
O oposto do amor não é o ódio, é a indiferença. Se perguntarmos a uma criança qual o oposto do amor, muito provavelmente responderá que é ódio. Uma criança só sabe que é muito amada, ou muito criticada, da indiferença, nada sabe.
Por isso, sim é verdade, quando desamamos, não odiamos, isso ainda é amor, um amor torto, mas uma forma de amar. Para odiar é preciso gastar tempo e energia. O ódio precisa de dedicação. Como o amor. Quando desamamos, ficamos indiferentes. Já não queremos saber se tomou a aspirina para as dores de cabeça, se saiu bem agasalhado para o frio, se demora ao chegar, se dormiu bem, não queremos saber. Isso é a indiferença. Não querer saber. E no não querer saber não há lugar para o ódio.
Do ódio. Sei que odeio a chuva, que me molha os cabelos. Odeio o frio, que me dói. Odeio pizzas de entrega em casa, que me sabem à caixa onde vêm. Odeio homens que não gostam das mulheres e as maltratam. Odeio gente que trata mal os animais. E abandona os seus velhos. Isto é o que odeio. E odeio a minha barriga. Para odiar é preciso querer saber. Só isso.
Por isso, sim é verdade, quando digo que não quero saber, é só isso. Não quero saber. E no não querer saber, nada lhe cabe.
[porque às vezes é preciso explicar, assim a mentes menos esclarecidas, que adorariam que ao menos um odiozinho bonito da minha pessoa fofíssima lhes restasse]



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