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a vida em azul cueca

30
Nov12

10 - AI CORRORI, OS MEUS OLHOS, OS MEUS OLHOS!!!


Mac

 

Ele há vidas muito interessantes, há, há. Alguém após tomar conhecimento que esta aqui leu Corin Tellado, deu-se ao trabalho de criar um e-mail e escrever-me uma carta de amorrr. Eu sou parola. Ai que ninguém lê Corin Tellado e denuncias de onde realmente vens e o coiso. Oh céus, oh terra, é o escândalo, a vergonha. Vexem-se, além de Corin Tellado, li Crónica Feminina e a Maria. Gosto de rótulos. Gosto muito. Fiquei foi sem saber bem como rotular quem me escreve às três da manhã. Com um e-mail falso. Quer dizer, não sei se é falso, mas com aquele endereço, eu cá não me atrevia a candidatar a nada no mercado de trabalho.

 

E eu nem sei se me ria, se chore num pranto desesperado. E se eu for parola, qual é o problema? É que eu não consigo alcançar a gravidade destas preocupações. A sério que não.

 

 

Não é que seja importante, mas já agora. Oh pah, aos dez anos não tinha dinheiro meu para ir comprar revistas. Pois. Quem as comprava eram as empregadas dos meus avós e pais. As criadas, era assim que se chamava. Era assim e não era, ao contrário do que muitos pensam, uma relação laboral de inferioridade, era a salvação de muitas miúdas. Trabalhar em determinadas casas era a certeza de um futuro melhor. Se eu concordo que a solução de vida de muitas miúdas com pouco mais de dez anos, era trabalhar como criada, já são outros tantos. Se eu acho que é uma vida boa uma criança trabalhar em vez de estar na escola, não acho, mas tudo isto são outros tantos. A realidade era esta. E eram miúdas que começavam novinhas nas casas, eram ali acabadas de criar, por isso se chamavam criadas. Normalmente mantinham-se como internas até casar, depois passavam a externas. Isto no tempo de avó querida. Durante a minha infância e parte da adolescência ainda havia empregadas internas em casa dos meus pais e tios. Ainda há de alguns. E não se chamam criadas, porque entram adultas para as casas. Adiante, que já me perdi do cerne da coisa.

 

E tal e tal e depois do jantar, tantas vezes tomado na cozinha, porque os adultos não nos queriam na sala, enquanto lavavam a loiça, nós líamos as revistas que elas compravam, as Corin Tellado e similares, as Crónicas Femininas - o que eu gostava da Crónica Feminina com aquele papel a cheirar a petróleo e toda ela em castanhos - e as Marias, e eu, a minha irmã e as minhas primas adorávamos aquilo. Era delicioso. E era seguramente bem mais divertido jantar na cozinha, do que na sala. 

 

Mas pronto, eu não vinha para aqui contar isto, ai a facha e o coiso e o coiso. Mas eu gosto de viver neste país com uma percentagem significativa de gente que disserta sobre o desconhecido com uma posse que não lhes cabe. Gosto deste país em que se inverteu tudo, em que há coisas de que não se pode falar que cai o Carmo e a Trindade. E gosto de um politicamente correcto tão fabricado. Se não for por mais nada, é divertido.

 

 

E pronto, vou pensar com carinho no meu passado vergonhoso, prometo que hei-de descobrir mais vexames, apesar de achar que vergonha é andar a chamar nomes aos outros, porque sim. E a criar e-mails na falta de melhor o que fazer na vida. Às três da manhã!!??

 

 

Andor, a circular e a pensar em coisas elevadas, vá.

30
Nov12

34 - É SEXTA-FEIRA, LAILAILAI


Mac

 

 

 

 

 

 

 

A minha noção de conforto diário começa pelo pequeno almoço em família. Sabe-me bem começar os dias entre planos, projectos e comentários sobre este ou aquele assunto. Ou ficarmos calados, como hoje, em que a noite foi aos bocados, ora acordava o bebé e eu ia vê-lo, ora o Mac Kid nos aparecia no quarto, ora outro acordar do bebé e foi o pai. Vá lá que não acordaram ao mesmo tempo, sempre é melhor cuidar de um à vez. Acho eu. Sempre que a noite é feita em fases, quase não falamos. Também é confortável saber um pequeno almoço em silêncio. Há silêncios muito bons. Os nossos são muito bons. 

 

Ou o outro pequeno almoço, o dos fins-de-semana, o que às vezes conseguimos levar para a cama. Raríssimo, mas por isso mesmo tão bom. Invariavelmente a acabar com os filhos em cima da nossa cama, a debicar o pão com manteiga. Aos pulos. A enrolarmos-nos. É a nossa festa do pijama. 

 

Segue-se o meu duche. Sabe bem. Isso e pensar. Penso muito no duche. Foi ali que encontrei solução para o aparentemente insolúvel. Acho que é o som da água que funciona como o parto em que nasço todos os dias. E sabe bem a toalha aquecida.

 

 

E as cores. Muito branco nos lençóis. E cinzento. Muito branco na casa. E na vida.

29
Nov12

10 - CROCHÉ, COLAGENS, TRICÔ, FILET, BRICOLAGE E COISAS ASSIM


Mac

 

 

 

 

 

 

Acabei de ter uma coisa do divino, assim um epifanado. Estava eu a contemplar estas criações alheias feitas com livros, segundo os yankees, vintage books, santa ignorância, há lá para um europeu vintage books, um book é um book, é coisa para respeitar e jamais cortar, tenha 200 anos, 100, 50 ou 1 ano, quer dizer se for de sodona MRP pode-se recortar, mas também se passa por um vexame ah e tal tu leste MRP? E uma pessoa tem que se justificar como se tivesse andado a ler as Corin Tellado, que li ambos - ai que fui tão feliz aos dez anos a ler as Corin Tellado à socapa das tias e avós queridíssimas, se elas sonhassem que aquelas coisas entravam nas casas delas, era o degredo, a ostracização, o belzebu e isso - mas eu cá sou uma intelectual do mais fino possível, até porque tenho como premissa conveniente que para criticar, temos de conhecer. Adiante. Dizia eu que vi isto e acho muito engraçado, mas vou fazer disto com listas telefónicas. Assim como assim já ninguém as usa, já repararam como diminuíram de volume, dantes ainda serviam como armas de arremesso, ou para embrulhos das castanhas, ai que saudades das castanhas embrulhadas em folhas da lista branca, agora só servem para estarem para ali, pronto, para trocar pela do ano seguinte, mais nada. Assim têm serventias diversas. Logo a começar é uma actividade gira para fazer com o Mac Kid, depois ah e tal preciso de um canalizador, olha aqui o Zé das Canalizações enviado pelo Pai Natal. Só tenho ideias boas.

29
Nov12

32 - DIZ QUE SIM


Mac

 

Diz que os Depeche virão em Julho de 2013 e diz esta que os irá ver e ouvir. Com toda a atenção. Sim, já me esqueci desta falseta. Bom, não esqueci, mas o tempo ajuda. Cura muita coisa.

 

 

[agora lembra-te lá de te fazeres substituir pelo Miguel Ângelo. olha, essa, filho, essa nunca esqueceria, Xutos ainda vai, agora o morto vivo da pop, o estou de saída e não volto, mas volta sempre, credo, vai-te catar. vai-te ca-tarrr]

29
Nov12

72 - COISINHA MAI LINDA, RIQUEZAS DE SUA MÃE


Mac

  

Esta mãe cedo aprendeu a cantar coisas sem nexo, frases sem sentido, coisas parvas e de cara alegre. Não interessa nada para o caso se canto pessimamente, para os meus filhos lindos, eu canto lindamente, quer dizer, eles gostam mesmo é de me ouvir, também não convém alargar-me num trinado, se não a coisa corre extremamente mal. Mas pronto, esta mãe canta tudo e quase alguma coisa e quando não fixei a letra, componho na hora, só tem que rimar, porque se não rima, eles não vão nisso, portanto desde que sou mãe transformei-me numa poeta popular. Até já pensei em fazer uma colectânea daquelas que se arranjam para o Natal com os meus êxitos caseiros, mas depois achei que seria vulgarizar as minhas coisas intimas. Adiante. Ora uma mãe canta tudo, mas agora apareceu-me esta música no Panda e bebé mais lindo exulta em vocalizações alegres e todo ele se meneia, mas eu, vá-se lá saber porquê, tenho problemas em cantar-lhe isto,

 

 

toda a gente faz xixi

o menino e a menina,

lailailai

29
Nov12

63 - DA BIPOLARIDADE DE CADA UM, SÓ CADA UM SABE


Mac

 

 

 

 

 

Há dias, aí uns 364, em que gosto de saber que aqui à frente está o mar. Sempre gostei do mar, do cheiro do mar e do azul do mar, no Verão, no Inverno, de madrugada, ao fim da tarde e à noite. Gosto de mar. Mas depois tenho dias em que me dá para a tragédia e ocorrem-me tsunamis, ai jasus, ele está demasiado perto. Sim, sou dada a fazer produções autónomas de grande qualidade humana e ficcional. Depois penso, cala-te cérebro ignorante, isto é o a-tlan-ti-cooo, o atlanti-cooo é amigo. Consola-me que seja o Atlântico, apesar de confiar tanto nele como no Pacífico, mas pronto, como até se tem portado benzinho, pelo menos melhor do que o Pacífico, lá sossego.

 

Depois aparecem-me notícias em que o homem, neste caso, a mulher mordeu no cão e eu acho que os meus medos de esquizofrénicos não têm nada. 

 

 

E pronto, agora vou fazer mais uma produção independente, assim que o Natal afinal é Carnaval, ou isso.

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