tempo . e silêncio . era só do que precisava . tempo para ler . para um pequeno almoço mais calmo . ou só ficar mais dez minutos na cama . em silêncio . não é nada disto . se tivesse esse tempo . gastava-o num duche mais demorado . gosto de ouvir a água . e deixar que o som funcione como o parto em que nasço todos os dias . depois . depois farto-me do tempo . e do silêncio . preciso deles . quero-os tantas vezes . reclamo-os . mas é só aos bocadinhos . não os quero para a minha vida . quero-os a eles . os meus homens . sempre . e é assim que eu gosto disto . é assim que sempre quis .

Senhora-doutora-empregada: A senhora não acha que o menino dorme demais?
Esta-já-a-vê-la-como-um-pigmeu-anão-desf
Senhora-doutora-empregada: Pois, mas só come e dorme, eu se fosse à senhora preocupava-me, o G. aos três meses já só dormia duas sestas.
Esta-a-ver-se-não-lhe-dá-um-tiro-entre-o
Senhora-doutora-empregada: Não estava a dizer isso, até o acho bem arrebitadinho, quando está acordado
Esta-a-pensar-que-arrebitadinha-ficas-tu-s
Senhora-doutora-empregada-cada-vez-mais-e
Esta-a-deixar-de-a-ver-de-todo: É, claro que sim. A pediatra mandou-me beber bastante vinho tinto, misturado com Xanax.
Nunca tive paciência para os tarados do desenvolvimento das crianças. Não tenho saco para fazer comparações entre o filho desta e da outra e os meus. Só sempre me preocupei, nem isso, estive foi atenta, a que fizessem isto ou aquilo na idade própria, mas sem stresses. Se o filho da não sei quantas andou aos quatro meses, olha ainda bem, se o da outra se sentou aos dois, ainda melhor, se o outro já está na faculdade aos dez, ok tudo bem na mesma. Não lhes auguro sobredotadísses. Não lhes exijo que sejam as pernas, os braços e a cabeça do que não fui. Não quero. Não os quero com cargas que não são as deles.
Quero que sejam felizes, realizados e que tenham saúde. Acima de tudo que sejam eles. Genuínos. Falta-me o saco para corridas de cavalos com crianças. Isso e ter pressa que cresçam. Não tenho.
Mas, pronto, isto sou eu nesta minha mediocridade latente, num país com um sobredotado por família.




E o que é esta merd@ destes rabazolos dependurados? Olha se era para isto, não tinha andado a evitar alguns vestidos enquanto grávida, que se me empinavam para lá da conta, afinal parece que até é moda andar toda mal enjorcada. Haja paciência.
Giro, giro era convencer as fechionistas que é moda arrancar os saltos aos sapatos de salto alto. Isso é que era, vê-las por aí em equilíbrios giros, agora isto, pronto, é só parvo.




De vez em quando vou ali ao site da Zara ver como param as modas e confesso que fico sempre aterrada com a forma de apresentação das roupas. Plo amor da Santa, o que é aquilo? A sério, aquelas modelos parecem-me qualquer coisa de amish, que em nada favorecem as roupas, muito menos apelam à compra. Tenho para mim, que o que vale à Zara, é nós sabermos que há muito mais nas lojas e lá vamos investigar, porque se tivesse apenas loja online, não sobrevivia.
(E estas pecinhas estão aqui debaixo do meu olho clínico)

Como parti na demanda do Peanuts, o Peanuts encontrei e o Peanuts encomendei. Não sou um ser belo por dentro e por fora? Eu sei que sim. Pois que fui à WOOK, a Meca dos livros e lá estavam eles, quatro dos não doze, mas vinte e quatro livros da colecção, que esta aqui que vos escreve arrebanhou com gula. Ao que parece, aqui neste cantinho à beira mar plantado, ainda só foram editados quatro volumes. Pronto, é melhor do que nada. Ainda vou esperar uns tempos, se de todo não forem editados os restantes na língua de Camões, vai em britânico. Queria-os em português por causa do Mac Kid, mas bem vistas as coisas, o inglês dele já é muito bom, portanto nem se me põem grandes questões existenciais.
E se a FNAC não tem, a WOOK tem, com a grande vantagem de poder encomendar e depois receber tudo em casa. Ah e ainda outra vantagem, não pôr os pés em antros de perdição das bookaholics, filmaholics, serialaholics, softwareaholics, gadgetaholics e tudoaholics, visto que sofro de um fenómeno psicológico bastante agudo, que resulta em comportamentos anti-sociais com recurso à compra por atacado, ou seja, arruíno-me. E depois não me chega para coisas extremamente importantes que visam decorar o meu ser belo, tipo sapatos, vernizes e perfumes.
Bom, verdadinha que nas compras online também não me porto lá essas coisas, aquela coisa de chutar com apenas um clique, coisas para o cesto de compras, também não é lá muito amiga do meu problema, mas faz de conta que sim, que me ajuda muito a refrear certos e determinados comportamentos.


E está para aqui uma mulher concentrada na sua cintura ausente e aparece-me esta fresca da Olivia, e pensa com profundidade intelectual olha-me esta.
Gosto muito do casaco dela, ó minhas amigas, por acaso alguma de vós sabe onde há a preços convidativos, tipo € 3.99? Ui, é verdade, não me podem responder, desde que me armei em opressora dos desvalidos da blogo e silenciei os anónimos. Paciência, hei-de descobrir.

Acordei a pensar que me apetecia muito ir ver as modas, aproveitar o resto dos saldos (que detesto) e dar-me um dia assim entre roupas, sapatos e afins, até calcei uns sapatos de salto alto e tudo. Entretanto lembrei-me que já só devem restar serapilheiras, após a invasão das abelhinhas fechionistas. Também me lembrei que a minha barriga está a precisar de ser violentada, maltratada e ginasticada, até se encolher de vergonha, a vaquinha, não sei é quando tenho assim um intervalinho entre alimentações para deixar o meu bebé ao cuidado de terceiros, sem ficar atacada dos nervos e o coiso. Até porque me chateia andar a tentar acertar com uma aula e com amamentações para no fim me sobrar um minuto e ficar toda dorida, a doer já eu ando. Doem-me os braços de muito embalo que dou e doem-me as costas de muito colo que dou.
Por acaso acho que os ginásios, além das aulas pós-parto, deveriam instalar berçários com câmaras, assim levávamos os bebés e enquanto fazíamos uma aula, íamos vendo. Claro que teríamos instrutores sensíveis a interrupções por dá cá aquela palha. Acho que estão a perder um nicho de mercado cheio de potencial, mas é lá com eles. Quem é que não fica satisfeita com o corpinho que adquiriu de repente, hein? As jovens mamãs. Quem é que precisa de arejar a cabecinha, hein? As mamãs de pequenos pimpolhos. Quem é que precisa de conviver com os seus pares e trocar cromos, hein? As mamãs desesperadas. Eu cá, seria uma boa cliente, assim é o que se sabe, enquanto não conseguir largar o meu bebé, já chutei com as coisas estéticas lá para as calendas.
Acho que vou tirar os sapatos, que isto de andar em bicos de pés para não bater com os tacões e acordar o bebé, já me fez o exercício necessário às chichas em excesso.



Quero e quero e porque quero. Adoro BD. O Mac Man adora e o Mac Kid também. E falta-nos muito de Peanuts. A verdade é que ainda só consta um volume e pelo que já contei na Amazon, são aí uns doze, mas se fizeram a edição de todas as tiras, reunidas em volumes com dois anos e se pensarmos que há Peanuts desde 1950, ainda faltam muitos. Na FNAC só me aparecem quatro e ainda por cima esgotados. Acho que me vou lançar na demanda do Peanuts. Pois.

E depois olho para o meu bebé, tão pequenino, e eternizo-o nos três meses que ainda tem, em centenas de fotografias que lhe tiro. Depois vou ver as outras centenas que tirei ao irmão, e mato as saudades do irmão quando era mais pequenino, ainda o é. Não me importo que os filhos cresçam, gosto deles em todas as idades, mas tenho sempre saudades deste primeiro ano deles. Falta-me o cheirinho. Tanto, que quando alguma coisa lhes corre mal, queria-os de volta para a minha barriga. Ali, onde sei que tudo estava bem.


Sou daquelas mães que faz demasiados filmes pessimistas de qualidade muito duvidosa. Bom, acho que todas as mães fazem, umas mais, outras menos, sou das que fazem mais. Assim um bocado psicótica, se não psicótica, psicadélica. Pronto, sou uma mãe psicadélica. Gosto de ter os meus filhos debaixo dos olhos, perto do coração e onde os braços os alcancem. Espero saber dar-lhes liberdade, quando for caso disso, bom, liberdade é um conceito vago e pernicioso, conquista-se, não se tem por dá cá aquela palha, devo querer dizer espaço, é isso, espaço. Mas enquanto não for preciso, estive cá a pensar e decidi que vou fazer de uma sala que está vazia ao lado da lavandaria, um enorme quarto de brinquedos, a evoluir mais tarde, para uma sala de adolescentes. A adolescência aterroriza-me qualquer coisinha, aquela mania, que já tive, que os adultos são uns palermas antiquados, velhos e tontos, que não sabem nada da vida, aquela coisa do era preciso chegarmos nós aqui para vos mostrar o mistério da vida, aquilo das identidades de grupo e as temíveis experiências parvas.
Parece-me boa ideia investir num espaço, onde possam estar a ouvir toda a tarde a mesma música com os amigos piolhosos, fazer uns lanches com os guedelhudos e guedelhudas todos, dar umas festarolas para o borbulhame e tirar os ténis fedorentos, sem que alguém os chateie e tal. Parece-me boa ideia. Ainda por cima como é mesmo ao lado da lavandaria, posso lavar muita roupa e ir estendendo aos bocadinhos, assim como quem não quer a coisa, um lencinho agora, daqui a meia hora um lençol, vai mais um bocadinho e uma camisola, lailailai.
Isto da liberdade, ou espaço, calculado (por mim) agrada-me, não parece assim tão controlador como isso, mas até é. Liberdade controlada, parece-me é muito bem.
“Life is like a coin. You can spend it any way you wish, but you only spend it once.”
- Lillian Dickson

Acima de tudo, o que me deixa coisa nesta coisa das vacinas retiradas do PNV é perceber, ainda mais, que este Estado para quem descontamos um bocadão, se preocupa mais em andar a tremer o rabiosque em carros pipis, do que com a saúde do povo que o sustenta.
E se queremos as nossas crianças vacinadas contra coisas tão graves como a meningite C, ainda pagamos mais, ou seja, temos de as comprar. Não acho justo. Não acho justo que com aquilo que descontamos, não lhes chegue para nos proteger os filhos, naquilo que nos é mais precioso, a saúde deles. Não acho justo que tantas famílias se sacrifiquem, para lhes faltar o básico. E o que fazem as famílias que não as podem comprar? Não vacinam os filhos, está visto.
Chateia-me saber que a saúde das crianças deste país é para este Estado uma roleta russa. Chateia-me saber que a vacina do papilomavírus, que inicialmente não estava incluída no PNV, apenas foi incluída, porque seria impopular de mais que estivesse apenas ao alcance de algumas famílias. Chateia-me saber que não é a saúde que está em primeiro lugar.
Ah e tal, o Estado não é teu pai. Pois não, se fosse, não fazia de uns filhos e de outros enteados. Ah e também não nos levava tanto, para depois tirar ainda mais.
Ontem fui ao Centro de Saúde para as vacinas dos três meses e fiquei a saber que o Plano Nacional de Vacinação foi alterado, ou seja, tiraram a da meningite, que passou para os doze meses, com uma toma apenas, em vez de três doses. Ai que estudos do Ministério da Saúde apontam que o vírus está erradicado e que não são necessárias três doses da vacina da meningite e que as crianças agora a levam apenas aos doze meses e nhanhanha. O coiso, é o que é, fizeram foi cortes orçamentais.
Como o bebé tem agora a consulta dos três meses, vou pedir a receita da Prevenar 13 e Neisvac para as comprar, não vou esperar pelos doze meses, é que nem pensar, ou acharão estas almas que a meningite não se apanha antes dos doze meses? O caracinhas.

Não gosto de contrafacções das ditas grandes marcas, para mim a coisa anda ali no querer parcer a low cost, o que não é bonito. Ou se tem, ou não se tem. Aquela coisinha de evidenciar marcas para parecer um status que não se tem, soa-me a imposturice. Acima de tudo o que se deve procurar nas marcas é a qualidade dos materiais que lhe é inerente, coisa que é impossível encontrar num produto de imitação e mais nada.
Mas como algumas peças são incomportáveis nos valores que atingem e desde que não exibam o logo da marca em grandes parangonas, se posso comprar na Zara a capa em creme, que vi da Tia Chloé, ou o cinto preto com taxas douradas do Tio Guy Laroche, que até estão muito bem feitinhos e em materiais bonzinhos, e com menos um zero no preço, pois que me faço de sostra e agarro-as.
Bem visto até embarco numas imitaçõezinhas, porque gosto do design, mas desde que não queiram parecer o que não são, acompanhadas de etiquetas e logos que não lhes pertencem.
(Ainda ando para perceber como é que a Zara copia descaradamente os criadores, sem que lhe caiam em cima, mas está bem. Diz que como é dificílimo, ou quase impossível, patentear peça a peça, e desde que não se faça alusões ao criador com logos e o coiso, então pode-se copiar, sem ser penalizado. Será? Eu já lá vi de todos um pouco, desde uns sapatos D&G, à tal capa Chloé, o cinto Guy, até uma mala Marc Jacobs, e ao questionar uma das minhas conhecidas por frequência na loja, ela confirmou-me que sim, que as peças eram muito parecidas. Muito parecidas é um epíteto, iguais é o que é).

Foto tirada daqui
Gosto do blog da Chiara, eu e mais uns milhares, porque se é para ver fotos de outefites e saber das modas, ao menos que seja com qualidade. Gosto, porque além de peças Zara e H&M, a chata da Chiara sabe mistura-las com acessórios e outras peças de óptimas marcas, é que se é para ver blogs com falta de ideias estampadas unicamente em exclusivos Zara, Primac, Blanco e afins, olhem também vou às lojas, vejo as montras e a coisa está feita.
Bom, dizia eu que fui ao blog da Chiara e hoje ela passeava-se com uma Chanel Cambon comprada na E-Bay. Eu tive a minha fase E-Bay. Enfiei barretes, dei utilizações alternativas ao que comprei e achei que tinha encontrado o El Dorado das malas, sim, mais do que de sapatos eu adoro malas e prefiro ter poucas, mas muito boas, e nem precisam de ser de uma marca cocó, só não precisam de ser farsolas, pronto, é daquelas coisas que aos meus olhos, podem fazer uma roupa estupidamente gira, ou arruína-la por completo. Adiante. Dizia eu que tive a minha fase E-Bay e o coiso e o coiso e que comprei muita porcaria, pois foi, punha-me a licitar coisas que nas fotos pareciam verdadeiras e giras, e na volta do correio recebia contrafacções e brindes. Depois aprendi que o melhor é só comprar a power sellers, como se diz no léxico deles, numa eloquente tradução, vendedores poderosos, pois, e consegui coisas muito giras, é que os chineses até nos vendem as coisas mais baratas, licitamos por meia dúzia de euros, ou dólares, ou lá o que era, mas não compramos aquela amada Cambon, ou aquela pulseira vintage, isso não. Depois fartei-me daquelas transacções, da Paypal, de ir aos correios, ou sendo o vendedor dos EUA, à alfandega e pagar para desalfandegar e o coiso. Ah com a Chanel Cambon, só foi à terceira, pronto, tive de desistir da E-Bay, mas fiquei com duas Cambonetas que me foram muito úteis para guardar o secador do cabelo, ferro de caracoletas e que tais. Também consegui um casaco Valentino que ficou muito giro como robe e uns sapatos CD para andar a cavar no jardim. Uma chique.
Depois, depois tive o meu primeiro filho, cresci qualquer coisinha e relativizei prioridades passadas, se não for por mais nada, é porque às Cambons da vida não lhe cabem fraldas, pomadas, toalhinhas e que tais, aquele tamanho engana muito. Tudo tem a sua época, mais por aí.

Agora pediu-me para sair mais cedo, para ainda ir a tempo de passar na ervanária. Disse-lhe que estas coisas da voz não vão lá com mel e folhas de árvores, o melhor mesmo é deixar a natureza funcionar e a voz volta quando lhe apetecer, por mim, nunca. Ela não acreditou em mim. Fui atacada por uns Suspiros violentos. Também está para ali um chocolate giro a tentar seduzir-me. Sofro muito dos nervos.
e gosto de azul claro com castanho . laranja com rosa . e rosa com encarnado . azul com verde . e muito branco . também o preto total . adoro . bom, o que eu gosto mesmo é de cor . para variar do preto . cinzento e castanho . é isso .
Ela está revoltadíssima com o nosso PR. Eu também. Mas expliquei-lhe - aos gritos, para dar crédito à minha surdez - que ele só quis ser como o povo e fazer parte dos 80% a quem não chega o que ganham para pagar as despesas, esqueceu-se foi que a ele não chegam € 12.400.00, ou lá o que é, aos 80% não chegam € 480.00, mas, pronto, é parecido.
Está para ali a ciciar e eu, num rasgo de inteligência impar, preguei-lhe uma peta confessei-lhe que as frentes frias me põem mouca. Para dar ênfase à coisa, esbugalhei-lhe os olhos. Espero que tenha percebido as dificuldades de comunicação que hoje vamos ter por aqui.
A minha empregada está afónica, diz que foi uma frente fria que lhe atacou as cardas vocais. Há paz neste lar. A minha estrela é muito grande. Salvé.

Há dias em que estou má e crítica, outros em que estou boa, um mel. Há dias em que tenho toda a paciência do mundo, mesmo com os que nasceram só para chatear, outros em que a insatisfação alheia perante a vida me irrita. Há dias em que sou cabra, outros ovelha. Há dias em que preciso de toda a maquilhagem de feia que sou, outros em que me gosto desmaquilhada. Há dias em que invento cores para pôr nas unhas, outros em que desejava nunca as ter pintado. Há dias em que sou poderosa só com uns saltos altos, outros em que me magoam e saturam, ainda outros, que me bastam uns sapatos rasos e quero lá eu saber de sacrifícios em prol do ego. Há dias em que adoro o cabelo comprido pelas costas, outros em que o desejava cortar rente, só para não ter de cuidar dele. Há dias em que desejava ter nascido homem, libertar-me do soutien que não me deixa respirar e me aperta e sufoca o coração. Há dias em que só me vejo de saias, outros em que me prendem na obrigação de cruzar as pernas quando me sento e ainda outros em que me sinto feminina de calças. Há dias em que demoro a escolher as meias, outros em que me incomodam. Há dias em que me podem pedir mais e mais, há outros em que não me podem pedir nada. Há dias em que tenho tanta energia que nem eu sou capaz de saber tudo quanto fiz, há outros que até parada me canso. Há dias que penso no futuro, na pele, na saúde e como fruta e legumes, outros em que no presente sem querer futuro me afogo em Big Mac's e chocolates. Há dias em que insulto a balança, que de certezinha foi inventada por um homem e amaldiçoo todos os homens do mundo, outros, a maior parte deles, em que os adoro, abençoados sejam. Há dias em que não sei o que vestir porque gosto de tudo, outros em que o armário está estupidamente vazio. Há dias em que quero perfumes e mais lingerie, outros que só quero pijamas e pantufas polares. Há dias em que adoro o que compro, outros em que não sei onde tinha a cabeça quando comprei aquela droga. Não sabia? É por isso que nós passamos a vida a trocar o que comprámos. Há dias em que pinto arco-íris num céu cinzento de tão escuro e baixo que é, outros em que o céu azul me fere os olhos, até com óculos de sol. Há dias em que odeio a chuva que me estragou o cabelo, outros em que gosto de a ver e quero lá eu saber do cabelo. Há dias assim e dias assado. Não há dois iguais, no mesmo cenário, com a mesma roupa, numa só mulher. Malditas variações hormonais que nos fazem ser tantas numa só.
(10.12.2010)


E adoro ver estas cores nas roupas.
Combinar rosa com castanho.
Hoje é dia de restos para o jantar. Gosto disto. Gosto de não ter de cozinhar uma vez por semana, apesar de gostar de cozinhar. Gosto de conseguir aproveitar quase tudo, porque detesto deitar comida fora, seja ela já confeccionada, ou não. Pronto, deitar fora alimentos, interfere profundamente comigo, tanto, que se a quantidade o justifica e se é possível, congelo, se não o é, arranjo forma de reaproveitar, antes que se estrague, ou apenas junto os restos de duas, ou três refeições. Com crise, ou sem crise, aqui só vai para o lixo, aquilo que já não serve para comer.
Digo para mim Mac Maria, desta vez vais ser uma linda e vais mimar essa carinha laroca com esta pasta em que acabaste de depositar a tua fé. E assim faço. Esta aqui, a cada compra de creme, porta-se tão bem, mas tão bem e até se besunta com afinco durante três ou quatro dias. Até pareço moderna e tudo, mas depois esqueço-me do que o rótulo me dizia, e eu ouvi tão bem, falta-me a paciência e acabo a penitenciar-me, olha Mac Maria, mais um cremino ali para o armarinho, mais uns eurinhos que esturricaste cheia de confiancinha em ti, mulher de fraca fé.
E é assim, eu gostava de ser daquelas mulheres cheias de rituais egoístas. Ora este é para os papos de galinha, este para os lábios, agora aquele para as estrias e o outro para as plantas dos pés, mas não, a coisa comigo processa-se sempre por um par de dias, ou dois, se a crença foi grande.
Mas depois sei coisas tão importantes como a durabilidade em condições, o tempo que levam a adquirir um cheiro estranho, os que ficam amarelos, os outros em que se lhes separa as mistelas com aspectos suspeitos e assim. E olho para aquele que prometia fazer de mim um bebé, já tão amarelo, o outro que iria acabar com a pele seca das pernas, tão desidratado, ainda o outro que irá compensar a água que deveria beber mais, que já cheira a iogurte azedo, e se nada posso fazer contra a minha natureza, ou não quero, mais por aí, com os cremes posso.


Há para aqui umas c@bronas que acham que me conhecem e como não têm acesso ao meu ser belo na vida real, vai que consideram que lhes fica bem virem para aqui deixar comentários com apreciações sobre a minha pessoa, sobre a minha educação, ou a falta dela, sobre os meus filhos, a minha família, as minhas ausências e as minhas presenças. Sim, são sempre os mesmos IPs. Ora como tenho para mim que da minha vida só faz parte quem eu quero, não me apetece continuar a ter portas por onde entra quem eu não quero. Simples. Sim, a partilha é muito gira desde que seja feita dentro da normalidade por pessoas normais. Não, isto aqui não é "tenho um blog, logo sujeito-me". Não, meus amigos, eu tenho um blog, mas não me sujeito, não estou para aturar e nem quero. Tenho um blog, porque gosto de escrever, mas não o tenho para me darem opiniões sobre a minha vida, as minhas opções e a minha família. Ah e tal tens que saber aceitar a crítica e o coiso. Não, não tenho. Ah e tal então achas-te perfeita? Acho. Isto é o meu blog, não é um parlamento, uma democracia, nem um circo onde os palhaços se fazem ouvir.
E se me conhecem na vida real, que tal arranjar tomatinhos para falar comigo, hein? Era giro, não era?
Ah é verdade, liberdade de expressão não é sob um anonimato achar que se tem o direito de bolçar merd@. Há liberdade de expressão quando se dá a fuça, mas também se tem coluna vertebral para depois arcar com as consequências do cocó que se diz da boca para fora, está bem? A diferença entre nós, anónimos de merd@, assim só para começar e acabar já por aqui, é que sempre comentei com o meu perfil, nem sempre fui simpática, ou concordante, o que até já me valeu umas tantas inimizades, mas sempre só o fiz ao post em questão, mas dei esta cara, para o bom e para o mau. A diferença entre nós, anónimos da merd@, é que a felicidade e a cara lavada, esta de que padeço e que vos perturba tanto, constroem-se todos os dias, em todos os actos, e é assim uma questão de coluna vertebral, de conseguir olhar sempre todos nos olhos e ter o pescoço direito, não há cá actos escondidos, duplas personalidades, verdades escondidas na falsidade. Isso não. E esta será sempre a diferença entre nós. Isso e saber ser feliz com o que tenho. A vida, anónimos de merd@, faz-se como os caminhos, a olhar para a frente, é que quando se olha muito para o lado, é capaz de se tropeçar. Em suma, anónimos de merd@, é tudo uma questão de pescoço.
Assim, a partir de hoje, não serão mais permitidos comentários neste blog lindo como a sua dona. Por outro lado, quem quiser comentar e dar a cara, sempre o poderá fazer aqui na página do Facebook.
Talvez um dia voltem a ser permitidos, quando só for possível comentar com um perfil, nem que esse perfil seja falso, mas ao menos houve ali um trabalhinho de construção e eu gosto de coisas trabalhosas.
Às pessoas queridas, que até nem sempre concordaram comigo, mas souberam faze-lo de uma forma educada, encontramo-nos por aí, na vida, na blogo, ou onde calhar.

do fim-de-semana . houve o baptizado do meu bebé . novos votos e compromissos . gosto disto . gosto de confiar os meus filhos a quem me deu a bênção maior . gosto de os sentir seguros . porque eu sou humana e falível . gosto de os confiar . mas não os dou . a ninguém . são meus . fui eu que os gerei e é de mim que eles precisam . mas gosto de lhes dar uma orientação, que um dia, talvez eles sigam, ou não . a escolha será sempre deles . e dessa liberdade eu gosto . é nessa liberdade que os quero educar . é esse legado que lhes quero deixar . esse e o meu amor incondicional . sejam quais forem as opções de vida que tomarão para si .

Há um par de horas, eu vinha aqui dizer coisas muito importantes e vitais, pois vinha, mas depois apareceu-me a encomenda do Continente e tive de andar a arrumar, depois fui dar de mamar ao bebé, depois pu-lo a arrotar e adormeci-o, não queria a chupeta, maneiras que usei amigo do coração Aero-Om cola, beijos nas bochechas e miminhos, depois acabei a encomenda, que entretanto interrompi, depois mudei uma fralda e dei-lhe beijos nos pés, depois almocei, o Mac Kid chegou e dei-lhe beijos, muitos, depois fui dar-lhe almoço e conversar com ele, depois acendi a lareira, depois fiz um pudim, para depois me penitenciar, depois fui dar colo ao bebé e mudar fralda, mais beijos nos pezinhos, depois achei por bem limpar umas coisas ali de um armário e já que estava com a mão na massa, arrumei umas prateleiras que me pareceram mal aproveitadas, depois deitei mais umas madeiras para o fogo, depois dei mais colo ao bebé e beijos nas bochechas, depois andámos a passear, depois fui à despensa e achei boa ideia reorganiza-la e chegou a hora do lanche e lanchei e dei lanches, ao mais pequenino já se sabe, arrotar, passear mais um bocado, beijos e depois mudei-lhe a fralda e mais beijos.
Depois, depois, depois, há sempre um depois, claro está, e já tenho os braços estoirados, a cabeça vazia e já dormia qualquer coisinha. Depois.
Depois chega o pai e beijos ao pai. Depois seguem-se os banhos, jantares, mais umas mil vezes a dar de mamar, arrotar, passear, embalar, dar colinho, cantar baixinho e muitos beijos, a um, histórias, mimo, filmes e beijos, a outro.
Moral da história: só não beijei o jovem do Continente.




nas unhas detesto pedrarias e brilhantes, já em algumas roupas, gosto de as ver, e em pulseiras, relógios e anéis
Ora portanto, ontem vieram aqui as meninas manicuras para me fazer unhas de gel nas mãos e arranjar os pés. E vieram duas, porque em vez de ser uma a arranjar as mãos e depois pés, assim enquanto uma fazia uma coisa, a outra fez outra, nada que já não fosse hábito no cabeleireiro onde vou, mas que até nem tinha pedido por achar um abuso. Como até parece que pensam como eu, ou seja, de uma forma genial, acaba-se a poupar tempo para ambos os lados. Adorei. Foram pontuais e rápidas, e eu acabei com as vinte unhas impecáveis. Pois é, gosto de ter os pés arranjados, mesmo tapados por meias e botas, nem que seja só para me sentir bem. Quanto às mãos, e mais uma vez, o gel não precisa de ter aquela aparência muito pirosa posta em garras de dois metros decoradas com bonequinhos, quadrados, cores várias e brilhantes, o meu está em unhas curtas, em bordeaux e com a aparência de um verniz normalíssimo, porque a ideia é tão só ter as mãos arranjadas, sem perder tempo com vernizes que lascam ao fim de três dias.



E a Casa das Velas do Loreto tem uma das lojas mais bonitas de Lisboa, e velas lindas, lindas, lindas.

A muito poucos dias para o baptizado do bebé, que se quer simples, temos o vestido na lavandaria, a vela comprada pelos padrinhos, claro, na Casa do Loreto e o bolo encomendado na Garrett. Simples e com algumas tradições. Gosto de algumas tradições e gosto das tradições da minha família. Afinal são só símbolos e histórias passadas de geração em geração. Não me prendem, mas dão-me um porto seguro, e disto eu gosto muito.






pulseiras . fitas . fitinhas . e quinquilharias . presas aos pulsos . a bailar nos braços . acho que já disse que adoro pulseiras . claro que sim . mas, pronto, repito . afinal um blog também serve para nos repetirmos . gosto delas . largas . estreitas . muitas . poucas . conforme os humores . mais no Verão . no Inverno fico-me pelo relógio . com as mangas compridas não me dá jeito ter milhares de coisas nos pulsos . só isso.

Fui ao Continente (online), tratar de víveres para esta família. Depois fui à Nespresso (online) adquirir café. E esperarei que manicura, que vem aqui ao feudo tratar destas mãos e pés, me apareça lá para o final do dia.
Até pareço fina.


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Os meus filhos têm peles atópicas, ou seja, peles chatas. Eu também, ou seja, herdaram esta belezinha de mamãe, eu. E se para o Mac Kid nunca lhe foi proibido o banho diário, agora para o Mac Baby, pois que é dia sim, dia não. E isto faz-me alguma confusão. No meu tempo, ai caracinhas o que já digo, a idade pesa-me, está visto, adiante, dizia eu, no meu tempo, quando me queixei desta pele comichosa, o querido tio dermatologista sentenciou olha filha, toma um banho de imersão uma vez por semana e só com água, deixas-te ficar ali uma meia hora e vais ver que isso te passa. Não houve cá produtos chiques, análises à minha situação crítica, nada, mas também não fiz o que titio das peles prescreveu.
E agora na era moderna, peles atópicas implica cremes popes comprados na farmácia, mistelas com este e aquele componente feito ali por encomenda, que vão resultar numa banha com que besuntamos as crianças, loções de banho que nem bolhinhas fazem e quejandos.
Quanto ao Mac Kid, sempre tomou banho todos os dias e não vi a situação a agravar-se. Espantosamente, esta aqui também tem sobrevivido benzinho à loucura do banho diário.
Modas, é o que é.


E aqueles homens que se mostram muito impressionados com recém-nascidos e ai que não lhe pego e ai que me faz impressão e ai o coisinho. Pois, pois, já ouvi fobias melhores, tipo a palhaços. Sissys. Não lhes levo isto à paciência. Olhem se a nós também nos dava para aqui, era lindo. Mas pronto, admito que não tenham jeito, admito que tenham medo de os deixar cair, mas não custa tentar. Um recém-nascido é frágil, mas se não o atirarem ao chão, não se parte só por lhe pegarem, nem se dobra irremediavelmente ao meio, nem mirra qual soufflé saído do forno, nem se desfaz, credo.
[sim, esta aqui fala de barriga cheia, o Mac Man é um daqueles pais que ajuda imenso e não tem miaufas de bebés]

E nós mulheres falamos muito de nós, da nossa condição de mulher, de mãe e o coiso. Gostamos de exercitar o que queremos, do que precisamos, ao que vamos, de onde viemos, o que pensamos, o que não pensamos, os planos que temos, o que desejamos, e o que ainda não temos, mas vamos ter, claro. Gostamos da nossa independência, da autonomia e da auto-suficiência, que conquistámos, achamos nós, o caracinhas, na maternidade enquanto os filhos são pequeninos, não somos assim tão independentes, faltam-nos apoios e ajudas. Independente era avó querida com as suas seis internas - criadas, como se dizia, porque eram mesmos criadas/educadas nas casas, muitas vezes desde pequenas - e duas externas, nove filhos, está bem, mas um manancial de gente para ajudar. No tempo das nossas avós era assim e nem era preciso ter uma horda de criadas, existia toda uma comunidade que ajudava as mulheres que tinham sido mães, era mais fácil, geograficamente estava-se mais próximo da mãe, tias e avós.
Afinal tudo espremido não somos tão independentes, auto-suficientes e autónomas, como gostamos de mostrar ao mundo. Não na maternidade. Ser mãe dá trabalho, implica esforço, tempo e dedicação, com alguma ajuda é bem melhor e a verdade é que os filhos fazem-se a dois, portanto não é só educar, ao pai também cabe ajudar no terreno. Um pai capaz de dar banho ao filho, de mudar fraldas e de dividir umas e outras tarefas é muito bom. Parece que não, mas às vezes, nem que seja apenas uma fralda num dia, já é assim uma ajuda e peras. E sim, tudo corre muito melhor quando temos um homem ao lado que é capaz de nos ajudar na rotina de um bebé.
Se não for por mais nada, um homem que participa activamente nas tarefas com os filhos, é extremamente sexy.



blazers e jeans . não necessariamente juntos . mas também .

O meu bebé dá-me muito boas noites, se pensar no que ouço falar em recém-nascidos e bebés por estas idades, mas já me deu algumas assim assim, daquelas de ficar no berço de olhos lindos muito abertos e sorriso escancarado, à espera de grandes interacções com a sua progenitora, eu, que nos entretantos entra em estados hipnóticos, enquanto faz tentativas vãs para o convencer que dormir é uma cena muito boa. Também já me trocou as voltas às horas de mamar e já me estafou, quando resolveu que a coisa não se iria processar de três em três horas, mas de duas em duas, o que vale é que de vez em quando faz destas, mas depois volta aos horários de três em três. Já desatou a berrar e não era fome, nem sono, nem cólicas, era só neura. Já teve dias em que só queria colo, como se o berço estivesse habitado por ouriços e eu com os braços a doer, adormecidos e cansados.
E às vezes fico irritada, um bebé a chorar por mais de vinte minutos, consegue atirar com um adulto para estados de desespero puro. Às vezes fico cansada, afinal noites até às cinco da manhã, ou de três em três horas, deixam-nos meias azamboadas. Às vezes fico zangada, de tão longe que estou (outra vez) de mim. Pois é, se pensamos que eles são bonecos mecânicos, pois que nos enganamos e muito.
Estes primeiros meses não são fáceis para nenhuma mãe, mas com o segundo filho já sabemos ao que vamos, lembramos-nos bem de como foi com o primeiro, bom, lembrar, lembrar, não nos lembramos assim tanto, dizem que se nos lembrássemos bem, só tínhamos um filho e era o fim da espécie, se não o fim, a solução para a sobrepopulação do planeta, deve ser a natureza a defender-se.
Mas depois ele sorri-me, mostra-me aquelas gengivas carecas, e se ele sorri, com aqueles olhos lindos, diz-me árru e eu acho que as noites trifásicas, o berço de faquir, o estado de vaca leiteira e a falta de tempo para mim, não são assim tão importantes.
Os bebés são pessoas, e claro que são todos diferentes, até entre irmãos o são, também têm dias bons e dias maus, têm os seus humores e os seus maus humores. A verdade é que se quisesse exercitar o meu instinto, só por exercitar, tinha comprado um Nenuco e a coisa estava feita, mas quis ter filhos.
E isto é só o começo, sei-o bem, afinal já cá tenho outro.


Ele há dias em que só me apetece comer porcarias, borrifar para as calorias, os colesteróis e não pensar sequer no que os espelhos me vão mostrar. Não é por nada, não é por depressões, contrariedades, crises e outras razões do oculto, é só por ser uma dedicada amante dos géneros alimentares, vá, uma gorda. Hoje é um destes dias. Estou para aqui a segurar-me à ingestão de uma lata de leite condensado (são lácteos, senhora doutora, são lácteos) que está para ali a sorrir para mim, num dos armários da cozinha, que sei lá eu como, as minhas mãos, num mecanismo muito estranho, estão sempre a abrir. Para me consolar deste descontrolo motor, fui-me a uma carcaça com batatas fritas. Agora estou aqui em modo de visão raio X a percorrer o resto do armário das porcarias, parei na gaveta das gomas, chocolates e frutos secos, mas a cabeça volta-se-me para a lata de leite condensado. O organismo deve estar a precisar de açúcares, é isso. Acho que me vou a ela. Ou então a outro pão com batatas. Pensando melhor, agora vai um pão com maionese. É isso.
[Pela Sara Maria, no A Conta e um Beijo, s.f.f]
Gosto do que a Sara Maria escreve. Gosto dela. Gosto.



Num dos canais, passou mais uma vez o Platoon, na época um dos filmes da minha vida, achei eu, depois seguiram-se tantos que lhe ficou tão só a cena em que o Elias morre, deixado para trás, ao som do Adagio for Strings de Samuel Barber, lindo, intenso, intemporal. Agora acho que aquela minha paixão era e é por aquele Adagio naquela cena, a melhor de todo o filme. Depois lembrei-me do Era Uma Vez na América e ficou-me o tema do Morricone. E a cena final do Cinema Paraíso e aquela música, que amo de paixão, mais uma vez de Ennio Morricone. E o Merry Christmas Mr. Lawrence do Ryuichi Sakamoto. E o tema de In the Mood for Love. E tantos mais.
Depois, depois sucederam-se ou anteciparam-se, sei lá eu já, tantos e tantos outros em que das bandas sonoras nem me recordo, uma Escolha de Sofia, Lolita do polémico romance de Nobokov, acrescentar-lhe na versão cinematográfica um Jeremy Irons a fazer-me concretizar um homem que passou a linha de uma dita normalidade, o mesmo que em Irmãos Inseparáveis me marcou com aquela fragilidade conturbada e doente, ou ainda a Casa dos Espíritos, que me transportou para uma realidade de um Alentejo vivido pelos meus bisavós, um Alentejo que já não conheci, apesar de não ser lá passado, mas ali filmado. Curiosamente o Jeremy Irons está em muitos dos filmes que mais me marcaram.
Agora já nem sei se o que me fica na memória são as bandas sonoras, os filmes, ou o conjunto de ambos. Não interessa.


Hossana nas alturas. Está aqui uma pessoa sussugadinha da sua vida e quase que não sai de casa e o coiso e o coiso e vai ao FB ver as novidades e pronto, a minha prima A. vai e põe-me isto no ciberespaço e ai que entregam na província e ai que vim para a província e ai jasus que vai ser a desgraça.
Gosto disto. Ora portantos, neste momento tenho o supermercado que me entrega os bens alimentares em casa, o talho, a fruta, o pão e a manicura também cá vem, só me faltava este querido, querido, querido. Já me estou a ver a encomendar cassatas e caixas com baunilha, morango, caramelo e chocolate, e chantili, e é tudo pelo bebé, a senhora doutora mandou-me comer muitos lácteos e eu sou muito bem mandada e depois vou ver-me gorda e o coiso e quero lá saber.
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