tantas outras pessoas, tão mais interessantes, frescas e cheias de novidades.
Não é por acaso que o início de qualquer relação é tão bom e até dado a loucuras. Tudo é novidade e estamos tão apaixonados, tão interessados, tão entusiasmados, que não queremos mais ninguém. O que mata uma relação não é só a rotina, porque há rotinas muito boas, é a convivência, a perda do lado tão bom e o excesso de intimidade. São as cuecas pelo chão, os pêlos da barba no lavatório, os pensos na retrete, os puns, os cheiros, os ressonares - e já chega, certo? - que bem visto, nunca acontecem nos inícios. Quando andamos nos encantamentos, todos somos perfeitos e quase desumanos. Nada em nós é por acaso, ou deixado ao acaso, não queremos que o nosso lado mais sórdido, chamemos-lhe assim, venha ao de cima. Então, porque o mostramos depois? Porque de príncipes ou princesas, passamos a sapos? O relaxamento e o à vontade de mais, é que são os grandes inimigos do amor, porque, meus amigos, não há amor que resista ao que deveria ficar só pela casa de banho e de porta bem fechada e se possível com muito Haze à mistura.
Continuo a achar que um relacionamento pode ser muito bom, maduro, a rotina uma delícia, a coisa da segurança, do sexo garantido, da partilha e tal e coiso, mas desde que umas tantas coisinhas, nunca, jamais, em tempo algum, sejam dadas a conhecer.
Por estas e por outras, é que nesta segunda adolescência, queremos de volta o lado bom e se não for com aquela pessoa, será com outra, mas que acontece, lá isso é inevitável. Com sorte, ou talvez paciência, imaginação e dedicação, talvez com uma pessoa capaz de muitos começos. Claro que também os há que se mantêm em relações gratificantes e de anos. Se bem que, muitas destas se aguentam, porque é mais cómodo não dividir uma casa, não passar a viver de um só vencimento, não partilhar os filhos aos fins-de-semana, férias e que mais e medo da verdadeira solidão, que nenhum casamento pode apagar. Tudo para que a conta financeira seja a somar e não passe a dividir, mas a conta do amor, essa, em muitos casos, já foi dividida. E estou quase a cair novamente no tema da infidelidade, nos porquês, nas constatações, nos factos e que tais, mas hoje não, porque não me apetece.
Portanto, calminha é com o que vamos partilhar com o outro. Esqueçam a filosofia cor-de-rosa da partilha total. Eu cá desconfio que não passa de pura antologia de alguém demasiado apaixonado e no início de uma relação.
Ah! E no casamento católico, quando nos perguntam “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe.", esqueceram-se de uma adendazinha “nos bons e nos maus momentos”, a meu ver bastante pertinente e que evitaria muitas chatices. Digo eu, na minha.
Coisa: Olá Sue, gosto muito do seu programa e idaiadaiadaia.
Sue: Obrigada. Coisa, tem uma questão?
Coisa: É um bocado constrangedora, mas não sei o que fazer
Sue: Diga
Coisa: O meu namorado quer-me fazer um clister
Sue: Desculpe?
Coisa: Um clister
Sue: Eu sou enfermeira, já fiz muitos, tem a certeza que é isso que o seu namorado lhe quer fazer?
Coisa: Sim e preciso de saber se dói
Sue: Não dói nada e não é perigoso. Mas, porque lhe quer ele fazer um clister?
Coisa: Diz que a ideia o excita
Sue: Bom… ok… não é agradável… Coisa… e o que pensa disso?
Coisa: Se é uma fantasia dele não me importo
Sue: Sim, então faça, mas fique descansada, não dói e não é prejudicial à saúde. Vá à farmácia, compre uma daquelas bombas pequenas e façam.
E para variar eu estava a comer uns snacks, que pus logo de lado. Decididamente, esta Sue é a minha nova forma de dieta.
Mas quem é que no seu perfeito juízo tem como fantasia fazer um clister à namorada? E depois, quando as coisas sujas e mal cheirosas saírem, como é? Abraços, beijinhos e amo-te muito? Eu cá não sou de intrigas, mas aquilo vai dar para o torto, ah pois vai. Olha que bela imagem a ter… pois, pois.
Está completamente instalada a histeria da Gripe A.
Na escola do meu filho exigiram, que as crianças levem nas mochilas um gel, para que possam lavar as mãos, enquanto lá estão, aí umas seis ou oito vezes, nem percebi bem. O que até tem a sua piada, porque isso já deveria ser um hábito normalíssimo de higiene e não devido à Gripe A, mas está bem. Ainda sugeri que pusessem uma barra de sabão amarelo na sala, mas a ideia não pegou. Também não percebi porquê, se é assim que tratamos as feridas e infecções cutâneas dos cavalos, seria lógico que também desinfectassem as mãos das crianças, mas não, parece que é muito rasca, muito terra a terra, muito povo. Algumas mães sugeriram álcool. Eu cá não concordo, se o álcool estraga o verniz das unhas, também dá cabo da pele das mãos, mas cada um fará ao filho o que achar melhor. Pois sim, fui a uma parafarmácia comprar um gel desinfectante, para que a minha criança possa manter as mãos em condições de higiene.
E pronto, vemo-nos obrigados a entrar na engrenagem dos lobbies das farmácias, parafarmácias, farmacêuticas, laboratórios e quejandos.
Em última análise, tudo isto tem o seu lado positivo, talvez assim se incutam hábitos de higiene neste povo, que não prima pelo asseio. Já agora, podiam aproveitar a embalagem e sugerir que todos lavem amiúde os sovacos, partes íntimas e pés. Pronto, que tomem duche diariamente. Seria uma óptima forma de combate ao mau cheiro, sempre que dois ou mais portugueses estão juntos. Os transportes públicos, repartições de finanças e tribunais, deixariam de ter impresso aquele cheiro nauseabundo a gente, que não sabe o que é água com sabão diariamente, num país em que a água é uma pechincha. Não sei, digo eu na minha.
E eu não percebo, desculpem-me a ignorância na matéria, mas agora em Agosto, um dos meus amigos já teve Gripe A e contou-me que os sintomas são iguais aos da gripe dita normal, mas até mais leves. Ficou em casa, tomou o Tamiflu e em quinze dias estava ok.
Além de que a Gripe Sazonal mata por ano cerca de 500.000 pessoas, mais do que até agora a Gripe A. Parece-me é que estamos a lidar com projecções e muito pouca realidade e factos. Desconfio.
Minhas amigas, vão por mim. Se estão numa relação ou, chamemos os bois pelos nomes, uma pseudo relação, amizade colorida, amassos ocasionais, aquela em que à partida, ele disse uma coisa no género “tenho a cabeça muito ocupada”, ou “não estou preparado para uma relação” ou “estou muito vocacionado para a minha carreira” ou “acabei de sair de uma relação, que não acabou bem”, saltem já fora ou, se estão para aí voltadas, alinhem no mesmo diapasão, mas nunca, jamais, em tempo algum, acreditem que a situação vai mudar em vosso favor e evoluir para uma relação. Porque o que isto quer dizer é que ele não está caidinho, de quatro, a babar. Mais nada. Se ainda não ficou, tirem o cavalinho da chuva, não vai ficar é nunca.
E não quero sequer ouvir “Se calhar, vou ser eu a diferença”. Não! A diferença é logo à partida, não é a meio da viagem, ok? Fixem bem isto.
Algumas, fazem-no por desespero, porque pensam que não há homens livres, Mas no fim, tudo espremido, resume-se a pouca, ou nenhuma, auto estima. Há muitos homens sim, e interessantes e bem resolvidos e livres. E agora perguntam-me vocês “MAC, mas onde estão eles?” e eu respondo “estão por todo o lado”.
Acima de tudo e antes de quererem amar alguém, aprendam a amar-se e adorar-se, porque o amor a um homem nunca pode ser maior do que o amor que temos a nós. Isso é só para os filhos. Temos pena, mas é assim.
Temos a mania dos projectos daquilo que queremos e das empreitadas da modificação, mas raramente, ou nunca, as ganhamos e, com honestidade, isso não dará muito trabalhinho? Não seria muito melhor estarem quietinhas e deixarem as coisas acontecer? Sei lá, primeiro trabalhar e cultivar o amor ao eu e fazer uns exercíciozinhos, tipo “mas quem é que ele se pensa?”; atirar com o cartão de crédito para valores inconfessáveis de compras; desbaratar o porquinho mealheiro em cabeleireiros, massagens, perfumes e espelhos; deixar que aquele estafermo que anda a bater-se ao piso há meses, vos faça umas cócegas ao ego. Pronto, esta última não é lá muito bonita, mas também já não acreditamos na Cinderela, verdadinha? Se nada disto resultar, pelo menos, ficam tão endividadas, que durante os meses seguintes, vão ter seguramente mais em que pensar e acabam a fazer-se de difíceis, tal é a neura. O que bem analisado, nem é mau de todo, porque os homens adoram uma mulher que lhes dá água pela barba.
E sim, os homens também já ouviram coisas iguais ou no género. A diferença é que quando somos nós a dizer, não andamos ali em banho-maria. Pura e simplesmente, estamos é a despachar, porque não queremos nadinha com o macho em questão.
Sim, é verdade, somos mais honestas e caridosas. Não vos dizemos nas fuças que não vos queremos e ao mesmo tempo, não vos mantemos na coisa ocasional. Não somos umas lindas?
Disclaimer: Também as há, que dizem aquelas desculpas todas e vai de amassos ocasionais. Porque sim, porque lhes apetece, porque sabem separar as águas, mas não é desses casos que resolvi falar. Até porque com essas não há cá crises e tal e coiso.
I'm Too Sexy For My Love
Too Sexy For My Love
Love's Going To Leave
I'm Too Sexy For My Shirt
Too Sexy For My Shirt
So Sexy It Hurts
(quick "And") I'm Too Sexy For Milan
Too Sexy For Milan
New York And Japan
I'm Too Sexy For Your Party
Too Sexy For Your Party
No Way I'm Disco Dancing
I'm A Model, Ya Know What I Mean
And I Do My Little Turn On The Catwalk
Yeah On The Catwalk
On The Catwalk Yeah
I Do My Little Turn On The Catwalk
I'm Too Sexy For My Car
Too Sexy For My Car
Too Sexy By Far
(quick "And")I'm Too Sexy For My Hat
Too Sexy For My Hat
What Ya Think About That
Decididamente não percebo as tatuagens, o pessoal que se tatua e os desenhos escaganifobéticos, que escolhem. Se ainda fossem umas coisinhas com bués de classe, como a da C. - que tatuou uma mini assinatura do pai na nuca e ficou com uma pinta desgraçada e que só se vê, se ela apanhar o cabelo - ainda lá ia, mas assim não mesmo.
Agora aqueles graffitis gigantescos, cheios de labaredas, remoinhos, olhos, garras e quejandos, não me convencem. É tão mau. E não bastando os desenhos que escolhem, ainda os locais corporais, são do piorio. Elas e sempre no final das costas, tipo, sou muita sexy, a seguir só o meu rabiosque, evoluindo para uma no tornozelo também. Eles, braço até ao cotovelo e ainda os que também a perna oponente – isto não me soa lá muito bem – ou seja, braço esquerdo tatuado, perna direita; braço direito, perna esquerda.
Mas não é só as injecções de tinta na derme que não entendo, também não percebo quem se fura como se não houvesse amanhã, para enfiar objectos metálicos na língua, umbigo e o que calhar pelos caminhos, os comummente chamados piercings.
O povo precisa de orientação, O povo precisa de dinheiro. O povo precisa de educação. O povo precisa de ópio seja de que forma for. O que o povo não precisa é de se tatuar.
Grandes pirosinhas, gastem mas é o ordenado em boas colorações capilares, cortes de cabelo decentes, lipos nessas celulites gigantescas e calhando livros, informação, etecectra.
Grandes pirosinhos – agora é convosco, ou pensavam que lá por serem homens, saíam de finino? Wishful thinking! – Vá, não vão só ao ginásio para as musculações, esses braços e pernas, são um exagero; arranquem das peitaças esses fios munidos de crucifixos, cornos e que tais; esqueçam o bocado de vidro, tipo diamante, como brinquinho à Ronaldo e façam uns cortes de cabelo à homem.
Vão dar uns velhos jeitosos, vão.
Disclaimer: E não me venham para aqui os iluminados, ah e tal, as tatuagens são uma forma de ópio. NÃO SÃO! Pronto, então vão lá ouvir a Romana, Ana Malhoa e o que mais houver por aí (que nesta icónica época anual, é muito). Quando acabar o Verão, falamos melhor sobre isto. E nós pimba.
If you want my body and you think I'm sexy Come on, honey, tell me so If you really need me just reach out and touch me Come on, sugar, let me know
His heart's beating like a drum 'Cause at last he's got his girl home Relax, baby, now we are alone
Um dia um amigo disse “Traição: pequena, grande... quando é que realmente estamos a trair? Quando fazemos cenários alternativos à vida que temos? Quando começamos a pô-los em prática com maior ou menor consciência? Qual é a fronteira entre a "simples" fantasia e a traição?”
Não sei se será mensurável, traição ou infidelidade, são o que são. Já fui traída de certeza, quem não foi, mas ou não dei por isso ou não quis dar. Sempre que as coisas não me agradaram, saltei fora. Acho que é cobardia, mas não entendo o que adianta escarafunchar quando os sinais de desamor estão todos lá.
Que atire a primeira pedra quem nunca traiu, de qualquer forma e sob qualquer forma, é sempre que nos relacionamos emocionalmente com uma terceira pessoa externa ao casal, excluindo os amigos e a família, claro está.
Desengane-se quem julga que se encapota no conceito de que só há traição quando há contacto físico. Não vou ser tão rígida como a Igreja Católica que vai até ao pensamento, mas para mim, há traição à nossa cara-metade, quando trocamos telefonemas, conversas, e-mails, mensagens com teor, etecectra. Sim, parece-me que já estamos a trair. Ainda passa pela cabeça de alguém que trair é só quando se dá uns beijinhos e por aí a fora? Não julgo quem trai, quem sou eu, mas dêem o nome às situações, na vida não há limbo, ou é ou não é.
Sim eu sei, já ouvi muitas vezes a desculpa de que o relacionamento morreu. Então estão à espera de quê para ser felizes? Há uma coisa chamada divórcio. Eu sei, há muitas desculpas, os filhos, o empréstimo para a casa, medo da verdadeira solidão, não da que um divórcio poderá dar, mas a do eu. Desculpas.
Fui a uma conhecida loja do Tio Belmiro - não vou dizer que é a Worten, porque é chato – para comprar uma máquina de sumos. Na caixa (da Worten) e como é habitual, perguntaram-me se tinha o ticket do Parque, validaram-no naquela máquina escaganifobética e comunicaram-me ter uma hora gratuita. Como não tinha mais nada a fazer no Colombo, desci para o Parque e enfiei o cartão na máquina de pagamento, que mo devolveu, com um recado de “cartão inválido”.
Regressei à tal loja – a Worten – e relatei à mesma operadora de caixa, que me validou o cartão, o sucedido.
Operadora (da Worten): Não pôs o cartão conforme indicado na máquina de pagamentos?
Eu: Pus…
Operadora (da Worten): Não deve ter posto, essa mensagem só aparece quando o cartão não foi introduzido correctamente.
Eu: Pois, mas isso ocorreu-me da primeira vez e ainda o voltei a pôr mais duas vezes, portanto três, e continuou a dizer “cartão inválido”.
Operadora (da Worten): Então, tem de ir outra vez à máquina e carregar no botão de informações, que eles explicam-lhe.
Eu: Explicam-me o quê?
Operadora (da Worten): Como introduzir o cartão
Eu: Desculpe lá, acha que não sei introduzir um cartão naquela máquina, que é a primeira vez que o faço e que não tenho mais nada o que fazer e vou andar aqui a fazer piscinas Parque – Worten, Worten - Parque?
Operadora (da Worten): Pois, mas eu não posso fazer nada.
A sério, fiquei um nadinha irritada, assim um bocadinho pequenino e vi-me obrigada a soltar a antipática intragável, que ainda habita algures dentro do meu belo ser, mas que está guardadinha e me vejo compelida a dar uma soltura em situações de emergência.
Eu: Pode. Chame-me o encarregado da loja.
Operadora (da Worten): O encarregado não fala com os clientes.
Eu: Não!!?? Então porquê, está lá no Olimpo, é?
Operadora (da Worten): Não sei onde está.
Eu: Então chame-me um chefe qualquer.
Veio o chefe qualquer e expliquei-lhe o sucedido. Mandou um funcionário com o meu cartão ir até à máquina, o funcionário voltou, confirmou “cartão inválido”, foram a outra máquina escaganifobética, validaram de novo o ticket, o funcionário desceu novamente para me acompanhar, caso continuasse o erro e finalmente a máquina do Parque lá aceitou a droga do cartão.
Como lá diz o povo “Se podes falar com Deus, para quê falar com os Apóstolos?”. Não é bem isto que o diz, mas também não me posso lembrar de tudo quanto o povo diz.
E em próximas idas ao Colombo, passarei para sempre na Via Verde, mesmo que vá a lojas que me dêem Parque gratuito, porque com esta brincadeira perdi aí uns 20 minutos, vá lá uns 19, só na babuja de poupar 1€. Juro.
Não se praiou, nem piscinou, não! E o que me me apetecia ir ter à praia, com a Cristina, mas teve-se de esperar pelos meninos do Tio Belmiro - que me aparecem sempre no final do horário combinado, mas era imperioso, devido ao stock zero de café - arrumaram-se compras e pintaram-se as unhas dos pés. Até porque estava cansaduxa, à conta de uma grande noitada a alucinar umas coisas muito dançáveis.
E enquanto lacava as faneras, fui assaltada por pensamentos para lá de profundos, como a minha existência nos Social Network.
O primeiro foi o do liceu e depois seguiu-se o Facebook. Até à data foram só estes dois, mas já deu para ver que sou de revoadas nestas lides. Quando me interesso, e vá-se lá saber porque me interesso, vou intercalando a vida real com a net e é uma pegadeira, vício mesmo. Um dia, e sei lá eu porquê também, canso-me, quero mais a minha vida e desapareço. Depois volto aos bocados, mas a lua-de-mel do início já não volta. Não sou lá muito fiel aos SN, comporto-me como os que adoram o primeiro mês de namoro, mas só enquanto é novidade, assim que se instala a rotina, sem surpresas, flop!
Com o do liceu, a coisa é diferente. O universo é mais restrito, somos três mil e tal, e temos parte da nossa vida em comum, com afinidades, vivências e muitas histórias.
Quanto ao Facebook, não me interesso por aquilo, porque não sou solitária por natureza e não é ali que vou colmatar solidões, que não existem.
Porque, se é para reencontrar amigos, não é por aí. Se nos deixámos de dar, sem cortes, é porque as nossas vidas já não se cruzam.
Porque, com os meus amigos telefonamo-nos. Não é através dos SN, que combinamos seja o que for.
Porque se é para arranjar mais amigos, também não serve. Gosto dos que tenho e gosto do modo natural, humano e ao acaso, com que surgem mais amigos e conhecidos, através de amigos. Porque as amizades não se fazem a pedido, constroem-se, precisam de empatias, afinidades e vivências.
Aliás, faz-me imensa confusão aquelas pessoas com paletes de amigos, no Facebook. Pelo que já percebi, aceita-se para amigo toda a pulga careca. Eu cá não, só constam como meus amigos, as pessoas que conheço, com que partilho saídas, conversas e outros modos de contacto. Portanto, aqueles cinquenta e oito, têm é uma grande sorte em pertencer ao meu apertadíssimo e selecto grupo, que consta no universo do Facebook. Hein? Não se sentem muito especiais? Que sorte!
Depois, não tenho muita paciência para a quantidade de beijos, sorrisos, flores e abraços virtuais, que me querem dar. Se me querem fazer isto tudo, façam-no ao vivo e a cores! E que fui nomeada para most lovable person - logo eu, a queridinha de serviço! - e you are beautiful - isso já toda a gente sabe - e que sou impecável e tal e coiso! E aparecem-me um montes de homens, que não conheço de lado algum, em pedidos de amizade. Logo o termo "pedido de amizade" irrita-me, que coisinha mais foleirinha. Ora, ides engatar para outra paróquiazinha, sim?
Deve ser muito bom, para divulgação de empresas, para causas - como foi o caso da Marta - para recrutamento de recursos humanos, para divulgação de festas, mas de resto, não lhe vejo maior utilidade.
Ah! e para gente com fominha, também deve dar um jeitasso. Só que, pelo que já percebi também, ele deve haver para ali muita personagem, pessoas assim a atirar para o avatar e, após conversinha, quando resolvem encontrar-se face to face, ele deve haver muita desilusãozinha, ah pois deve!
P.S. Há lá um joguinho, o Farm Town, que amo de paixão. Mas só brinco com os meus amiguinhos, toma, toma!
Já sei namorar
Já sei beijar de língua
Agora só me resta sonhar
Já sei aonde ir
Já sei onde ficar
Agora só me falta sair
Não tenho paciência pra televisão
Eu não sou audiência para a solidão
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo e
Todo mundo me quer bem
Eu sou de ninguém
Eu sou de todo mundo e
Todo mundo é meu também
Começou ontem época de exames nacionais, com teste de Português, considerado por todos muito fácil. Professores dizem que notas vão subir e, com elas, resultados escolares vão-se aproximar das médias europeias. Estratégia que, dizem, tem vindo a ser seguida pelo Ministério. Em ano eleitoral, alunos salientam necessidade de melhorar as estatísticas.
(Diário de Notícias)
Pois está claro, baixa-se a dificuldade dos testes e temos dezoitos, tirados por impreparados. Está muito bem.
E vai ser esta a nossa massa de médicos, advogados, economistas, engenheiros, arquitectos e quejandos. Depois não se queixem, quando caírem pontes, morrerem pessoas à entrada dos hospitais e os Tribunais continuarem entupidos.
Outra gira, é os nossos Tribunais estarem muito mais céleres, não porque a máquina finalmente começou a funcionar, mas porque os portugueses não têm dinheiro para pagar as custas.
Parece que esta semana o Euromilhões vai ser, nada mais, nada menos, 43 milhões de euros. E entrevistaram várias pessoas, perguntando o que fariam se lhes saísse. E a maior parte respondeu que continuaria a fazer a mesma vida.
Já quando foi o jackpot de 100 milhões, o homem estátua da Rua Augusta, respondeu que continuava a ir para ali e a ficar paradinho – sim, eu sei, estou sempre a falar nisto, mas é que foi um momento televisivo que me marcou.
A empregada que me serve o café diariamente, informou-me que continuava a servir cafés.
Então, vamos fazer um trato.
1) Deixem de jogar, só estão a empatar as minhas hipóteses de ser riquíssima
2) Se continuarem a jogar e vos sair, não se acanhem, dêem-mo. Garanto que será a melhor acção das vossas vidinhas.
3) Se não o quiserem despachar todo, pronto, já me contento aí com uns 33 milhões.
Em contrapartida, garanto que não fico aqui a escrever. Se pedirem muito, até venho cá de vez em quando, entre voos e Vilalara, para recuperar dos jet leg’s. Temos deal?
Agora me dei conta, não comprei um trapinho, uma pecinha minúscula que fosse, durante toda a santa semana! Estranho, muito estranho… mas não tenho sido acometida de ímpetos para safaris culturais pelo comércio do burgo. O que é MUITO ESTRANHO. Até estou um bocado preocupada comigo. O que se seguirá? E se me der para deixar de tomar banho? E abandonar as depilações? Não estou lá muito descansada… o que significará este volt face?
E não! Não é solução aventurar-me pelas superfícies fechadas a ares condicionados diversos.
Não me dou bem com as famílias, que habitam os shoppings, aos fins de semana, normalmente constituídas pelo casal mal disposto – ela grita e gesticula por demais, ele faz ouvidos de mercador e vai virando a cabeçorra, a cada burra de saias que passa - o miúdo birrento e ranhoso – que trepa a tudo, sobe as escadas rolantes que descem e desce as que sobem, cola os macacos às montras e cospe batatas do Mac Donald’s, entre palmadas, risos e ralhetes, sabe-se lá por que ordem e com que propósito - a velha - que se arrasta lentamente, munida de um casaco de malha aos ombros e que vai soltando gemidos, espero que pelos joanetes doridos - e o jovem borbulhoso - com crista à Ronaldo e gel orgânico de fabrico próprio - dedicado ao desentupimento oral da jovem de bóia ao léu e piercings estranhíssimos.
Temos pena, mas não interagimos, não nos damos bem, não nos gostamos e jamais seremos amigos. Por isso, não vou a shoppings aos fins-de-semana.
Desconhecida tomada de pressa súbita: Deixa-me passar?
Eu: Porquê?
DTDPS: Só tenho isto – apontando para 2 pacotes nas mãos – a senhora vai demorar…
Eu: Pois, mas também estou com pressa.
DTDPS: Mas eu só tenho isto…
Eu: Desculpe, mas não. Se lhe der a vez, terei de passar para o fim da fila. Os que estão atrás de mim, não têm de levar com mais uma pessoa à frente.
DTDPS, tomada por uma ladainha a amaldiçoar a vidinha dela, a discursar para a populaça, que a minha pessoa tem tudo menos ar de apressada e aquilo tudo mais parecia uma interminável reza a Alá.
Eu, a fazer-me de mula.
Definitivamente, o povo dos supermercados, hipermercados, centros comerciais e quejandos, e eu não nos damos bem. Pronto, não interagimos, não nos gostamos e nunca seremos amigos.
E porque será que quando vêem uma fila, se acham no direito de passar à frente dos outros? Que maçadores