Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

a vida em azul cueca

31
Mai12

49 - JÁ FUI FELIZ AQUI


Mac

 

 

 

 

 

Como já disse, não sou muito dada a domesticidades e o meu limite para animais domésticos em casa, resume-se a um gato. Como também já afirmei, gosto de animais, mas coisas que rastejem dão-me forte nos meus fracos nervos. Nada a fazer. Mas em criança tive bichos da seda, periquitos, canários, peixes e um cão, mas nunca tive uma boa relação com os peixes, que são demasiado silenciosos e apardalados cá para o meu gosto. Nem com os bichos da seda. Tive-os porque as minhas amigas tinham, assim como roí as unhas, porque as minhas amigas roíam. Também escarafunchei no nariz para sagrar, porque elas sangravam por dá cá aquela palha. Aos sete anos achava muito chique aquela coisa de ir para a enfermaria do colégio e regressar com algodões enfiados nas narinas. Nunca consegui jorradas de sangue, mesmo com ramos de árvores, mas investia-se amiúde na coisa. Depois percebi que não precisava de ser como os outros e fazer o que os outros faziam e passou-me. Tanto a história de querer coisas nojentas, como a de fazer coisas nojentas. Adiante.

 

Como qualquer ser infantil, tive os bichos da seda em caixas de sapatos, alimentava-os com folhas de amoreiras, mas aquela coisa de ter que lhes pegar naquele corpo frio para limpar a caixa de seus dejectos e restos de folhas, enojava-me, a piorar quando andavam para ali a fazer casulos, a tornar-se caótica quando dali saiam em borboleta. A sério, só tinha vontade de desatar à paulada aquilo tudo. Nunca tive coragem, lá esperava que pusessem aqueles ovos que se confundiam com caganitas e depois falecessem. Uma vez falecidos, guinchava pelo auxílio de um adulto que me tratasse do funeral que exigia, com os corpos em míni caixas e tudo. Isso ficou-me, a coisa de guinchar perante bichos mortos.

 

 

E pronto, foi aqui que começou a minha má relação com tudo quanto rasteja. E a boa com sapatos.

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D