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a vida em azul cueca

19
Set17

207 - A dona de casa perfeita(mente desesperada)


Mac

 

 

 

 

 

 

Estou que não me aguento das cruzes, andei a arrumar o anexo, porque um destes dias vai ser deitado abaixo e estava cheio que nem um ovo. Deitei fora, arrumei e reconverti. Tenho uma capacidade brutal para juntar inutilidades.

 

Sabem aqueles terrenos baldios onde toda a gente se lembra de ali abandonar todos os tarecos que não quer em casa e que rapidamente se torna numa lixeira, porque se dá aquele fenómeno muito latino do “se o vizinho despejou ali os sofás com os braços partidos, eu posso deixar lá o bidé rachado?". Cada vez que vejo um terreno desses, acho aquilo horroroso, primitivo e pouco cívico. Mas a verdade é que tenho sempre um terreno baldio em casa, por mais que tente ser super organizada, com a diferença que em vez de ser um terreno, é uma divisão e não lhe chamamos baldio, aterro de tarecos (tudo quanto já não serve; tudo quanto tinha a certeza que seria super útil, mas afinal não serve para nada; tudo quanto temos vontade de deitar fora, mas não temos coragem; tudo quanto afinal fica para um dia arrumar), aterro de inutilidades, antecâmara do lixo, que é o que é, mas chamamos carinhosamente de divisão da barafunda, que um dia vamos arrumar. E até se dá o caso de um dia arrumar, o problema é que parece que a divisão dos tarecos se tornou uma coisa imprescindível e assim que arrumo uma, trato de desenvolver uma outra. Devagar, devagarinho, uma coisa lá, depois outra e mais outra e quando dou por mim, está instalado o novo aterro de inutilidades.

 

Mas isto requer alguma ciência, não é qualquer parte da casa que serve para estes fins, logo a começar pelo sótão. O sótão não presta para atirar com coisas para lá, porque dá trabalho. Dá trabalho puxar as escadas, levar com carradas de pó, aranhas e cenas na cabeça e subir carregada de coisas. Portanto não serve. Para o sótão só vão as coisas bem pensadas, acomodadas e bem envoltas em plásticos, que um dia vão servir aos netos e bisnetos. Portanto para aterro de porcarias só servem divisões que estejam à mão de semear. Olha esta tábua de engomar partida, deixa cá largar aqui, pode ser que em repouso ela se regenere. Ah e esta camisa toda desbotada, espera, há ali um saco com roupas para fazer panos de limpeza, que nunca vou fazer, mas que me fica tão bem nas intenções.

 

Por aqui começámos logo no dia em que nos mudámos para esta casa. Todos os caixotes que continham coisas chatas de arrumar, coisas que não nos apetecia ter, coisas que tínhamos vontade de nos ter esquecido e coisas que não nos faziam falta, ficaram logo nos caixotes, naquele que iria ser o quarto dos brinquedos. Depois juntei-lhe estendais partidos, uma aparelhagem avariada, colchões insufláveis que não tinha pachorra de esvaziar. Em minha defesa, estava grávida e mais vocacionada para o quarto do bebé.

 

Quando resolvi fazer o quarto dos brinquedos (2 anos depois), jurei que jamais teria uma situação idêntica. Arrumei tudo quando estava encaixotado, deitei coisas fora e passei o que achei que ainda poderia ser útil para o anexo do jardim. Há que entender que os colchões insufláveis não são fáceis de esvaziar, que uma máquina de café avariada precisa dos ares do campo para se recompor e que utensílios de jardinagem partidos têm de ter uma segunda oportunidade. Pois.

 

Passados 4 anos, cá estamos nós. Passei o que se aproveita para a arrecadação da cave, esvaziei os colchões insufláveis, as bóias, os coletes e o golfinho, deitei fora o que não interessa e o coiso.

 

Daqui a 4 anos falamos. Adeus.

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