Uma mulher vai a uma daquelas lojas de arranjos de roupa, a modos de apreçar o aperto de umas calças, coisa pouca, só um toque dos joelhos para baixo. Ah e tal são dezassete euros. Então, uma mulher pensa olhamesta, ta bem ta. Vou mas é tratar eu do assunto, ora se consigo fazer bainhas a calças e saias, também consigo aperta-las. Nos entretantos, tomada da revolta que há na mulher poupadeira, entretém-se a comentar com quem apanha a jeito, outras mulheres e isso, coisas de grande sumo, acompanhadas de pequenos desenvolvimentos e conclusões bastante actuais tu já viste, a roubalheira? Olha não madmira que isto esteja como está, caramba, ao fim de três pares de calças, já compro umas boas, com evoluções a tocar o comovente, sabes que mais? Aperto-as eu e farto-me de poupar.
Então uma mulher pega numas calças que lhe agradam bastante, mede aquilo, marca as que quer apertar e zazazaza, máquina da costura com elas, cá agora alinhavar, provar e isso, isso é para gente inexperiente, a minha falta de experiência a apertar calças, dita-me que seja afoita, se é para apertar, aperta-se e corta-se logo. Pois. E passa ao segundo par de calças e zazazaza e corta. E vai para o terceiro par de calças e zazazaza e corta. Agora só falta fazer as bainhas, xacá provar isto. Pois.
Poupei imenso, estraguei três pares de calças, cada arranjo custar-me-ia dezassete euros, pronto, posso comprar umas boazinhas.
Sempre que falo nos meus filhos, fico a pensar sobre o que posso partilhar e o que de alguma forma poderá comprometer o futuro deles. Acho que sei onde está a linha, mas não tenho a certeza se consigo fazer um exercício de futurologia suficientemente bom, de forma a não deixar que se desenrole um filme de qualidade duvidosa. Sei que não ponho fotos deles com as caras visíveis (e como tantas vezes me apetece, pessoas, como me apetece, que eles são lindos). Sei que não conto nada de específico e fico-me por esta ou aquela característica comportamental. Raramente conto uma gracinha e ainda menos descrevo este ou aquele dialogo com o mais velho, porque do pequenino não há grande coisa a assinalar, nem me parece que quando houver, o faça.
Só que um dia posso estar distraída, ou não estar a ver como poderei vir a prejudica-los, e vai daí lanço para o cíber uma graçola que um filho disse, aparentemente é inocente, inócua, mas tem tanta gracinha. Agora vamos supor que um dia, esse filho já tem uma posição profissional e alguém vai buscar isto e aquilo que a mãe andou a espalhar por aí. Pois.
É que eu cá lembro-me bem como detestava quando mãe querida contava coisas minhas às amigas, ou lhes mostrava fotos minhas. E não era propriamente a net.
De uma coisa tenho a certeza, não temos o direito de expor a sua identidade e intimidade, principalmente porque eles não são vistos nem achados. Será que um dia vão gostar de se ver espalhados na net? Acho que vamos ter de estar preparados para isso. Ou não os espalhar.
[a propósito disto, via Quem sai aos Seus]


E como sou dada ao ajuntamento de pulseiras sem ordem, resolvi junta-las numa só, aliás como já tinha feito no passado Verão, é prático, em vez de estar para ali a por pulseira a pulseira muito devagarinho, zás, pego numa, enfio-a no braço e já está. É uma grande poupança de tempo (not).
[e já deito missangas, míni contas e isso pelos olhos, portanto além de estarem em bico, também estão nauseados, agora há mais daqui a um ano, ou quando não me lembrar como isto é coiso]


Em adolescente adorava ir à Casa Batalha da Baixa comprar missangas e contas para fazer colares e pulseiras. Gostava imenso daqueles armários cheios de frascos e eu sempre com vontade de trazer tudo. Nessa época não precisava de agulhas especiais, nem de óculos, era só enfiar conta atrás de conta e fazer coisas para me enfeitar, agora é uma miséria, mesmo pondo os óculos, mas pronto, lá se vai acertando com o fio de nylon naquele micro furo. Concluo que aqueles hippies, ou lá o que são, que aparecem no Verão a vender coisas destas, têm muito boas vistinhas.
[estou com os olhos em bico. Literalmente. PDA]

A minha túnica já chegou. É da Cool, Soft & Chic da minha muito querida Teresa. É linda, é boa e tem uma cor fantástica. Amo-a. E, pronto, claro que já estão debaixo de olho mais umas coisas de lá.


Refiz um colar de bolas de prata indiana, portanto daquela que não vale nada, que não tinha piadinha nenhuma, era só uma fiada de bolas que ficava justa ao pescoço, portanto só o enfiei de uma forma diferente. Depois já que tinha rolos e rolos de fio encerado, resolvi aproveitar umas contas que não tinham aplicação que se visse.
E refiz os outros dois de baixo, que já os tinha feito aí há uns três anos, mas algumas aplicações estavam estragadas do uso, vai daí, renovei-as.
Quando esta mãe vai à casa de banho, deixa a porta encostada, porque os meus filhos lindos ficam atacados de urgências, sempre que ali me apanham, são quinze segundos, pessoas, quinze segundos, sim, já lhe fiz a média, mas são quinze segundos muito tensos, esta mãe entra na casa de banho para uma coisa humana e os filhos lindos pregam-se-me à porta, um ó mãe isto é muito urgente, o outro mamamama e pronto eu só encosto a porta, porque com a porta encostada não há nada urgente, nem mamama, mas depois vem o gato, entra e escancara-me com a porta, este é outro que não me deslarga e vai que a minha empregada ia a passar no corredor e eu sentada, mas muito composta, sempre muito composta e mesmo assim um dia filho maior berrou-me incrédulo a mãe não tem pilinhaaaaaaaaaaaaaa, coitadinha da maiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii e eu expliquei-lhe que as meninas não têm esse importante acessório, mas ele tinha três anos e passou a comunicar com um ar algo combalido a tooooda a gente com que se cruzava coitadinha da mãe, não tem pilinha e pronto eu passei a ser a mãe que não tem pilinha, adiante, estava eu ali muito composta e passa também a minha empregada, olha para mim e diz assim ah a senhora está na sanita, e vou eu e digo, sim, para mim é um acto público.
Toda a gente me vê sentada ali naquele sítio, tooooda a gente. Não há condições dignas para continuar a exercer a profissão de MTI (*). Eu tenho a minha dignidade. E os meus direitos.
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(*) Designação roubada à minha amiga Rita, Mãe a Tempo Inteiro.

E montei tudo na mesa da cozinha, mas depois achei assim ah e tal isto está a demorar um bocado, é melhor levar as coisas deste colar num tabuleiro, sento-me ao pé de filho pequenino e vou fazendo. Filho pequenino começou então a depositar pequenos pertences no meu tabuleiro. Ah isto está a correr tão bem, até me sinto zen, continuei eu a pensar. E até dissertei comigo e tudo, estou habituada a ter desenhos no meio dos meus documentos, legos no prato onde vou comer, o Winnie the Pooh na minha banheira, o pato na minha almofada, danço zig zagues entre carrinhos, bolas, bonecos e figuras que desconheço, espalhadas pelo chão, vejo televisão através de um ecrã com dedadas e pasta de bolachas, encontro a chave do carro no balde dos brinquedos, e o meu pente, as minhas revistas e livros já encontraram novos lugares e vidas no chão e em frangalhos, o mouse está roído (ironia das ironias), a minha mala é uma espécie de cavalo de baloiço, portanto é normal ter a Ellie no tabuleiro com as bolas para o colar. Hmm isto está mesmo bom.
Depois vi-me grega para encontrar o início do fio no tubo, então pensei ah olha é já um post sobre a temática quântico problemática do início do tubo, mas sempre zen, nada de nervos e isso, vai daí fotografei a nail com o tubo, para ilustrar a boa temática. E depois as mãos pequeninas acharam por bem puxar o tabuleiro e catrapum, todo o conteúdo espalhado no chão. Depois esta de gatas a catar bolas rolantes, antes que filho pequenino achasse boa ideia pô-las na boca, mas sempre muito zen. Depois filho pequenino agarrado a um alicate. Depois esta a tirar-lhe o alicate, zen, já se sabe. Depois filho pequenino aos berros. Depois esta aqui a consolar. Muito zen, já disse?
E depois vou aproveitar a sesta dele para continuar o colar. Zeeeen.
Montei a parafernália dos alicates, tubos com arames, fio de nylon, fio encerado, elásticos, correntes, caixas com divisórias onde estão as missangas, contas e bolas de diversos tamanhos, cores e feitios, fechos e isso, e fazem-se colares e pulseiras. E já que estava com a mão na massa, desmontei alguns que nunca usei, porque me foram oferecidos e não fazem o meu género, que não sei bem qual é, mas também não interessa, outros que comprei a achar que sim e afinal não. É de aproveitar, porque aquilo dá tanto trabalho a desarrumar, como a arrumar, maneiras que é bom que valha a pena. E é isto.

Acordei às 6.30, ninguém merece, filho pequenino achou por bem começar o dia, eu não, mas eu não conto, depois fui à janela e vi um céu azul ah ca bom, está Primavera, depois vi o meu vizinho a passear o cão munido de um colete de penas ai ca exagerrrro, depois o filho pequenino afinal continuou a dormir, mas eu não e o meu vizinho continuou a passear o cão. Depois fui buscar o pão, hmmm ca frio, filho pequenino continuou a dormir e o meu vizinho a passear o cão. Preparei os pequenos-almoços, papas e isso, tomei banho, vesti-me, voltei-me para os camisolões, não há condições de bom tempo, nem de melhoria. Rastapartam. E diz que ainda vai piorar. Olha, túnicas branquinhas, folharuscas e isso, lá para o regresso do calor. Que contrariedade, pessoas, em finais de Maio e ainda agarrada a roupas quentes. Depois tomei o pequeno almoço com o meu marido. Gosto disto dos pequenos almoços juntos, não gosto de manhãs a correr, nem que para isso tenha que me levantar com as galinhas. Ah é verdade, já não ouço o galo a cantar, acho que foi para fricassé, coitado. Acordei filho grande, vestiu-se, tomou o pequeno almoço e os da carrinha tocaram à porta, acordaram-me o filho pequenino, e filho grande foi para a escola. Oito da manhã, ainda são só oito e está tanto frio. O meu vizinho voltou a passear o cão. Ou continuou? Olha, não sei, só sei que o vejo sempre a passear o cão. Alguém aqui é muito stalker, corrori, mas também não estou a ver quem é. Acho que as minhas crianças dão menos trabalho do que o meu vizinho, mas a minha opinião não conta.
[foi o boletim meteorológico possível]

Sempre que passo no sítio do antigo Estoril Sol, penso sempre no motivo que alegaram para o tirar dali ah e tal vai abaixo porque desfeia a baía e tal, e isto que está lá agora, põe-na muito lindinha, então não. Ai que piscinadas tão boas que ali fiz e tantos tralhos dei, depois de me pendurar da estátua do homem com o peixe da piscina dos infantis. Acho que todas as crianças se penduravam da estátua, se fosse hoje, teríamos uma data de manifestos contra uma estátua no meio de uma piscina para gentes pequenas, mas pronto, eram outros tempos. E o pronto socorro do hotel funcionava muito bem. O Atlântico também já se foi, também tinha uma óptima piscina, não tão boa como a do Estoril Sol, mas sim, fazia-se bem, só que o Atlântico nunca me foi icónico.

As minhas flores não têm o frio que eu tenho. Para as minhas flores é Primavera, para mim não. Tenho frio, nem com casacos de malha deixo de o ter. Linda Primavera esta.
Nop, afinal não me fico com o Bloglovin, virei-me para o Feedly. A importação do GR foi facílima, tem um sistema de pastas facílimo de organizar e mostra-me os textos completos, coisa que no Bloglovin não descobri como parametrizar, ou não tem, mas se não foi fácil de descobrir, não me interessa. É que aquela coisa de só mostrar parte dos textos, obriga-me a andar de blog em blog e eu não tenho vida para isso.

E ontem experimentei a variante de morangos do Bolo de Iogurte, que por acaso ficou bem bom. Só sei fazer Bolo de Iogurte, é o único que me sai sempre bem, já expliquei, maneiras que faz-se Bolo de Iogurte com mais aquele e o outro e o outro sabor, quer dizer, sai-me bem aí em 70 % das tentativas, é uma boa estatística, excepto naquele dia em que o tirei cedo demais do forno, ainda no outro em que deixei a farinha a bater e aquilo enqueijou, não interessa, mas pronto, aí em 70% das tentativas, sai-me um bolo, isso é que interessa. Ah e também só o sei fazer na Bimby.
. 100 gr de morangos
. 5 ovos
. 1 iogurte de morango
. 300 gr de açúcar
. 110 gr de óleo
. 160 gr de farinha
. 1 colher de sopa de fermento para bolos
. Alguns morangos para decorar
Pré-aquecer o forno a 180º C. Triturar os morangos na v5. Deitar no copo os ovos, açúcar, iogurte e óleo e bater 5 mn na v4. Juntar a farinha e o fermento, e 15 s v3.
Untar uma forma com margarina e farinha. Deitar o preparado na forma e levar ao forno por 40 mn.
Quando o bolo estiver frio, decorar com morangos.
Quanto à co-adopção por casais do mesmo sexo, um dia aqui, já bradei ao mundo a minha opinião sobre a adopção.
Agora o que me faz confusão é opiniões destas (via Leididi, é seguir os links deste texto bom que sei lá). A sério, e o que dirão estes opinantes sobre as crianças maltratadas e violadas pelos próprios pais? É que homossexualidade não é sinónimo de pedofilia, mas vá-se lá explicar isto a certas pessoas. Olha, era como os russos, no tempo da guerra fria, diz que comiam criancinhas ao pequeno-almoço, os malvados. Pois.
Ora como já é sabido o Google Reader vai finar e eu de vez em quando experimento um leitor de feeds. Nenhum se compara ao GR, mas isto sou eu que tenho uma certa resistência a mudar do que gosto, o que não ajuda à tarefa. Nesta última semana, andei a experimentar o Bloglovin e estou a gostar. A importação do GR foi facílima e é bastante intuitivo. Fica a sugestão.
Bom, não fui eu que descobri, foi a Teresa que me falou na Milk & Beach e eu fiquei logo de olho numa série de kaftans e túnicas. Para início de conversa, atirei-me a esta. Adoro-a. E agora vou ver de mais umas coisas por lá.
E onde está o manual, hum? Num site que para aceder aos conteúdos é preciso pagar. Olha, chamo o técnico, é capaz de lhes sair mais barato. Ele é que disse que se eu não soubesse fazer aquilo, vinha cá e não pagava nada. Olha, poupastes no papel, queres lecas para o cliente ficar autónomo, pumbas, gastas no gasoile que é bom.
Quem instalou a placa solar nesta casa, disse-me assim ah e tal, vou-lhe programar isto para quando não houver sol, a parte eléctrica entrar em funcionamento e não deixar de ter água quente, mas quando vir que há muitos dias de sol, desliga este botão, não vá ela estar sempre a puxar pela electricidade e é um consumo muito grande. E esta respondeu, está bem, diga-me qual é o botão. Vai ele, é este e depois para voltar a ligar à electricidade, sempre que há mais de dois dias sem sol, programa assim, não sei o quê para as oito da manhã, roda para aqui e programa outro arranque para as oito da noite. Vai esta e diz, ah já percebi.
Não percebi nada. Tivemos uns dias de sol e esta sempre na coisa da poupança de electricidade, caem-se-me as pestanas do susto com aquelas facturas, resmas delas, adiante, dizia eu que numa de poupar qualquer coisinha, vai de desligar a cena eléctrica da coisa. O sol desapareceu e agora não sei ligar aquilo. Hoje pela manhã houve duches de água fria. Tão bom.
E o manual? Ah o manual está na net, claro, que agora somos modernos. Acho bem, poupa-se no papel, abate de árvores e isso. Acho mesmo. Mas vamos colocar um suponhamos, e se não tivéssemos net? Olha pois é.
Filho pequenino está apaixonado pela Xana Toc Toc.


Acho que nunca tinha pintado as nails de branco, Cream Puff, dizem elas, a mim lembra-me o saudoso corrector, mas está bem. Não sei bem se adoro, ou detesto. É um bocado coise, mas está bem.
Fazer com fome as compras de supermercado online, é uma experiência bastante abrangente, vá, pavloviana. Também alarga o léxico de pesquisa. Estou para aí há dez minutos à frente da página dos molhos. Parece-me que os quero todos. Agora vou ver as gomas. E também me lembrei da palavra snack.
[é no que dá um almoço de uma folha de alface]
[in loco seria muito pior, muito pior, ele há os cheiros, as texturas, as embalagens apelativas, as promoções e isso. e olhos gulosos]
E depois os engraçados da crítica com as suas vozinhas histericoestridentes (fui eu que inventei), dizem-me aquela coisa pobrezinha ai que falta de sentido de humoooor, assim como se os que não acham piada a críticas parvas fossem uns desvalidos de espírito. E eu que venho do futuro olha, pois é, não tenho sentido de humor. Não tenho. E por que é que eu tenho de achar piada a achincalhamentos disfarçados de um genial sentido de humor? Não tenho. Acho piada a outras coisas, vá-se lá saber porquê. É que quando o sentido de humor se baseia a fazer de uma pessoa o bobo da corte, é demasiado medieval para o meu gargalhar. Lá está, muito à frente. A sério que me irritam qualquer coisa, todos os que para ter piada precisam de pegar em alguém.
Eu acho, porque acho, que quando dizemos uma piada, ou temos um género de humor que não interessa a ninguém e ainda esperamos a validação alheia, e a coisa não funciona, o melhor é estar caladinho. Como mãe querida dizia, se não tens nada de interessante, bom, ou válido para dizer, então fica calada. E eu às vezes até acato estes saberes.
Sugestão: Pessoas cheias de gracinha, experimentai graçolas, sem colar nada a ninguém, em desespero, a si, a ver se assim nos rimos todos. Boa?
[mais uma vez, não, não é comigo, mas isto há coisas que me causam borbulhas cerebrais]

[imagem via Pinterest]
Olha que ideia tão gira para a iluminação da cozinha.
Sofro de um síndrome estranho nas arrumações. De repente, ou não, acho que uma coisa ficaria melhor noutro sítio, ando a pensar nisto durante dias, porque é ali que me dará mais jeito. Mudo-a e a partir do momento da mudança, cada vez que preciso dela, procuro-a no sítio anterior, onde já não está.
Agora foram uma série de talheres de servir à mesa, que estavam numa gaveta que não me dava jeito. Mudei-os para outra que acho muito mais lógica, mas de todas as vezes que preciso de algum deles, é à antiga gaveta que vou procurar.
Isto e arrumar qualquer coisa, tão bem arrumada, tão logicamente arrumada, que depois me vejo doida para a encontrar. Tinha para ali o fecho de um colar que se partiu, andou a pastar cinquenta dias em cima da bancada da cozinha, até que o arrumei naquela de ainda o aproveito e aqui ainda se perde. Pois. Não tenho a mais ténue ideia onde o arrumei.
Tenho dificuldade em desprogramar.

Aí desde os meus quinze anos que sou adepta das Fitas do Bonfim. Enchia o pulso, só um, para não parecer uma mulher amarrada, geralmente o esquerdo, com quatro ou cinco fitas, e os tornozelos, só um, para não parecer uma mulher atada, geralmente o direito, por oposição ao pulso, até houve anos que também usei no pescoço. Era muito desejo a concretizar. E foi assim em quase todos os Verões da minha vida, excepto naqueles em que resolvi ser uma pessoa séria, constituir família e ser tomada como pessoa chique, coisas que ocorrem lá para os vinte e tal, quando acabamos o curso e achamos que somos muito crescidos, muito sérios e muito respeitáveis, portanto, uns malas. O que vale é que passa. Isso de ser mala. Quer dizer, geralmente passa. E também passa a coisa de achar que há uma força qualquer no universo para nos satisfazer desejos. Adiante.
Aqui há um par de anos, deu-se-me um fenómeno pops e voltei a pôr uma no tornozelo direito, que me quinou com a máquina de depilação, quando inadvertidamente passei por cima da fita, máquina essa que tinha para fazer as depilações em férias, porque nunca aguentei aquela coisa dos intervalos da cera, e também me valeram sempre uns ai que andou outra vez a fazer a máquina, isto está tudo trocado, agora temos de usar uma lâmina até ficar no ponto da cera. Acho que foi por isso que me vi obrigada a fazer o laser. Isso e já não ter paciência para aquela cena mensal, apesar de me dizerem que em velhas os pêlos caem naturalmente. Também não tive paciência para esperar. Velha quero cá eu saber dos pêlos, nem os vou ver.
Gosto muito daquela cena dos três desejos que esqueço sempre, e depois atirar na sétima onda a fita rebentada naturalmente, ou com a ajuda duma pedra pomes, quando já estou farta de ter um trapo agarrado à minha pessoa. Acho muita piadinha às cores e a andar toda enfeitiada. Mas sempre me afectou a psique a coisa de me esquecer dos desejos, até houve um ano que os escrevi num papel. E perdi o papel. É como o Eurocoiso, jogo convicta que um dia vou ganhar aquilo, apesar de não acreditar, mas acreditar. É assim uma mescla de acredito sem acreditar, ou não acredito acreditando. Cá coisas minhas.
Nesta casa há taparueres sem tampas e tampas sem taparueres. Também há meias sem par, molhos delas, que eles são três. Isto, parecendo que não, denota qualquer coisa, mas não estou a ver bem o que é. Talvez se caminhe para os sapatos desirmanados. Isso dá-me visões de chechesisse. Isso e guarda-chuvas com varetas espetadas.
Das séries. Agora estou numa de Da Vinci's Demons, a par com Game of Thrones, 30 Rock e Modern Family, que me amofinou bastante quando a mudaram da Fox Life para outro canal, que não sei qual é, porque quem trata das gravações nesta casa, é o meu marido. Também resolvi rever o Black Adder e Sex and the City.
Isto para dizer o quê? Ah já sei, que nunca aconselho ninguém a ver nada, nem a ler, nem a ir. Isso intimida-me, até porque não tenho saco para o retorno daquilo que supostamente aconselhei, que não aconselhei. E se não gostam? Depois tenho que os aturar. Olha, não. Isso e aquelas pessoas que estão sempre na crítica alheia, que fígados, senhores, mas que fígados, adiante, como se isso as fizesse melhores, não esquecendo que automaticamente se estão a colocar num patamar supostamente melhor. Acho que se chama vácuo. Não têm mais nada para dizer, pronto, debitam críticas e mais críticas. Não, não é comigo, mas não preciso que as coisas sejam comigo para não lhes achar piadinha alguma. Não, não acho piada a isso de maus fígados. Lembro-me sempre de uma conhecida, que nunca passou a amiga, que eu cá nessas coisas dos amigos sou bastante selecta, só tenho para amigo quem gosto, quero bem e me interessa como pessoa, adiante, dizia eu, que passou uma pessoa nos meus amplos conhecimentos que só comentava esta e aquela e o outro, a sério, pessoas, aqueles que nunca me contam de si, não me interessam. E eu ainda lhe dei várias hipóteses, tipo, olha e tu como estás? E ela dizia assim, estou bem, olha soubeste o que aconteceu ao Sicrano? E eu que nem sabia quem era o Sicrano ficava assim meia coisa. Depois, num outro dia, dizia-lhe ah e o que tens feito? E ela dizia olha, nada de especial e viste o que a Beltrana tinha vestido? E eu que tinha visto, ficava assim coisa. Olha, não me interessa gente assim.
Ai, mas espera, como é que eu agora relaciono isto com o que comecei por dizer? Uma coisa assim, não tem nada a ver? Eu é que sei. Pronto, e deixo ao critério alheio a relação entre as coisas. Liberdade, pessoas, trata-se de livre pensamento. Vivei e deixai viver. É isto.



≈ Também ando por lá
≈ A.
≈ Afonso, o cão de loiça e Julieta, a pessoa
≈ As Maravilhas da Maternidade
≈ Aventar
≈ B.
≈ C.
≈ D.
≈ E.
≈ F.
≈ G.
≈ J.
≈ L.
≈ Leite Condensado às Colheradas
≈ M.
≈ O.
≈ Os Anjos Voam Porque se Fazem Leves
≈ P.
≈ Paracuca
≈ R.
≈ Rititi
≈ S.
≈ T.
≈ V.
≈ ... e aqui
≈ Addicted to Style [Maria Barros]
≈ ... e por aqui
≈ AdR
≈ M&A
≈ Rio Etc.
≈ Stylista
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Retirá-la-ei imediatamente.