
O fim-de-semana poderia ter sido a maior maravilha dos últimos tempos, com as mesas de cabeceira já compradas na 8 & 80, claro está, iguaizinhas ao que idealizámos, esta e o Mac Man; com almoço em família ao pé do mar; ainda com os copos mais lindos ofertados pela cunhada linda, aqueles que vão ficar um estouro com a parede bordeaux; tudo com a maior constipação do mundo, que é coisa menor, quando se deu uma hecatombe de sábado para domingo: aqueles bichos horrorosos, as calorias, fizeram um ataque massivo e sem piedade ao meu pobre habitáculo que encerra o vestuário e encolheram-me as roupas.
E dei por isso porque ontem me propus enfiar os jeans, não sabia? todas nós poderemos ter vinte pares deles, mas há sempre uns de eleição. Os meus são daquela ganga à antiga, sem pinga de elastano, muito deslavados e muito confortáveis. Ora, tentei, porque com esforço passaram os joelhos, mas com muito esforço não houve nada que os fechasse. Não sei como foi isto acontecer, ainda a semana passada, ou foi na outra? bom, já não sei, sei que a última vez que os enfiei, eles serviam-me.
E isto é tudo muito triste, só porque me esqueci por uns dias que não sou daquelas enjoativas - que tenho sempre vontade de correr à chapada - que me dizem com aquelas caras alegres, que podem comer de tudo e não engordam. Eu não posso comer o que quero. Eu não posso comer O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo. Eu não posso deglutir queijos a meu belo prazer. Eu não posso beber litradas de refrigerantes. Eu sou das infelizes que por cada 100 gr. de alimentos ingeridos, ganho 1 kg de carne corporal. É muito estranho, mas tudo tem um efeito expansor, como se fossem assim liofilizados que após ingestão alargam a seu belo prazer.
Deveria ter escolhido como jeans de eleição uns carregados de elastano, agora não sofria, mas não se escolhe estas coisas que a razão desconhece, agora é o que se sabe. E o Mac Man perante o meu desespero diz-me que não estou mais gorda, piedades, é o que é. Haverá prova melhor que os meus jeans? Não pois não? Eu também acho.
Vou mas é comprar sapatos, ao menos esses nunca me traem, posso estar gorda que nem uma texuga, magra que sei lá, a verdade é que eles me vão sempre bem. Não sabia, é? Por isso é que nós gostamos tanto de sapatos.
[Porquê meu Deus!!?? Porquê!!?? Eu não sou boa pessoa, é?]
Eu acho que não sou bulímica, quer dizer, eu tenho fé na minha pessoa e quero acreditar que só gosto muito de comer todo o tipo de géneros alimentares, não sou esquisita e muito honestamente sou mais do pão com manteiga do que do foie gras, mas também muito honestamente, ambos marcham muito bem.
Pois que tinha perdido os dois quilos, já estou farta de falar neles, mas já os recuperei, agora estou tão contente com a minha pessoa que até me dei assim umas férias alimentares e ando a comer tudo quanto me apetece. É que uma mulher não pode viver ad nauseam agrilhoada na própria imagem. Também sei que daqui a uma semana vou estar gorda que nem uma texuga, vou-me culpar, vou-me torturar e volto às contenções alimentares. Até lá, vou é tirar a barriga de misérias, vou ingerir tudo quanto me é proibido a bem de elegâncias e tal, mas vou ser feliz nestas férias gastronómicas com que me resolvi brindar.
Para dar um exemplo ilustrativo das diferenças alimentares, antes quando estava interessada em eliminar dois quilos e agora, os meus pequenos almoços resumiam-se a um chá e uma fatia de pão torrado com manteiga, hoje comi dois pães com queijo de Azeitão, uma chávena de café com leite e um iogurte.
Eu sei, não é bonito, mas é só por agora, depois volto aquelas coisas sensaboronas em prol de imagens e tretas que nos meteram nas cabeças.

Andei deserta por perder uns quilos, mais especificamente, dois. Não gostava das ancas, pernas e claro a eterna bóia alojada na cintura. Diziam-me os que me rodeiam que eram manias minhas. Sim, tenho manias, mas a mim o espelho não engana e quero lá eu saber de caridades alheias.
Após uma luta sem tréguas, perdi-os. Agora não gosto de ver a cara. É que isto é tudo muito bonito, mas só aos vintes é que se pode andar a brincar com as dietas, balanças e quejandos e a cara fica sempre na mesma, se não na mesma, não se nota por aí além, a partir dos trinta se perdemos no corpo, a cara fica uma droga e fazem-nos falta as carninhas para esticar as peles e manter a cara mais nova, a partir dos quarentas, se perdemos no corpo, ficamos com cara de desterradas, que é como quem diz de anciãs com mais de quinhentos anos. Por essas e por outras, é que muitas andam a injectar substancias na face, mas eu cá como tenho miaufas para lá de histéricas de agulhas, facas e tesouras, a mim ninguém me insufla a cara. Nada a fazer.
Maneiras que vou tratar é de os pôr outra vez. Gorda Espaçosa, mas de boa cara e quero lá eu saber das ancas.

Isto de deixar o Mac Kid às oito da manhã na escola, desconfio que é coisa para me engordar a figura. É que tomo o pequeno-almoço tão cedo, mas tão cedo, que às dez o meu estômago já está a precisar de um aconcheguinho, que é como quem diz, um bolo, ou um pãozinho.
Flash potente, acho que vou comprar daquelas barrinhas de cereais filhas do demo inimigas da mulher farta.

Apetece-me tanto uma fatia, ou duas, de Brigadeiro. Também marchava uma Trouxa de Ovos, ou um Hägen Dazs de Cheescake. Escorreu-se-me também uma Bola de Berlim.
Desconfio que estou com deficits de açúcar no sangue. É isso.
Comem-se Maltesers em modo light: retira-se-lhes a camada de chocolate com os dentes, come-se o chocolate, e só no fim a bola branca filha do demo.
(hás-de dar uma velha extremamente magra, Mac Maria, 'ades, 'ades).

Não confio nas mulheres que não gostam de comer. Desconfio que têm maus fígados e não sabem viver, pronto, são umas infelizes, depressivas e fontes de muitos problemas existenciais, além de conflituosas. E tenho uma raivinha secreta às que tudo podem e nada lhes afecta o peso anoréxico, as cabras.
O normal numa mulher é adorar todas as iguarias, principalmente as que são bombas calóricas, as que têm um efeito expansor nos nossos organismos e que multiplicam, ou seja, as que para cada cem gramas de produto ingerido, nos aumentam duzentos ao nosso peso. Isso é que é normal. Como também é normal passar a vida em dietas falhadas, a recusar este ou aquele alimento que vai direitinho para o rabo, o outro que se aloja nas ancas sem pedir licença e ainda o outro que vai para as pernas. O normal é fazermos a dieta das sopas, depois a das frutas, ainda a dos legumes sem tempero, a das bolachas de água e sal e penar de fome genuína. O normal é alucinar por Pezinhos de Coentrada, sardinhas com pimentos, Trouxas de Ovos, Barrigas de Freira, Pasteis de Belém, Nutella e Puré de Batata. Não é normal recusar isto por não gostar.
Não é normal a cada alimento fazer um ar enjoadinho. O normal é sofrer e deseja-lo como a última Coca-Cola do deserto. Não é normal poder comer tudo e ainda o dizer. O normal é não poder comer nada e confessar que nos vai transformar o rabo num monte Evereste, as ancas numa parideira de doze filhos e os braços nuns chouriços.
Eu cá não sou de intrigas, mas tenho para mim que as mulheres que não gostam de comer, também não gostam de sexo. E aqui para nós, no que pegam os homens em mulheres escanzeladas, hein? É que entre aquilo e uma tábua de engomar, vai lá vai.

Nunca fazem dieta e se a estão a fazer não o vocalizam em repastos e a cada sobremesa "ai que não posso, se não dou cabo da dieta", "ai que me vai tudo para o rabo", até porque não lhes ficava nada bem.
(eu digo, mas sou mulher. nada a fazer)

Quando na encomenda feita ao Tio Belmiro, constam vários pacotes - não interessa quantos - de snacks diversos e dois litros de Häagen Dazs de cheescake, estará tudo a correr bem na nossa vidinha dietetica? Não, pois não? Eu já desconfiava.

Scarlett Johansson for Dolce & Gabbana
Estará tudo a correr bem na nossa dieta, quando passamos um niquinho de manteiga nas bolchas "estás a meio passo da banda gástrica", aquelas, as de esferovite da Bicentury, hein?
Não, pois não? Já desconfiava.

Outro género alimentício que, sei lá eu como, me apareceu no cesto daquele supermercado, os que nos berram exaustivamente de Janeiro a Janeiro e coisas assim, foi um saco de pães com azeitonas. Ó meus amigos, aquilo é bom que se farta, tão bom, que o saco trazia seis e já só lhe resta um, o da vergonha, portanto.
Não sei o que pensar da minha pessoa.
Não sei se o treinador nazi terá vontade de continuar a investir na minha pessoa.
Isto é tudo muito triste.

Os meus safaris pelos supermercados não são nadinha boa ideia, tenho de arranjar na base da rapidez quem o faça por mim. Desta vez, trouxe comigo leite condensado. Credo. Já não me bastam os sobreviventes da Páscoa, os que ainda me falta degustar, agora este creme filho do demo. Sim, confesso, adoro comê-lo – isto não e soa lá grandes coisas, adiante – às colheradas. Tempos houve em que o experimentei em bisnaga, mas não, não é a mesma coisa, o que gosto mesmo é de abrir uma lata e enquanto visiono qualquer coisa que me caiu cá nos gostos, vou comendo. Sim, eu sei-lhe todas as propriedades calóricas, também lhe sei o efeito aglutinador no meu rabo, mas não lhe sei o efeito na balança, deitei-a fora. Isto não me anda a correr nada bem, não anda não.

Anna Paquin for Harper's Bazaar
Estará tudo a correr bem na nossa vidinha dietética, quando ingerimos queijos desalmadamente e até a casca marcha, aquela que se deveria retirar, porque não é propriamente comestível, hein? Não, pois não? A mim também me parece.
[Gelado e gomas evaporaram-se qual água no deserto. Amanhã segue-se avaliação do treino ginastiqueiro, com respectiva pesagem. Bonito serviço Maria Mac]

Lanche: 2 tostas mistas, 3 fatias de Bolo Rei (acabei-o) e 2 copos de Coca-Cola.

Dia inteirinho passado a lagartar ao sol, numa praia perto do burgo. Nove banhocas, intercaladas com protector solar, acelerador, dois gelados, sumos, saladas e café. Estive tentada em atirar-me ao terceiro geladinho, mas temi repor o quilo que consegui abater. Ah! E não se atrevam a sugerir coisas no género "ai e tal, estavas era com mais roupa numa das pesagens", porque isto é uma vitória e, quase sempre, só ouço o que me convém.
Espreguiçadeiras à minha direita:
Possidónia de trazer por casa: Fazemos agora quinze dias aqui e depois vamos ‘pó Monchique.
O dia podia ter começado bem, mas tem caminhado num evoluir que não me agrada. Ontem passei o dia na praia. A água estava para lá de boa, intercalei protector com acelerador e conseguiram-se umas corzinhas. Depois fui jantar a casa de uns amigos e também foi para lá de bom. Mas hoje, tive a ideia louca de passar pelo ginásio e fui assaltada de mais uma grandessíssima epifania.
Estou convencida que os espelhos dos ginásios nos fazem gordas de propósito, para nunca nos acharmos bem e jamais abandonarmos aquilo de vez.
Pois sim, vou lá porque o exercício me faz sentir bem, mas calhando fulminava a bóia. Só que hoje senti-me um nadinha mais gorda e como gosto de testar os meus limites, perguntei-o ao PT. Ainda me distraiu com conversinha do estás linda querida e tal e coiso, mas acabou com um,


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