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a vida em azul cueca

20
Out16

110 - DIZ QUE SIM


Mac

Cada vez que ponho aqui ou ali, um diálogo entre a minha pessoa querida e os meus queridos filhos, há sempre alguém que me vem perguntar se os meus filhos me tratam por você. Nunca falha.


Sim. Sim. Sim.

 

Sim, os meus filhos tratam-me por você, mas usam o mãe antes, não me dizem “você quer ser minha mãe?”, dizem “a mãe quer ser minha mãe?”, e eu digo-lhes que sim, que quero. Quanto a mim, é a loucura, ora os trato por você (é o horror, o degredo), ora por tu. Se estou bem disposta trato-os por você, se estou aborrecida, trato-os por tu. Há quem grite o nome completo, quem lhes chame nomes, quem diga calão, eu trato-os por tu. Mas também posso estar aborrecida e a trata-los por você, o que é muito giro. E estar super bem disposta e a trata-los por tu, o que também é muito giro.

 


Já agora, eu nunca tratei os meus pais por tu, nem tios, nem avós, amigos dos meus pais, pais dos meus amigos, em suma, os que me eram adultos na infância. Depois cresci e continuei a tratar os mais velhos por você, assim como todos aqueles com que mantenho uma relação menos próxima, o tu, ficou para os meus amigos e alguns conhecidos, não importa qual a idade.

 

Quanto às crianças e enquanto são muito pequenas, uso o você, porque me sai mais suave, mas sem o você isto, você aquilo. Assim como não uso o menino isto, o menino aquilo. Credo, as pessoas têm nomes, são para usar. Ou seja, há o tratamento por você que eu acho que não choca ninguém e depois há o outro tratamento por você, para o qual não há pachoooorra, pelo menos a minha pachorra. Assim como até há o tratamento por tu, sem usar o tu, já o outro em que se emprega o tu isto, tu aquilo, é meio coise.


Em suma, isto começa por ser para os habituar a tratar os adultos por você e acaba num misto entre tu e você aqui por casa. Acima de tudo não os quero a tratar os adultos tu cá tu lá, porque eu não gosto que as crianças me tratem por tu, portanto, acho que não fica nada mal incutir uma que outra coisinha pouco moderninha, vá, educação.
 
É mais ou menos como aquela coisa de os ensinar a estar à mesa, se estão habituados a comer com modos, usar os talheres e isso, não custa nada que o façam fora de casa, quando não é, olha, vê-se o esforço que é estar à mesa, e isso, se não for por mais nada, é um espectáculo um bocado aborrecido.
 
E para terminar, apesar de não gostar nada que as crianças/adolescentes/jovens tratem por tu os adultos, não pergunto a ninguém se os filhos os tratam por tu, quando é evidente que tratam, vale?

 

Sim, é verdade, sou um bocado antiga. Só eu sei o quanto. E estou cada vez mais parecida com mãe querida.

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