Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

a vida em azul cueca

28
Fev12

38 - O MEU (LONGO) PÓS PARTO, CAPRICHOS, DÚVIDAS BIPOLARES E COISAS ASSIM


Mac

 

 

 

 

 

 

Mãe querida, mal abriu a pestana, foi enfiada interna nas Doroteias e ali ficou até aos dezoito anos, para ficar no ponto daquilo que se esperava dela. Nunca a vi falar alto, nem dizer palavrões, muito menos fazer uso de calão. Espectável. Depois foi para medicina. O que não se esperava dela. Para avô querido, ainda de um Alentejo assim para o fechado, as filhas casavam e ficavam arrumadas. Grandes voos só para a ala masculina. Era assim. Mãe querida não foi nisso, bateu o pé e fez da vida dela uma coisa para além dos casamentos, filhos e horizontes tão largos como os de um lar. Depois de medicina, resolveu que iria quatro anos para a Sorbonne, e foi. E quando já não se esperava que o casamento fosse um dos projectos de vida, resolveu casar com quem ela bem quis, pai querido.

 

Da minha mãe vou sempre lembrar-me do insólito das histórias infantis que não nos contou para nos adormecer, mas das notícias de psiquiatria que nos leu, o que era importante era ouvir a voz da mãe, sim, é verdade, isso é que era importante e gargalhamos ao lembra-lo. Era importante, tê-la sob de que forma fosse e no tempo que ela tinha para ser mãe. Vou lembrar-me das minhas mãos pequeninas dentro das mãos dela, de unhas sempre impecáveis. Da beleza. De a ver dançar com o meu pai. De serem eternos namorados. Apaixonados. Da vida que soube muito bem aproveitar e que me ensinou que é aqui que se é feliz, que tudo é relativo e que nem tudo é realmente importante, excepto no amor. Da grande mulher. De nos ter mostrado que ser mãe é natural e não é a única tarefa de uma mulher, é só mais uma, calhando, a mais importante.

 

A minha mãe é única, é a minha. Não foi e nunca será o modelo tradicional de mãe e eu não saberia viver com outra, acho.  Eu, só para variar, resolvi ser outro tipo de mãe. Não é melhor e nem é pior, é só diferente. Não foi o que aprendi, foi apenas o que quis que os meus filhos tivessem. Não sei de que se vão lembrar em mim. Nem sei se é importante. Acho que só quis ser mãe, a melhor que está na minha natureza ser.

28
Fev12

37 - O MEU (LONGO) PÓS PARTO, CAPRICHOS, DÚVIDAS BIPOLARES E COISAS ASSIM


Mac

 

 

 

 

 

Às vezes dou comigo a pensar como será que um dia os meus filhos me vão olhar. Quando era criança, mãe querida tinha mais ou menos a idade que tenho agora e eu sempre a vi como uma crescida, adulta e pessoa respeitável. Nunca me passou pela cabeça que fosse mulher atacada de parvoneiras, que lhe desse para almejar sapatos assim e assado, que se passasse se o cabelo não estava lá como ela queria, muito menos que tivesse dúvidas existenciais ou fosse dada a caprichos, tpms e coisas assim. Será que era? Por exemplo, mãe querida, vestia-se como uma senhora adulta, não era este destrambelho, que às vezes consigo aparentar, nunca a vi sair para ir a um bar e tal, e mais umas tantas coisinhas de que não me apetece falar. Eu acho que não sou como ela era, assim perfeita, maravilhosa, tipo a identidade daquilo que se espera de uma mãe.

 

Mas acho que vou conseguir passar de fininho e até ter a tal imagem imaculada, só tenho filhos homens, reparam lá os homens nestas miudezas.

28
Fev12

36 - O MEU (LONGO) PÓS PARTO, CAPRICHOS, DÚVIDAS BIPOLARES E COISAS ASSIM


Mac

 

 

 

 

 

Não sei se é do cansaço que esta coisa de ser mãe nos faculta, mas desconfio que me tornei uma pessoa mais calma, até ponderada. Sei lá eu porquê, talvez finalmente tenha atingido alguma maturidade. Tudo se tornou francamente relativo, já não perco tempo com lutas que não são as minhas, nada é o caos, afinal há sempre uma solução, nada é assim tão urgente, tudo é relativo, é isso. Se calhar há mulheres em que a coisa se dá logo ao primeiro filho, outras em que nunca se dá, com outras nem é preciso esperar pela maternidade, comigo não foi ao primeiro, apesar de também com ele ter sido atacada de muitos cansaços, até mais do que agora com o segundo, mas não me tornou nesta pessoa boa e maravilhosa, quase a atingir o Nirvana. Se calhar ando apardalada e os filhos proporcionam-me um efeito Xanax, mas em versão natural. Talvez seja temporário. Por acaso era bombeiro que não fosse.

 

Acho que precisava de mais meia dúzia de filhos. Gosto da pessoa que os filhos fazem. 

27
Fev12

11 - COISINHA MAI LINDA, RIQUEZAS DE SUA MÃE


Mac

 

 

 

 

 

Aos quatro meses o meu bebé começou a primeira papa ao almoço, a Nutribén de arroz e milho, sem glúten. Gostou e lambeu os pequenos beicinhos. Estamos uns crescidos. Eu também gostei. Sim, provei, como provo tudo o que dou aos meus filhos. E agora estou para aqui a pensar na papa, acho que me vou fazer uma. Serei sempre uma gorda.

 

Quando foi do mais velho, aos quatro meses era introduzida a primeira sopa, para o efeito foi um creme de cenoura, e a papa foi lá para os cinco meses, agora parece que a sopa fica para mais tarde e dá-se papa. Por acaso até acho que tem mais lógica.

 

 

[Ah é verdade, para quem perguntou e possa interessar, visto que parece haver alguma dificuldade em encontrar, comprei a Prevenar 13 na Farmácia Morais Sarmento, na Rua Rodrigues Sampaio]

27
Fev12

119 - COISAS DE QUE GOSTO MUITO


Mac

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gosto de vestidos com efeitos nas costas. Gosto deles simples, mas se tiverem umas costas giras, pois que os prefiro a grandes drapeados e decotes e tal. Até porque diz que sou pessoa que cansada do insolúvel, as costas gosto muito de oferecer.

27
Fev12

24 - COISAS QUE EU DETESTO E ME FAZEM PENSAR QUE AINDA POSSO VIR A SER UMA INTELECTUAL DE GRANDE CALIBRE


Mac

 

 

 

 

 

Ele há dias em que sou atacada por uma sub espécie de Síndrome de Tourette, assim para o adaptado ao meu belo prazer, às situações que me apetece, quando me apetece.

 

Na boa, a sério que estou farta do discurso da machista que se tem numa conta desgraçada, da janada, que se tem numa de muita louca, tipo atirei-me de uma duna e foi um flip, acho que já só eu é que digo flip, coisas da idade, da que se refere às outras mulheres por gajas - odeio a palavra - e se acha uma masculina. Mas quem é que no seu perfeito juízo aos trinta, ou quarenta, quer ser considerada uma maluca, hein? Isso não é coisa que se usa lá para os dezasseis? Eu acho que sim. Quem é que ainda anda no discurso da negação à própria espécie, hein? Isso já não era? Conheço umas assim, vá, duas, e já é muito, pelo menos o suficiente para ter vontade de lhes esfregar as fucinhas com esfregão Bravo, o tal que me arruína as unhas, adiante, um enjoo de originalidades e afirmações tão antiquadas, como antiquadas são os motivos que as movem em frases feitas e contestações, geralmente contra a própria espécie, onde fazem gala em não se inserir, para se armarem para meia dúzia de badamecos que as convenceram que é disso que gostam. Gostam nada, pah. Isso de ser uma negação à espécie foi giro enquanto foi original, agora já é muito mais do mesmo.

 

E para darem credibilidade à sua postura estranha, vai de tratar todas as mulheres, que elas não o são, claro que não, como seres dados a tpms, elas não as têm, não, são umas bafejadas pelas hormonas, dadas a histerias, elas não as têm, claro que não, isso é coisa de gaja - odeio a palavra - dadas a dramas, elas não os têm, claro que não, até porque ter o cabelo para aqui ou para acoli é exactamente o mesmo, é extremamente cool.

 

Olha, eu cá, tenho sempre as put@s das hormonas aos saltos. Um dia gosto disto, mas no dia seguinte instala-se o horror. Quase que gosto da tpm e seus caprichos. Gosto de vernizes. Gosto de chorar em frente do espelho, porque me cortaram dois milímetros do cabelo, e reparar qual o meu melhor ângulo. Gosto de suspirar por um par de saltos assassinos. E gosto dos meus dramas. Quer dizer, gosto e não gosto, mas também não me apetece explicar quando gosto e quando não gosto. E tenho dias em que não gosto nada disto de ser mulher, odeio as hormonas e já cortava o cabelo. Tenho dias. Nada a fazer, um caso perdido. Oh que pena que tenho de mim.

 

Tenho para mim que um gajo - no masculino continuo a odiar - porreiro com um pipi, não é coisa boa, nem para eles, que não percebem lá muito bem para que serve aquele pipi, nem para elas, que não estão aqui, nem ali. 

27
Fev12

11 - CO'A BRECA, JÁ É SEGUNDA-FEIRA OUTRA VEZ


Mac

 

 

 

Do fim-de-semana . Nada de especial, com o bebé constipado, nada de esplanadas, nem saídas, adiam-se as vacinas e inventam-se outras formas de estar. Muito Frieds a rever até à náusea, gosto disto. Também pouco se sabe dos vestidos dos Oscars, que não se viram, nem os filmes, quanto mais, sim, uma pobreza. Diz que acontece a quem tem pimpolhos muito pequeninos. Eu sei-o. Isto de ir ao cinema é para outras fases da vida. Com pequeninos, quando conseguimos sair não é para nos enfiarmos num cinema, é assim, mas passa. E pronto, vou saber dos vestidos dos Oscars, tipo a mais bem vestida segundo os critérios da blogo melhor filme, a mais pirosa segundo as entendidas, melhores efeitos visuais e coisas assim.

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D